O que fazer para começar uma "Iniciativa do Caminho da Graça"


MÍNIMOS RAZOÁVEIS

Todos os dias e quase o dia todo, chegam e-mails de gente boa de Deus de todo Brasil e fora dele, com esta pergunta, COMO FAZER PARA COMEÇAR UMA INICIATIVA DO CAMINHO DA GRAÇA (ICG)?

Claro, tentamos responder a todos da maneira mais simples possível, pois, não desejamos e nem temos um padrão ou critérios fechados sobre este assunto.

No entanto, há o que eu tenho chamado de MÍNIMOS RAZOÁVEIS, e é o que coloco abaixo na expectativa de contribuir com todos que desejam saber como é que isto acontece entre nós.

01 - É inegociável a "conversão a Cristo" e não ao cristianismo ou a "igreja". Entendendo que, CONVERSÃO A CRISTO se resume em dar razão a Deus sempre.

02 - É inegociável que já se tenha rompido com a instituição religiosa, seja ela qual for.

03 - Que haja disposição para uma re-leitura das escrituras sagradas a partir de Jesus, tendo-O como chave hermenêutica para a interpretação clara do Evangelho. Re-leitura do Novo Testamento com ênfase nos evangelhos. Leitura do ENIGMA DA GRAÇA e SEM BARGANHAS COM DEUS e todo o conteúdo do site ( www.caiofabio.com ). Não tenha pressa nesta etapa. Não se deixe vencer pela preguiça na leitura. Não leve em conta o pressuposto natural que nos leva a achar que já sabemos tudo. Sabemos muito de religiosidade, mas, sabemos pouco sobre a Graça.

PARAGRAFO ÚNICO
Sem que isto tenha acontecido, digo, esta consciência radical a respeito da Graça do Nosso Senhor Jesus Cristo, e este desvencilhar-se de todas as algemas institucionais religiosas, é muito difícil dar prosseguimento neste processo de começar uma iniciativa do Caminho da Graça. Recomendo nestes casos um caminho de aproximação com alguém ou alguns que partilham desta mesma consciência, até que haja maturidade suficiente para esta jornada na avenida sem demarcação que é o Caminho da Graça. Sim, pois, o Caminho da Graça é uma caminhada numa estrada sem demarcações, mas, sem perder o rumo, isto é, sabendo bem aonde se quer chegar. Sem perder o foco.

04 - CONVOCAÇÃO E CONVOCADOR ( ES )
Sim, é necessário que haja uma CONVOCAÇÃO e por conseqüência alguém ou alguns que convoquem outros para a INICIATIVA DO CAMINHO DA GRAÇA ( ICG ). Esta convocação deve partir destes(as) e do lugar onde se deseja uma ICG.
O CONVOCADOR ( pode ser mais de um ) deve ser alguém que tenha na sua rede de relacionamentos alguns que, em sendo convidados, viriam para uma ICG. Sim, esta é uma pergunta que, quem deseja começar uma ICG deve fazer a si mesmo(a). "Se eu convocar pessoas para começar uma ICG, alguém virá?" isto porque no Caminho da Graça não há um plano de expansão. A expansão acontece naturalmente a partir de pessoas que assim desejam.
O CONVOCADOR deve ter "O QUE DIZER". Sendo ele o mais interessado em que uma ICG exista em sua região, ele é o que irá comunicar aos que atenderem sua convocação.
O CONVOCADOR deve ter "UM JEITO DE DIZER" o que ele pretende de modo que os convocados entendem bem qual é a proposta.
O CONVOCADOR não necessariamente será o MENTOR da ICG, embora, normalmente é isto que tem acontecido. Mas, não necessariamente é assim, outro poderá ser o MENTOR.

PARAGRAFO ÚNICO
Duas situações tem sido comuns entre os que desejam começar uma ICG, por isto, das colocações acima, senão veja:
- Alguns que tem este desejo já foram ou ainda são lideres, pastores de comunidades ou grupos comunitários e, portanto, já agregam pessoas em torno de si e do que ensinam. Pra estes a convocação é natural e o atendimento das pessoas às convocações também é natural.
- Já outros que tem o mesmo desejo, não lideraram e não estão liderando nenhum grupo. Identificaram-se com o movimento Caminho da Graça. Romperam ou estão em fase de rompimento com suas instituições, mas, não necessariamente teriam a quem convocar, ou, mesmo tendo, é possível que suas convocações não sejam atendidas. ( isto já aconteceu entre nós algumas vezes ) Isto já aconteceu inclusive com alguns que são lideres.

É por levar em conta estas possibilidades que recomendamos cautela, calma. Não encorajamos precipitações convocatórias para que não haja frustrações posteriores.

O desencanto com as instituições religiosas é tão grande que muitos estão ansiosos para começar algumas ICG, mas, em muitos casos é melhor que haja prudência, até pra que se curem algumas feridas restantes dos rompimentos. Não ha pressa.

Para muitos o mais complicado não é sair da instituição religiosa, é tirar a instituição religiosa de dentro de si mesmo.

"SAÍMOS DA COISA, MAS, A COISA NÃO SAI DE NÓS TÃO FÁCIL"

05 - UM LUGAR PARA OS ENCONTROS
É importante que se tenha um endereço. Pode ser uma casa, apartamento, garagem, uma sala de escritório, um Buffet, um salão de beleza, um local publico, etc... Bom que fosse um local estratégico para aqueles que se deseja convidar.

06 - UM DIA PARA OS ENCONTROS
Estabeleça um dia que seja adequado para a maioria das pessoas. Pode ser qualquer dia. Estabeleça qual será a periodicidade dos encontros ( semanal, quinzenal, mensal ).

07 - UM HORÁRIO PARA OS ENCONTROS
É importante um horário para se encontrar. Que seja um horário confortável para a maioria das pessoas.

08 - O AMBIENTE DOS ENCONTROS
O normal no Caminho da Graça é a SIMPLICIDADE, a informalidade, a interação, o ecletismo dos e nos encontros. O CAFÉ.COM.GRAÇA é a hora do partir do pão juntos, onde se reparte vida & pão.

09 - A DINÂMICA DOS ENCONTROS
Não há liturgias fixas. O mentor da o tom da dinâmica dos encontros. Prima-se pela simplicidade em tudo. Valoriza-se o ENCONTRO DAS PESSOAS. Lembrando que, pessoas tem nomes e histórias que devem ser valorizadas.

10 - PERGUNTAS COMUNS
Quem pode começar uma ICG?

Você. Você que tem escrito a nós do Caminho, perguntando se tem uma iniciativa ou uma estação do Caminho perto de você. Leia com atenção o que está acima e pense nesta possibilidade.

Há um numero mínimo de pessoas par se começar uma ICG?
Não. Usamos o numero recomendado pelo Senhor. "Onde estiverem 2 ou 3 reunidos em meu nome, ali estarei Eu com eles".

Há uma hierarquia no Caminho da Graça?
Não. O que há é o reconhecimento dos dons, talentos, habilidades, competências e disponibilidades que são colocados a serviço do Senhor e das pessoas.

O Caminho da Graça é uma denominação evangélica?
Não. Somos um movimento que se identifica com todos os que decidiram seguir a Jesus de Nazaré da maneira mais simples possível.

No Caminho da Graça "cobra-se"o dizimo?

Não. Nós nos repartimos e repartimos nossos recursos. Alguns usam o dizimo como uma referencia o que não é "pecado", pois é bíblico.
O que tem acontecido é que a maioria dos que saem da instituição religiosa onde se fazia barganhas com Deus, usando o dizimo como moeda de troca com o Eterno, no Caminho da Graça se vêem tão livres que não contribuem com nada.
Estes punem a graça por conta de terem sido vitimas e defraudados pelas instituições religiosas. Alguns tem se tornado indiferentes às necessidades mínimas que, claro, existem no Caminho da Graça.
Por outro lado, há uma crescente consciência sobre o REPARTIR RECURSOS e isto é lindo de se ver.

No Caminho da Graça há um rol de membros?
Não. Por isto denominamos nossos encontros de "ESTAÇÕES DO CAMINHO", pois, tem gente que vem, tem gente que vai, tem gente que volta, tem gente que fica. Não há cobranças constrangedoras de presença, pontualidade, etc...

Bem, se o que escrevi ainda não é suficiente, continue fazendo perguntas e tentaremos responde-las.

No mais, é começando que se começa, então COMECE.

Se você ja começou ou vai começar, avise-nos.

Fique a vontade para repassar estas informações, mesmo que seja apenas para esclarecimentos aos que têm duvidas a respeito.

Graça, paz & todo bem a você e sua casa.

Bjs.

Carlos Bregantim



Veja aqui o contato de alguns do Caminho da Graça a quem você pode procurar para ser ajudado neste processo.

O Caminho versus a instituição

Não carregamos alguma espécie de fobia institucional, como se o simples fato de desviar-se da instituição promovesse o Evangelho. Não é o caso.

Toda instituição que existe para servir aos homens é boa e útil. Porém, quando ela demanda que os homens existam para mantê-la e servi-la como finalidade, então, ela se torna demoníaca e instrumento do congelamento das almas humanas.

Penso que a instituição é sempre algo como o Sábado nas narrativas do Evangelho: pode ser dia de descanso ou pode ser dia de prisão, juízo e morte. Assim como o Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado, também a instituição existe para servir ao homem, e não o homem à instituição. Sim, o institucional nos serve.

Veja: reconhecimento e afinidade geram instituição. Instituição é fruto da convicção em comum. Onde quer que pessoas se encontrem em razão de uma convicção em comum, ali há uma instituição, mesmo que seja nos encontros do bar da esquina.

Ora, nesse sentido, até o espaço virtual do portal
www.caiofabio.com, pela convergência de milhares de pessoas que a ele se ligaram pela convicção e em razão de cuja convergência veio a surgir naturalmente o Caminho da Graça, é também uma instituição.

Parece tudo muito simples de entender, mas a história mostra como o poder de perversão humana é facilmente exposto quando a instituição se instala em nós com I maiúsculo. É assim em todos os níveis sociológicos e, naquilo que nos interessa aqui, também é assim no cristianismo protestante do qual descendemos. Ora, isto vai das formalidades e das politicagens dos concílios e das convenções denominacionais e ministeriais até as mais cretinas formas de perversidade praticadas em nome de Jesus, e feitas de intrigas, tiranias, perseguições neuróticas e invenções mirabolantes que tiram a simplicidade do Evangelho e pervertem o sentido de ser evangélico.

Por isso, minha luta nunca foi contra a instituição, pois tal luta é tão inglória e tola quanto correr da própria sombra. Minha luta sempre foi contra
a institucionalização.

A instituição deve ser fruto do que é. Já a institucionalização põe o que é a serviço de algo que já não é, posto que apenas um dia foi. Como assim?

O princípio do Evangelho acerca do que se institui pela realidade e necessidade, em contrapartida àquilo que um dia foi e hoje já não é, nos é apresentado por duas imagens: a dos odres velhos e dos novos e a da veste velha e do pano novo.


A instituição é validada pela sua relevância e pelo seu significado real para a vida hoje. Instituição é um ente vivo se é feito de gente e para gente! Mas Institucionalização é o esforço presente por manter o passado e suas regras humanas de ontem válidas para hoje, mesmo que ninguém consiga ver a sua significação. Logo, é só a ditadura dos defuntos.

Assim, o pano novo e o vinho novo correspondem à instituição do que é — do que é necessário e do que é verdadeiro e sincero com a realidade. Do mesmo modo, a veste velha e o odre velho, com seu vinho velho, correspondem à institucionalização.

Jesus disse que era para não se tentar instituir o novo no velho instituído, pois jamais haveria compatibilidade.

Já o que se faz instituído como algo fixo (institucionalização) deseja vestir para sempre as pessoas com as vestes de ontem e almeja que cada nova geração goste do mesmo vinho produzido num ontem eterno. Assim, o que antes fora vinho novo, tendo sido condicionado por um odre de imutabilidade, pode hoje já não ser nada, além de vinagre. E o perigo é esse: beber vinagre como quem bebe vinho!

O Evangelho Imutável é o Vinho, e o resto tem a ver com o tempo, com a hora, com a ocasião. Só que nós, cristãos, acabamos institucionalizando o Odre, e o Odre ganhou uma importância tão grande que a gente briga, mata e morre pelo Odre, mas são poucos os que estão interessados com a qualidade do Vinho.

Saibam todos: é por ter entregado a alma à "Institucionalização" e as instituições a gente sem alma que a "igreja" carrega as mazelas desse estado de ser. A lei, o orgulho, a vaidade, o mercado, a vanglória, a fama, o culto à imagem, o comportamentalismo, a superficialidade, o formalismo, os ciúmes, a picaretagem, a fixação no controle das pessoas, as jogadas políticas, a venda de votos, as negociatas e a grotesca hipocrisia tornaram os evangélicos insuportáveis até para os evangélicos mais sensíveis!

Portanto, algumas coisas precisam ficar claras:

  1. Não é a instituição que tem o poder de matar as coisas, mas sim o coração que se deixa fixar pela Instituição, fazendo da existência dela um fim em si mesmo — a Institucionalização da Fé! Basta, entretanto, um coração se sentir superior, alguém se sentir dono histórico da casa, sendo sempre um ser mais importante do que os que forem chegando depois, então tudo se perverte! Eu estou me referindo àquelas tentativas de ir fazendo pequenas leis que não são da Palavra, mas que vamos chamando de "sabedoria" no início. Depois muda: "É o nosso costume". Em seguida se torna: "É o nosso modo de ser". E, então, quando os que começaram já não estão, a gente diz: "Não era assim que se fazia" ou "não podemos mudar como era. Se mudar nós perderemos a nossa identidade".

  2. Se mantivermos a alma no Evangelho, com o software da graça e do amor rodando na mente o tempo todo, com a consciência simples, andando no Senhor Jesus, tratando uns aos outros como irmãos — sem se imporem, sem evocarem pedigree, sem dizer: "Eu cheguei aqui primeiro", sem ficar auditando uns aos outros, sem ficar fiscalizando uns aos outros, sem ficar impondo suas próprias decisões pessoais e particulares como sendo leis comunitárias para o outro —, então não há perigo algum!

  3. Não há perigo se o que está instituído é apenas uma referência histórica para o momento de hoje, não sendo o teto, nem a parede, nem o chão do movimento, mas apenas o tabernáculo da viagem, a tenda que se arma enquanto se caminha, e a Estação da jornada.

  4. Não há perigo se cada um de nós souber que o único poder de institucionalizar a coisa é aquele que procede de nós. Porque a instituição como mal e como finalidade só pode acontecer em gente. São as pessoas que projetam o que neles está instituído como algo que a instituição será, com a soma dos interesses e das divisões da média ponderada dos associados e dos interessados na manutenção desse ente. Mas o ente institucional, em si, não é nada. Ela, a Instituição, não acorda e diz: "Bom dia!" Ela não lhe dá boa noite. Se o seu pai morrer, a instituição não lhe diz: "Sinto muito, de todo coração". Se o seu filho nascer, ela não o aplaude. Agora, se o seu filho morrer e ela for solidária, não foi ela que foi solidária; é porque tem gente lá dentro que se solidarizou. E ela não existe, só existem pessoas. Portanto o grande mito a se acabar é essa coisa de que se tiver CNPJ, conta bancária, um nome ou logotipo, aí institucionalizou-se! Um logotipo não vira Instituição. Razão social não vira Instituição. Conta bancária não vira Instituição. Em nosso tempo, para que um encontro comunitário seja legalizado e auditável tem que ser institucional. Mas não há problema nisso, porque eu tenho CPF, RG, título de eleitor, atestado de reservista, certidão de casamento, passaporte e continuo não-institucionalizado. Eu sou "eu" todo dia.

Desse modo, digo: o Caminho da Graça é uma instituição pelo simples fato de milhares de pessoasseja pelo site, seja em razão dos encontros nas dezenas de grupos e Estaçõesafirmarem sua convergência de convicção nas mesmas coisas, confessando os mesmos objetivos no
Evangelho, e que estão, de modo relativo e secundário, expressos de forma atualizada nos conteúdos que publicamos.


Entretanto, o principal conteúdo do Caminho da Graça é sua disposição de existir em metanóia, no permanente encontro entre a Palavra e a Existência. Assim se espera que o processo de se converter ao novo não cesse jamais, conforme a revelação do Evangelho, o qual é Palavra viva, e se re-atualiza a cada nova realidade ou geração.

Saiba-se, contudo, só uma coisa a mais: eu já tomei atitudes deliberadas que puseram abaixo algo que era considerado "muito importante" para milhões; e isso porque eu senti que estava traindo o Chamado de minha existência como homem. Assim, por que achariam que eu tenho dificuldade em ver acabar qualquer coisa que eu tenha ajudado a construir?

Não! Não tenho nenhum compromisso com perdas, padrões de um dia ou com a manutenção do que um dia foi bom. O que é de Deus, sempre é Hoje!

Eu creio que tudo aquilo que vira um fim em si mesmo precisa ser destruído. Sim, qualquer coisa. Ou seja: no Caminho nada é erguido para ser um fim em si mesmo. Se assim for, bem-aventurado é todo aquele que o puser abaixo. Afinal, é assim, ou deveria ser assim, com todas as coisas debaixo do sol.


O Caminho da Graça para Todos

Para onde caminha o Caminho da Graça?

O vento sopra onde quer, não sabes de onde vem, nem para onde vai.
Assim é todo o que é nascido do Espírito.



Essas palavras de Jesus parecem nos apavorar! E por quê? Porque ninguém quer ficar sem saber para onde vai! E ninguém quer, de fato, confiar a vida a Deus. Por que videntes e astrólogos têm tanta popularidade? Ora, é porque todo mundo quer saber o futuro, enquanto todo mundo tem medo do futuro! O justo, porém, viverá a cada dia apenas pela Fé!

A questão, no entanto, não é saber para onde se vai. A única coisa que interessa é a Quem estou seguindo. Ora, nesse caso, não se trata nem mesmo de buscar seguir algo visível, mas de se deixar levar pela leveza do intangível, sem medo, e com total confiança.

Hoje em dia ninguém mais quer seguir o Vento, se é que algum dia já se aceitou isto. Uma mente religiosamente estruturada acaba por tentar "sistematizar" o Vento, o Espírito e a Vida.

O interessante é que Jesus é o Caminho, e segui-lo é a própria certeza de "para onde se está indo", pois o alvo da jornada é Vida no Pai.

"Vós sabeis o caminho..." — disse Jesus. Eles responderam: "Como saber para onde vais, sem saber o caminho"? Todos conhecem a resposta: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e ninguém vem ao Pai senão por mim".

Ora, é aqui que mora a angústia da alma religiosa. Depois de milênios de treinamento para pensar no Caminho como Conduta, na Verdade como Doutrina e na Vida como Performance, quem ainda sabe intuir a simplicidade das palavras de Jesus?

E pior: depois de pensar no Caminho como um "projeto", na Verdade como um "sistema" e na Vida como um "modo de ser" conforme a religião, quem pode ainda entender o significado do chamado de Jesus?

E mais desgraçadamente ainda: depois de pensar no Caminho como o "Pacote da Salvação", na Verdade como a "Certeza dos Crentes", e na Vida como uma "Longínqua Eternidade", quem consegue ainda discernir a concreta subjetividade do chamado de Jesus Hoje?

E só para concluir: depois de anos confundindo o Caminho com uma "Estrada Institucional", a Verdade com a "Teologia" e a Vida com a "Disciplina da Igreja", quem ainda pode, apenas de leve, perceber o convite de Jesus para segui-Lo no Caminho, sendo levado pelo vento, seja andando em Verdade no ser e experimentando a Vida na vida?

Não! A gente quer um mapa, um sistema, uma estratégia, um planejamento de curto, médio e longo prazo. A gente quer saber como acontecerá: "Qual a estrutura que nos governará? Quais os sistemas que nos conduzirão? E quais os objetivos concretos a serem declarados? E que organização terá"?

Para mim, se discirno com alguma correção o Evangelho, o espírito é outro. Jesus nunca organizou muita coisa, a não ser chamar doze homens para estarem mais próximos Dele, reunir a multidão em grupos a fim de repartir o pão, e enviar alguns antes Dele a fim de fazerem preparativos específicos. No mais, nada mais!

"Não andeis ansiosos... quanto ao vosso ministério, pois a vida é mais que o ministério."
"Não vos preocupeis com o que haveis de falar, pois o Espírito vos concederá..."
"Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos..."

E lhes deu NADA como armadura, exceto a simplicidade do poder que vem da Graça.

Tudo que diz respeito ao Evangelho que surge com a pretensão de ser uma organização já nasce moribundo. A vitalidade do Evangelho está em se deixar conduzir pelo Espírito, conforme a verdade da vida e a vida na verdade.

Portanto, para mim, o melhor governo é o menor possível; o melhor modo é o mais simples; a melhor forma é aquela que serve à vida; e o melhor meio é aquele que vai sendo!

Eu creio que a sabedoria do Caminho é deixar que o vinho designe o odre e deixar que o pano determine a melhor veste para ele. E mais: é saber que o Vinho Novo sempre haverá de demandar, a cada momento ou geração, o odre apropriado; e que a Veste Nova haverá de ser combinada com o feitio que lhe for próprio.

Assim, as formas servem às essências, e não o contrário! Para andar no Caminho tem-se que desistir do modelo industrial, ou da montagem em série, ou da franquia, ou do modelo pré-fabricado, ou de toda fixidez de formas, com suas Constituições e Regimentos, sejam escritos ou subentendidos, visto que todas essas coisas só servem para agarrar-se às paredes do visível, para aplicar fórmulas de sucesso ministerial conforme o Mundo, para instituir hierarquias engessadas e para nos proteger uns dos outros.

E não haverá formas e governos eclesiais?

Ora, ninguém que viva no tempo e no espaço pode crer que as formas sejam evitáveis. Nossa dimensão precisa de forma: tempo e espaço produzem formas.

Porém, quem deu forma aos mares, às montanhas, aos rios, às florestas, aos desertos, aos vales e à vida?

Por que não se pode confiar que Aquele que fez isto em rocha, pedra, areia, poeira, vegetação e todas as demais coisas também pode dar forma ao que também é de Sua criação no coração humano, conforme a necessidade de cada geração?

No que depender de mim, o Caminho da Graça continuará a caminhar conforme a água. Alguém já viu a água ter algum problema com a forma? Não! A água se serve de todas as formas. As formas servem à água, não a água às formas!

O espírito da caminhada é a simplicidade. Há um só Pastor. Há um só Guia. Há um só Mestre. E a Ele, conforme os princípios do Evangelho, nós todos seguiremos. E orientadores e supervisores servem apenas para manter as formas a serviço da essência, sem nunca maculá-la!

Pois nossa segurança está na essência do Evangelho. Onde quer que esse espírito do Evangelho tenha prevalência, todas as boas formas lhe prestarão serviço, mas jamais se tornarão um fim em si mesmas. Serviu, serve; não serviu, então já não serve. E a única coisa que não serve mesmo é atrofiar a Palavra para que ela fique conforme a forma e a "forma".

Ora, se um dia tivermos presbíteros, saiba: eles não serão fiscais da vida e nem senhores da doutrina, mas gente da misericórdia e da paz. Se tivermos diáconos, saiba: eles não serão porteiros de reunião, mas pessoas que só serão servos se servos forem na vida. No entanto, muitas vezes, a melhor maneira de não matar a vida espontânea é não batizá-la de modo oficial.

Criar muitas e muitas formas de governo não é difícil. E há muitas roupas de grife se oferecendo como modelo para a vestimenta do pano novo. Mas é disso que fujo. No que nos diz respeito, o Espírito conduzirá as coisas conforme a pertinência. E nisto, também, o justo terá que se alegrar na aventura da fé.

A questão do Caminho como lugar é simples: por que a gente apenas não se reúne com alegria singela, não experimenta o amor que liberta, não goza o privilégio da simplicidade, não se alimenta da Palavra, e não volta à vida cheios das Boas Novas para contar ao mundo?

Por que a gente não faz do lugar só um lugar? Lugar onde se faz um pouso, uma estação de bom ânimo e revigoramento da fé e que abasteça a vida na troca e ministração dos dons?

Já somos, em muitos lugares, um "pouso" para quem pede. E quando digo "somos", apenas digo que os que se designam "do Caminho" são apenas discípulos de Jesus que se encontram em torno da mesma percepção do Evangelho.

Uma "Estação" do Caminho é uma paragem para os peregrinos. O Caminho não é na Estação; é na estrada, é na pluralidade da existência, é em meio a tudo e a todos, é nas portas do inferno.

A Estação é um pouso rápido, é um pernoite; ou, no mundo moderno, nem mesmo isso, posto que "estar na estação" — num metrô, por exemplo — é coisa tão rápida que a pessoa quase nem chega a "estar".

Não temos, todavia, a aflição das estações de metrô. Preferimos as Estações das estadas andantes, antigas ou primitivas, nas quais a Estação era apenas uma "ramagem" na beira da estrada. Ou apenas um lugar comum onde os peregrinos, os hebreus do caminho, se encontram.

Quanto ao senso de "grupo", no Caminho ele não existe como tentativa de separação do mundo. Existe apenas o senso de unidade na fé, em meio à pluralidade das muitas expressões humanas.

O fato é que a mentalidade da "igreja" sempre foi a de criar uma "sociedade paralela" com todas as formas de governo secular (e hoje empresarial) a fim de que alguns sejam os donos do processo, os controladores do povo, os governadores de Deus e os xerifes da santidade.

A "igreja" quer tirar as pessoas da vida e do mundo, criando um viveiro de doentes e arrogantes.

O Caminho do Evangelho, porém, não é assim! Não é! Nele, as pessoas não fogem do mundo e nem da vida. Nele não tem que haver governadores e nem príncipes. Nele, confia-se na Soberania de Jesus e na efetividade de Seu poder. Nele, cada pessoa é uma testemunha no mundo, não um militante de um partido eclesiástico. É dessa mentalidade que queremos estar longe!

E quanto ao futuro?

Ora, amigos de caminhada, se já não temo a morte, por que haverei de temer o futuro? O Senhor nos guiará se nós não tentarmos guiar o Senhor!

Aonde vai dar esse caminho? Já deu no Pai. E nos conduzirá a cada dia no caminho da pacificação!

Assim, sirvo a Deus Hoje, e não vivo a neurose de como será amanhã. Não sofro dessa ansiedade. Hoje, todavia, há milhares de filhos de Deus que andam dispersos. Quem está feliz onde está, deve ficar onde está. Apenas proponho que os que parecem não caber em lugar nenhum, ou os que amam a Jesus, mas justamente por isso não suportam a convivência religiosa — conforme ela se tornou —, que não se sintam "desviados", que não se tornem solitários e que se ajuntem, que se reúnam, que se encontrem, que se fortaleçam na fé, mutuamente; e, sobretudo, que ensinem o Evangelho uns aos outros. E que saiam para a vida, para toda ela, por todo o mundo, qualquer mundo, até os confins de qualquer fim de terra; e que, indo, preguem, testemunhem e façam discípulos de Jesus, ensinando a eles que o lugar onde se serve a Deus é no mundo, e que o lugar chamado Igreja é qualquer lugar onde dois ou três se reúnam em Seu nome, até numa "Estação do Caminho" ou em qualquer estação, com ou sem nome, desde que seja um lugar de refrigério, acolhimento amoroso e manifestação do Poder de Deus, em meio aos dons espirituais.

Mas há certas coisas que só são provadas se são provadas e se fazem provadas, ainda que para alguns pareçam improváveis. É bom, todavia, que se saiba que o Evangelho é apenas para gente que crê no impossível.

Por fim, pensem em Abraão, que saiu, e foi sem saber para onde ia. Daí Deus ter considerado que ele era um amigo. A grande recompensa da confiança é a amizade de Deus!

Se alguém ouvir e crer, e levantar-se para a Vida em nome de Jesus, esse é membro da Doce Revolução!


|O Caminho da Graça para Todos|

O Encontro no Caminho

Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.
Não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns...
Aos Cristãos Hebreus 10:24-25


O que estou dizendo? Que nada valeu a pena? É claro que não! O que estou dizendo é que o mundo ainda não acabou, e que a cada nova geração os discípulos de Jesus têm, outra vez, a chance de viver o Evangelho assim, simples e puro, leve e livre, dissolvido em sabores sentidos, mas sem sede física de poder e sem qualquer mandão entre nós.

A história não acabou ainda e a luz do mundo pode brilhar no mundo, não como uma ação oficial da igreja, mas como fruto da bondade misericordiosa de cada discípulo que não queira ser um agente especial da igreja, mas apenas um filho do Amor de Deus solto nesta terra e irmanado com todos quantos puder caminhar para melhor ainda servir!

"E não nos reuniremos mais"? É a pergunta angustiada de alguns.

É claro que nos reuniremos sempre! Mas tais encontros não têm por objetivo centralizar as forças, organizar as ações de poder, coordenar a produção dos "frutos" e "divinizar" a visão e a pregação do "método", mas apenas renovar as alegrias da fé e da esperança, fortalecer o amor e devolver as pessoas à vida com a simplicidade do sal e da luz. Ou seja: com sabor e boas obras.

De minha parte, quero apenas ver os discípulos de Jesus crescendo em vida com Deus, em amizade clara e respeito uns para com os outros e em saúde relacional na vida. Gente descomplicada e desviciada de "igreja" e livre dos estilhaços das guerras fratricidas, e, assim, comprometidas com plantar sementes por onde for.

O "ajuntamento" a que chamamos igreja deve ser esse encontro, essa estação, esse lugar de bom ânimo, adoração e ensino. O ideal é que tais encontros gerem amizade, e que pela amizade as pessoas se ajudem; e não apenas em razão de um espírito maçônico-comunitário ou ainda porque se deu alguma contribuição financeira no lugar.

Não. A verdadeira igreja não tem sócios ou associados. Tem apenas gente que se reúne e ajuda a manter tudo aquilo que promove a Palavra na Terra. O que promove o Evangelho deve ser sustentado e mantido com propósito apaixonado, e o que não promove o Evangelho não deve receber nossa energia e atenção.

Portanto, não se trata de um movimento "sacerdotal", intimista e fechado, mas sim de um andar profético, contínuo e aberto, que tem nos alegrado muito, pois, dentre tudo, estamos também reaprendendo a chance de termos amizades não-pagãs entre nós.


Isso porque no meio cristão, em geral, existe a forma de amizade mais pagã possível. As amizades cristãs são pagãs! Como assim? Que forma de amizade é esta? É aquela que ama moralmente. Amar moralmente significa amar enquanto a pessoa se comporta "como a gente", e não necessariamente como GENTE. Se ela for diferente ou se tornar diferente, ou mesmo tiver um comportamento diferente, mesmo que tal coisa seja apenas na área particular e privada, nesse dia tal pessoa perderá todos os seus "amados", pois era amada apenas moralmente.
Para esses, o irmão é o igual e o próximo é aquele que é parecido com eles. Ora, Jesus mandou amar até o inimigo, quanto mais o diferente!

Além disso, Ele disse que amar os que nos amam e tratar bem os que nos tratam bem é apenas um comportamento pagão, posto que seja assim que qualquer pagão, minimamente, trata um ao outro.

Jesus considerou que deveríamos buscar amar e ser amigos do jeito do Pai Celeste, que é bom para com maus e bons, e derrama Graça sobre todos.

Acontece que entre os cristãos, em geral, não se alcança nem mesmo o nível pagão. A sociedade pagã é capaz de aceitar e defender o diferente, mas a igreja não é. E enquanto este "pequeno detalhe" for assim, os cristãos não terão o respeito da humanidade, posto que até os bárbaros os superem no trato de uns para com os outros
.

A meu ver, no dia em que prevalecer o modelo do Caminho, conforme Jesus no Evangelho, a vida vai arrebentar em flores e frutos entre nós e no mundo a nossa volta; e as pessoas serão sempre muito mais humanas e sadias.

Mas jamais antes desse dia! E nisto posso dizer que profetizo sobre a certeza das certezas, pois é conforme a Palavra de Jesus.

Porque, se continuar a prevalecer o modelo de "igreja" tal qual aqui tem sido denunciado, jamais se terá nada além do que se teve nesses últimos dois mil anos... Nada diferente disso!


E para isto... para esta coisa, não tenho mais nenhuma energia para doar. Mas para a vida como caminho ofereço meu coração mais jovem do que nunca!


|O Caminho da Graça para Todos|

O Evangelho nas Escrituras e as Escrituras no Evangelho

Jesus, a Chave que abre as Escrituras

"Cristo é o Mestre, as Escrituras são apenas o servo. A verdadeira prova a submeter todos os Livros é ver se eles operam a vontade de Cristo ou não. Nenhum Livro que não prega Cristo pode ser apostólico, muito embora sejam Pedro ou Paulo seu autor. E nenhum Livro que prega a Cristo pode deixar de ser apostólico, sejam seus autores Judas, Ananias, Pilatos ou Herodes"
Martinho Lutero


Os evangelhos são narrativas históricas das ações e acontecimentos relacionados a Jesus, bem como de Suas Palavras. O Evangelho, todavia, é um espírito. Os evangelhos são o corpo. O Evangelho é o espírito no corpo.

Para muitos, os evangelhos são apenas narrativas. Para outros, eles são palavras inspiradas. Para muito mais gente ainda, eles são apenas palavras mágicas. E para a maioria, eles são somente os quatro primeiros livros do Novo Testamento, sendo, portanto, parte da Bíblia Sagrada.

Todavia, o Evangelho é espírito e vida. Deus é espírito, e, portanto, Suas palavras são espírito e vida, pois carregam o poder da Verdade Absoluta e produz vida onde quer que cheguem.

Para melhor entender, suponha que os evangelhos não tivessem sido escritos. Decerto, sabemos que ainda assim, haveria um Evangelho a ser anunciado até os confins da Terra como Boa Notícia, visto ser o Evangelho um espírito, e não um livro.

Assim, o espírito do Evangelho é só uma forma de expressar-se acerca da Essência da Palavra. É a Plenitude da Revelação. Trata-se da forma de interpretação bíblica que olha para Jesus Cristo como a Chave Hermenêutica dessa Revelação.

De modo algum se está dizendo aqui que só Jesus interessa na Bíblia, mas, por outro lado, nada interessa senão a partir Dele e nada é Palavra de Deus se não for compatível com Ele, por mais 'bíblico' e 'teológico' que seja!

Leio a Bíblia a partir de Jesus e não Jesus a partir da Bíblia. Assim, meus livros não são considerados "teológicos" pelos teólogos, posto que nesses escritos raramente haja uma designação hermenêutica teologicamente aceitável; e nem tampouco há neles sistematizações que busquem o fechamento lógico de qualquer pacote de pensamento.

Isso porque creio que Jesus – que é Deus Manifesto entre nós - abre as Escrituras para nós. Cristo é a síntese das Escrituras e o Espírito da Graça é o agente hermenêutico que me aproxima do texto com a fé de que encontrarei a Palavra.

É a partir daí, então, que se interpreta a Antiga Aliança, os Profetas e todo o Novo Testamento. Isso porque Ele é a Palavra! A Encarnação Absoluta Dela, o Verbo Vivo de Deus, cheio de Graça e Verdade! E as próprias palavras de Jesus só podem ser entendidas se tiverem sua concreção no Evangelho vivido por Jesus de Nazaré.

Veja o livro de Atos dos Apóstolos: é um livro de atos, de ações. Mas sabemos que os únicos atos absolutos e irretocáveis feitos na Terra são os Atos de Jesus. Portanto, há Evangelho em Atos, mas o Atos não é o Evangelho. Digo isto porque se os critérios de Jesus forem aplicados aos atos dos apóstolos, os próprios apóstolos serão sempre relativizados.

Quando lemos o Atos, não se lê o Evangelho da Graça — esse só está plenificado em Jesus —, mas a tentativa humana de começar a viver conforme a fé em Jesus. E, em tal processo, há acertos, erros, equívocos, ação do Espírito, infantilidades, ambigüidades, milagres, diferenças, medos, ousadias, coragem maravilhosas, dúvidas atrozes, e todas as demais coisas concernentes aos homens que vivem no Caminho. Assim, o livro dos Atos Apostólicos é um livro de história, e não quer ser visto como o Evangelho.

A tentativa infantil de dizer que a igreja é o Corpo de Cristo - e logo, Cristo estava agindo como antes agira, só que agora em Seu Corpo Comunitário - é bela, mas não é verdadeira como valor absoluto. O Pedro que recebeu a revelação é o mesmo que recebeu a repreensão: Arreda, Satanás (Mt 16).

Em Jesus está toda a revelação e toda a referência para se julgar e entender o que quer que pretenda ser canônico. Onde o 'espírito do Evangelho' está presente, aí há o que levar para a alma e para a vida. No mais, vejo registros históricos da infância da fé e da consciência permeando toda a Escritura.

O exercício não é difícil: Basta olhar para Jesus, fazendo um caminho de observação. Deve-se perguntar: Qual o significado das falas e dos ensinos de Jesus para o próprio Jesus? E a resposta é uma só: Veja como Ele tratou a vida, a religião, os políticos, os pobres, os ricos, os doentes, os párias, os segregados, os esquecidos, os seres proibidos, os publicanos, as meretrizes, os santarrões, e tudo e todos. Conferindo uma coisa com a outra, ficamos livres da construção de dois seres irreconciliáveis: o Jesus que viveu cheio de amor e graça e o Jesus que ensinou coisas que só os intérpretes autorizados conseguem "captar".

Desse modo, então, não se faz jamais uma interpretação textual que não coincida com o comportamento e com a atitude de Jesus na dinâmica de seus movimentos e encontros narrados.

Assim, eu confiro tudo com o espírito de Jesus, conforme o Evangelho. Só assim Jesus não fica esquizofrênico ante os nossos sentidos: o que Ele disse, Ele viveu; e o que Ele viveu, é o que Ele disse.

"Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e Nele estão TODOS os tesouros da sabedoria e do conhecimento."

"Ele é o resplendor da glória do Pai e a expressão EXATA do Seu Ser, sustentando todas as coisas pela Palavra de Seu poder!"

Olhe para Ele, e tudo fica interpretado! O resto, irmãos, é invenção de quem não quer lidar com gente e prefere lidar com letras.


E a leitura do Antigo Testamento?

"Eis aí vêm dias... em que firmarei Nova Aliança...: Na mente (não mais em tábuas), lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, eles serão o meu povo (...) Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei."
Grito do Profeta Jeremias – 31. 31-34


Após tais exercícios devocionais sob o Novo Testamento, muitos me endereçam questões de perplexidade e confusão relacionadas aos conteúdos do Velho Testamento.

Mas estou certo de que esse conflito nem Paulo e nem o escritor de Hebreus tinham, por exemplo. Digo isto porque Paulo recorre ao Antigo Testamento, aos salmos, e aos profetas, a fim de mostrar que aquela "Fase Humana" havia ficado sepultada em Jesus; e que, conforme as mesmas Escrituras, em Cristo começaria uma nova consciência, não como mandamentos de exterioridades, mas como percepção fundada no amor, na justiça e na verdade — tudo isto inscrito e gravado no coração.

Paulo também diz que a Lei foi dada, e com ela as causalidades e seus efeitos, a fim de que se avultasse (exagerasse) a consciência do pecado em nós. O próprio Paulo revelou que a Lei era parte da infância da consciência, como já nos referimos aqui, pois nos servia de guia, de servo que pega e leva para a escola — embora, agora, já andando no Caminho pela fé, ele diga que já não se precisa mais da Lei-Babá.

Além disso, toda a argumentação do apóstolo acerca da justificação pela fé conforme o dom da Graça se fundamentava nas declarações dos salmos e dos profetas; bem como, além do que estava declarado abertamente nos Textos, Paulo interpretava também o que estava apenas implícito na leitura — e ele faz isso lendo a Escritura a partir de Jesus, e não Jesus a partir da Escritura.

Isto porque Paulo lia o Velho Testamento a partir da consciência adquirida em Jesus. Ou seja: Jesus era a "Chave Hermenêutica" de Paulo, e partir dessa Chave, Paulo interpreta Abraão, Sara e Hagar, Ismael e Isaque, Esaú e Jacó e outros — sempre com o propósito de mostrar como Jesus era o cumprimento de todas as coisas.

E foi também a partir da mesma "Chave Hermenêutica" que o escritor de Hebreus interpretou os cerimoniais e os ritos descritos nos Livros da Lei, discernindo seus símbolos, utensílios e arquiteturas.

A carta aos Hebreus chega ao ponto de dizer que Jesus era maior do que Moisés, e maior do que tudo no Velho Testamento; chamando o que era pertinente à Velha Aliança de coisa obsoleta e sem utilidade, "antiquada, envelhecida e prestes a desaparecer". Hoje, ele diria que a Velha Aliança era chamada "velha", dado seu prazo de validade vencido.

Assim, o que se tem no Velho Testamento, na Antiga Aliança é o seguinte:

  1. A justificação pela fé, mediante a qual todos foram justificados, de Adão a João Batista. Hebreus 11 declara isto. E isso embora as pessoas vivessem sob "o regime da lei", conforme Paulo. A justificação, entretanto, segundo Hebreus e Paulo (em todas as suas cartas), sempre aconteceu pela fé, e nunca pela Lei. Esta é, afinal, a tese de Paulo em Romanos e Gálatas; em especial.

  2. A busca humana de se justificar pela Lei; pois, estava dito que aquele que desejasse se justificar pela Lei, esse teria que cumpri-la toda. E Jesus, dando continuidade aos profetas, deixou claro que tal obediência à Lei deveria ser por dentro e por fora. Mas é Davi quem diz: "Se observares iniqüidade, quem, Senhor, subsistirá?" Para então também declarar: "Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniqüidade".

  3. A declaração, especialmente fundada no Livro de Jó, de que as calamidades da vida não são absolutas quanto a determinar o juízo de Deus sobre os homens. E Jó é a prova disso. Normalmente, todo homem acaba colhendo o que planta, mesmo que isto não chegue com cara de calamidade. Muitas vezes, somente a própria pessoa sente as conseqüências. Entretanto, conforme Jó e o Eclesiastes, as calamidades não nos vêm como aplicativo absoluto de uma Lei de Causa e Efeito; e, menos ainda, têm elas o poder de justiça; pois, muitas vezes, é o homem inocente de certos males aquele que recebe as suas conseqüências; e, outras vezes, aquele que faz algo que deveria trazer um efeito negativo equivalente ao mau-causa praticado, aparentemente, sai ileso. E o que ninguém sabe é o tamanho do desmonte na alma desse ser; pois, quando não vem como mal externo (calamidade), sempre vem como mal interno (medo, solidão, angústia, designificação existencial, amargura, sofreguidão do ódio, desespero da morte, etc.).

  4. O que não há no Velho Testamento é justificação sem Sangue. Na Antiga Aliança, a própria Lei foi sancionada com derramamento de sangue; conforme o primeiro rito de "vestimenta espiritual" praticado "por Deus" no Gênesis, quando cobriu o homem e sua mulher com as peles de um animal morto para vesti-los.


Assim, meus irmãos, no Antigo Testamento, nós tanto temos a manifestação da devoção humana de forma primitiva; assim como temos a linha mestra de indicação do Caminho, e que é uma linha carregada de sangue de bodes e de touros; até que chegou o Cordeiro, que já havia sido imolado desde antes da fundação do mundo (portanto, infinitamente anterior à Lei); e, Nele, toda a Lei — tanto os mandamentos de conduta individual e social (10 mandamentos; por exemplo) como também as leis e ritos cerimoniais — foram cumpridos; e, com isto, tudo o mais se torna obsoleto, visto que o que agora prevalece explícita e encarnadamente é o Evangelho da Nova Aliança; e Nele, a obediência é conseqüência da fé que nasce do Amor que nos amou primeiro e que se entregou por nós.

Para os que ainda são da Lei, a emoção prevalente como "motor da obediência" é o medo. Já no Caminho do Evangelho nada tem sentido se não for o amor e a gratidão aquilo que movem o ser.

Por último, quero dizer que, na existência, existe causa e efeito em tudo (na justiça legal, nas leis naturais, nas leis econômicas, nas leis físicas, nas leis relacionais, nas leis conjugais, nas leis negociais, etc.) — menos no que tange à salvação em Cristo, conforme o Evangelho.

No Evangelho, a Lei fica para o Estado na regulamentação dos vínculos sociais (Romanos 13). Mas ela, a Lei, nada tem a ver com a justiça de Deus para salvação, que salva até o condenado pela lei como fez com o ladrão ao lado de Cristo.

Assim, no tempo Antigo, temos gente tentando viver pela Lei, com toda sinceridade; temos gente fazendo de conta que guardava a Lei, com toda falsidade; e temos gente que vivia sob a Lei por fé e esperança num Amor Maior – que os absolvesse dos rigores da própria Lei que os expôs como transgressores.

Quem se dedicar a leitura atenta dos evangelhos e das inúmeras afirmações de Paulo em suas cartas, mas em especial Romanos de 9 a 11, saberá que a finalidade da Lei é Cristo.


Jesus, a chave que abre o coração

"Perguntou-Lhe Pilatos: O que é a verdade?"

Ora, conquanto Jesus seja também uma informação histórica — afinal Ele existiu, e nós não estávamos lá quando isto aconteceu; razão pela qual dependemos completamente das descrições que os evangelhos fazem de Jesus a fim de melhor discernir seu espírito —, no entanto, o discernimento de Quem Ele era, só acontece como revelação de Deus no coração.

A Verdade não existe como Explicação, mas tão somente como Encarnação. A Verdade se fez carne! É Alguém. A Verdade é uma Pessoa! Por isso, a Verdade só pode ser vivida, não pensada. Todo pensamento acerca dela decorre da experiência. A Verdade não é objeto de prosa... O Jesus do Evangelho não é para ser aceito, mas para ser conhecido. A Verdade que vejo em Jesus — Encarnada Nele — eu mesmo tenho que conhecer na minha própria encarnação, que é o único estado de existência que eu tive até hoje.

Foi assim com Pedro. Ele conheceu a Verdade em Jesus, e teve que experimentá-la em si mesmo. E, provavelmente, o dia no qual ele negou a Jesus, tenha sido um dia de muito mais verdade que a noite da Transfiguração.

Portanto, é preciso que cada um conheça Jesus e Sua Palavra, para si mesmo. É preciso que cada um aprenda a Ter sua própria consciência em fé, a fim de viver a Palavra por si mesmo.

Em resumo, a Encarnação é a chave hermenêutica do conhecimento bíblico, mas essa chave tem que abrir antes o meu coração. E isto só acontece no encontro entre a Verdade e a Vida.

Ora, tal encontro só se dá no Caminho, e é a isso que chamamos Consciência do Evangelho. Por isso, aproveito-me deste trabalho para propor um exercício pessoal libertador:

  • Quero convidá-lo a pegar os evangelhos e relê-los como se fosse a primeira vez, e faça-o como se nunca tivesse ouvido nenhuma interpretação deles. Pois, assim fazendo, você logo saberá que o que eu digo é apenas uma Nova Repetição do que não muda nunca, pois quando se tenta mudá-lo, nunca é para o bem, pois, trata-se daquilo que é eterno: o Evangelho.


A necessidade de escrever a mensagem de Jesus veio do afastamento cada vez maior da sua fonte histórica - o próprio Jesus de Nazaré (Lucas 1:1-4; João 20:30-31). Em meados de 70 D.C., já não vivia a quase totalidade das "testemunhas oculares" do Senhor ressuscitado (Lucas 1:2; 1 Cor 15:3-8). Esse distanciamento cronológico entre Jesus e as comunidades só poderia ser vencido pela palavra escrita. E assim se formaram as duas grandes coleções ou "corpus" das Cartas de Paulo e dos Evangelhos.

  • Depois, eu gostaria de enfatizar a necessidade de ler o Novo Testamento na ordem cronológica da mais provável seqüência de sua produção: 1ª. e 2ª. Tessalonicenses; Gálatas, Efésios, 1ª. e 2ª. Coríntios, e Romanos; Colossenses, Filemom; Filipenses, 1ª. e 2ª. Timóteo e Tito; 1ª. Pedro; Marcos; Mateus; Hebreus; Lucas; Atos; Tiago, Judas 1ª.,2ª. e 3ª. João; o evangelho de João, 2ª. Pedro; e Apocalipse.


Como alerta, devo dizer que o primeiro inimigo a ser vencido no estudo bíblico é o pré-condicionamento na interpretação.

Então, meu querido, soda cáustica na cabeça, uma boa chacoalhada, limpeza, e início de leitura pessoal e aberta para a Palavra e para o Espírito. Então você verá que começará a surgir o Jesus real das páginas dos evangelhos! Experimente!


Que a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos.


Caio

O caminho da experiência comunitária, segundo Jesus

O termo Ekklesia sintetiza de forma impressionante o ser Igreja de Jesus: São os chamados para fora. No entanto, na história cristã preponderou o caminho inverso que torna os discípulos em gente 'chamada para dentro', chamada para deixar o mundo, para só considerarem 'irmãos' os membros do 'clube santo' e a não buscarem relacionamentos fora de tal ambiente.

Mas, lendo o Evangelho, é difícil conceber que Jesus sonhasse com aquilo que depois nós chamamos de "igreja".

Quem pode ouvir o ensino de Jesus, com toda sua desinstalação, com toda a sua mobilidade, com toda ênfase na igualdade de todos, com toda denúncia aos poderes religiosos, e com toda a pertinência à vida — fosse para curar a mente, o corpo ou o espírito; fosse para anunciar a destruição do Templo como lugar de Deus; fosse para "beatificar" samaritanos e "demonizar" religiosos sem coração —; e, ainda assim, imaginar que Jesus tenha qualquer coisa a ver com o que nós chamamos de "igreja", seja aquela que se abriga em Roma ou sejam aquelas que têm tantas sedes quantos pastores, bispos e apóstolos megalomaníacos existirem?

Não se vê Jesus tentando criar uma comunidade fixa e fechada, como também não percebo, em Seu espírito, qualquer interesse nesse tipo de reclusão comunitária.

Por isso, o termo igreja perdeu seu significado original, e, pelo uso milenarmente pervertido, a expressão já não é útil para designar a jornada individual e comunitária dos discípulos de Jesus. De fato, a idéia de igreja ficou tão possessa de outros significados que usar o termo fala da antítese do que se desejaria expressar, conforme o Evangelho.

Jesus não plantou igreja em nenhum chão que não fosse o do coração das pessoas!

Igreja, de acordo com Jesus, é comunhão de dois ou três em Seu Nome e em qualquer lugar. Igreja, de acordo com Jesus, é algo que acontece como encontro com Deus, com o próximo e com a vida, no caminho do Caminho.

Para Jesus, o lugar onde melhor e mais propriamente se deve buscar o discípulo é nas portas do inferno, no meio do mundo!

Nesse Caminho, as maiores demonstrações de fé vêm de fora da religião. Vêm de publicanos como Zaqueu e meretrizes como a pecadora que ungiu Seus pés. Vem da mulher samaritana, do centurião romano, da mulher sírio-fenícia e do ladrão da Cruz. Percebe-se que tanto "malandros arrependidos" quanto "réus confessos" podem encontrar seu repouso.

Portanto, Seus discípulos são treinados a espalhar sementes, a salgar, a levar amor, a caminhar em bondade, e a sobreviver com dignidade no caminho, com todos os seus perigos e possibilidades em aberto (Lucas 10). Com demônios, tempestades, competições entre si, certezas satânicas, exageros desnecessários, medo de trair, frágeis certezas de jamais trair, traição explícita, negação e morte!

E, além disso, tudo, vê-se que no Caminho com Ele, os ventos cessam, as ondas se abrandam, as Leis do Universo são relativizadas, os demônios sabem quem Ele é e quem nós somos Nele!

Jesus é o Caminho em movimento nos caminhos da existência. E Seus discípulos são acompanhantes sem hierarquia entre eles. No mais, existem as multidões, as quais Jesus organiza apenas uma vez, e isto a fim de multiplicar pães. De resto... Elas vêm e vão... Ficam ou não... Voltam ou nunca mais aparecem... Gostam ou se escandalizam... Maravilham-se ou acham duro o discurso... Mas Jesus nada faz para mudar isso. Ele apenas segue e ensina a Palavra, enquanto cura os que encontra.

Não! Jesus não pretendia que Seus discípulos fossem mais irmãos uns dos outros do que de todos os homens.

Não! Jesus não esperava que o sal da terra se confinasse a quatro dignas paredes de um Saleiro Comunitário.

Não! Jesus não deseja tirar ninguém do mundo, da vida, da sociedade, da terra... Mas apenas deseja que sejamos livres do mal.

Não! Jesus não disse "Eu sou o Clube, a Doutrina e a Igreja; e ninguém vem ao Pai senão por mim".

Assim, na assembléia dos chamados para fora, todos se encontram com o irmão de fé e também com o próximo que não tem fé, mas são tratados com amor e simplicidade.

Em Jesus, o discípulo é apenas um homem que ganhou o entendimento do Reino e vive como seu cidadão, não numa 'comunidade paralela', mas no mundo real.


A COMUNIDADE DOS "DO CAMINHO"

No livro de Atos dos Apóstolos, um dos modos de designar a Igreja como comunidade dos discípulos era chamá-la de "o Caminho", e os discípulos, de "os do Caminho". Portanto, tal designação é anterior ao tempo em que os cristãos vieram a ser "oficialmente" nomeados "cristãos".

Paulo é o apóstolo em razão de quem essa designação de "o Caminho" mais aparece em Atos. No início, ele perseguia "os do Caminho"; ou, como ele também diz, "... para levar presos os que eram do Caminho", ou ainda "... este Caminho, ao qual chamais de seita...".

Ora, a designação "o Caminho" é, no meu modo de ver, aquela que melhor expressa o espírito do Evangelho como movimento humano no mundo. E por quê?

Primeiro, porque Jesus é o Caminho.

Segundo, porque o chamado da fé é "hebreu", e ser hebreu é ser alguém do caminho, da viagem, da peregrinação, como foi Abraão, o hebreu – o Pai da Fé. "Hebreu" vem da raiz da palavra que expressa o ato de cruzar, de atravessar, de seguir em frente.

E terceiro, porque, historicamente, um dos maiores problemas da Igreja foi o fato de que ela deixou o mundo e, assim, deixou de ser Caminho no chão da Terra.

Por conta disso, logo a palavra "igreja" passou a designar algo geográfico, fixo, estático e imutável, e perdeu assim sua vocação caminhante e, por essa via, tornou-se cada vez mais uma estrutura que vive de sua própria institucionalização.

No entanto, a designação "o Caminho" propõe que a Igreja seja a comunidade dos que se reúnem para adorar, discernir a Palavra e ajudar-se mutuamente, mas que não se fecham num ambiente e nem chamam o ambiente físico de "Igreja", posto que Igreja, de fato, é um movimento de discípulos que andam no Caminho enquanto trilham a Fé no chão desse mundo, como gente boa de Deus na Terra!

Portanto, a referência paulina aos "do Caminho" é, provavelmente, a melhor designação para traduzir o espírito livre, desinstalado, peregrino, ajustável aos tempos e aos desafios da jornada que o Evangelho propõe aos discípulos de Jesus.

O Caminho em Cristo, conforme as narrativas dos evangelhos, é mais que um lugar ou um "clube de iluminados". Trata-se de um movimento de subversão existencial do Reino de Deus na Terra.

Por esta razão, o Caminho da Graça é feito de gente desafiada a assumir seu papel de sal que se dissolve e some para poder salgar; de fermento que se imiscui na massa e desaparece a fim de subverter com a vida do reino; de pequena semente que se torna grande e generosa árvore que a todos acolhe; de Casa do Pai para os Filhos Pródigos e também para os Irmãos Mais Velhos para que se alegrem com a Graça do Perdão; e um ambiente espiritual no qual até o "administrador infiel" possa se "consertar", e, assim, tentar fazer o melhor do que restou.

No Caminho, todos são irmãos e ninguém é juiz do outro. Assim, ajudam-se, mas não se esmagam uns aos outros, posto que no Caminho todos caem e se levantam; todos se enfraquecem, mas não desanimam; todos são humanos, e, com humanidade são tratados, conforme o Dogma do Amor.

E o mesmo Dogma não permite abusos de uns para com os outros, posto que o Caminho é de Graça e Perdão; e não a espinhenta vereda da disputa, da supremacia e do abuso; pois a Graça jamais será a Graxa dos descomprometidos!

Jesus nunca quis fundar uma religião. Essa foi a razão pela qual nada foi mais danoso para a genuína fé do que terem-na feito tornar-se uma religião entre as demais.

Seguir Jesus é aceitar o seu modo de ser, é assumir como vida as Suas palavras e é dar testemunho do Evangelho não como uma "estratégia de evangelização" (proselitismo e marketing), mas como a natural vocação da Vida em Cristo.


O MODELO DO CAMINHO

O que será, então, que o Senhor tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do Alto fossem revestidos de poder (Atos 1.4)?

Jesus determinara que o poder do Espírito os fizesse sair em desassombro pelo mundo, pregando a Palavra da Boa Nova, ensinando singelamente os discípulos a serem de Jesus em suas próprias casas e culturas.

Desse modo, se teria sempre um movimento hebreu, crescente, progressivo, livre, guiado pelo Espírito, e completamente semelhante ao que eles haviam vivido com Jesus durante o Caminho, naqueles três anos de estrada que construíram o Evangelho ao ar livre, nas praias da Galiléia, nos desertos da Judéia, nas passagens por Samaria, nas terras de Decápolis, e nos confins da Terra.

Tudo o que Jesus queria era que os discípulos continuassem discípulos, e que os apóstolos fossem os servos de todos; sem haver nem alguém maior, e muito menos, um lugar mais santo ou um centro de poder.

O que sei é que Jesus esperava que tudo quanto Ele havia dito antes acerca de como se deveria proceder, de cidade em cidade, fosse agora vivido como uma ação contínua, num fluxo ininterrupto, num vai e vem constante, e como um poder que nunca tivesse um trono, nem uma cidade santa, nem um vaticano.

Alguém, com razão, diria que tal projeto não seria possível, visto que ninguém consegue viver sem um centro de poder. Entretanto, parece que ainda não se discerniu que o convite de Jesus é contrário a toda lógica de poder, e não propõe nada que não seja Hoje, e que não obriga ninguém a pavimentar o futuro de Deus na Terra mediante a construção de alguma coisa duradoura.

O que os cristãos precisam saber é que Jesus não era cristão, e que nem tampouco quis Ele fundar o Cristianismo, nem mesmo teve interesse em algo que se assemelhasse à "civilização cristã", conforme nós a conhecemos de 332 de nossa era até hoje.

Na realidade, quem entendeu o Evangelho e seu significado sabe que o "cristianismo" se tornou uma perversão da proposta de Cristo, transformando o Evangelho puro e simples numa religião, com dogmas, doutrinas, usos, costumes, tradições imutáveis e muita barganha com os homens, em franca e pagã manipulação do nome de Deus. Um ateu famoso não está errado ao afirmar o óbvio: "A religião agrava e exacerba os conflitos humanos, muito mais do que o tribalismo, o racismo ou a política." (Sam Harris – Carta a uma Nação Cristã).

O poder dos discípulos, paradoxalmente, está em não ter poder. E o convite, para que se morra a fim que se tenha vida, é também para a igreja, que é ansiosa para mandar na vida e controlar o mundo. Assim, pretendendo "salvar" a sua vida neste mundo, a igreja não só perde a sua própria vida, mas deixa de ganhar o mundo.

Para Jesus, o duradouro era justamente aquilo que não se poderia pegar, nem fixar, nem pontuar, nem ser objeto de visitas turísticas, dada a permanência sucessiva do arbítrio caracterizado pelo cheiro da urinas dos mandões.

O que Jesus queria era uma multidão de seres-sal-e-luz se espalhando pela terra, e, se diluindo em sabores e luzes que só seriam sentidas, mas jamais se tornando em Salinas ou em Usinas de luz cristã, a serem visitadas pelos curiosos.

Ele esperava que os discípulos fossem como o Mestre, e que aqueles anos de Caminho não ficassem cristalizados nas páginas dos registros dos evangelhos, mas que se tornassem um modo de ser daqueles que O seguem.

Já o Reino de Deus é como o fermento escondido... Até que invade e permeia toda a massa da humanidade... Sem ninguém saber como! E sem que ninguém possa dar glória a mais ninguém, senão ao Pai que está nos céus.

Aliás, a proposta de Jesus é tão extraordinária que a vontade de aparecer não pode resisti-la. O sal, por exemplo, foi usado por Jesus como ilustração desse 'desaparecimento' da Igreja na terra. Ele associa o sal ao sabor, e nada mais. O sal tem que ter sabor, senão já não presta para nada! E para que o sal salgue e dê sabor, de fato, ele tem que se dissolver nos elementos que recebem o seu benefício. O sal só salga quando morre como sal visível e se torna apenas gosto, presença, tempero, realidade e bem, embora ninguém possa dizer onde ele está, podendo apenas dizer: Ele está na panela. Mas onde?

Já a Luz do mundo — "vós sois!" — deveria ser a ação contínua da bondade e da misericórdia; de tal modo que os "de fora", ao receberem os benefícios da luz, pudessem discerni-la como boas obras, e assim, eles mesmos, agradecessem a Deus pelos filhos da misericórdia que Ele espalhou pela terra.

Entretanto, o que Jesus propõe, como simplicidade total, logo deu lugar às complexidades regimentais e aos centros de poder. Mesmo dizendo "tal não é entre vós"— referindo-se ao poder de governar dos reis e autoridades —, o que se criou desde bem logo foi aquilo que era comum, não o que era completamente incomum.

No cristianismo, Deus tem Seus representantes fixos e certos na terra—o clero, seja ele católico ou protestante—, tem suas doutrinas e dogmas escritos por concílios de homens patrocinados por reis e tem na sabedoria deste mundo seu instrumento de elaboração lógica de Deus: a teologia.

Desse modo, no cristianismo, "Deus" não passa de uma 'potestade religiosa' e de um poder mantido pelos homens, posto que se acredita que sem o cristianismo, Deus está perdido no mundo.

O mundo conheceu o Cristianismo, mas não teve muita chance de conhecer o Evangelho conforme Jesus e segundo as dinâmicas livres e libertadoras do Caminho, narradas nos evangelhos, nas quais o único convite que existe é para "seguir" Jesus.

O Brasil, por exemplo, está cheio de Cristianismo, e, paradoxalmente, quase morto do Evangelho.


O CAMINHO NÃO É UMA REFORMA!

Mas e a Reforma? Para que serviu, então? Qual o fruto dela hoje? Diante do exposto, talvez não seja a hora de propor uma Nova Reforma, tal quais alguns têm idealizado?

Não! Reformar a religião é ainda "remendo de pano novo em veste velha"! Buscar reformar o cristianismo nada muda, visto que apenas se adia o comprometimento radical que o Evangelho requer!

O Evangelho não propõe uma religião, mas um Caminho Existencial!

A Reforma Protestante elegeu 95 teses; arrancou os ídolos do lugar do culto, e os retirou da devoção dos fiéis; aboliu o papado, acabou com boa parte do clero conforme a formatação católica, e afirmou que a Graça, Cristo, a Escritura e a Fé eram os 'pilares' sobre os quais a igreja deveria ter seus fundamentos. No entanto, a Reforma seguiu se utilizando dos mesmos métodos de estudo e interpretação bíblica, criando seus próprios credos, dogmas, doutrinas e leis morais. A Reforma tornou-se num Catolicismo que fez Dieta.

De fato, a coragem que se demanda desta geração é bem maior do que aquela que levou camponeses oprimidos pelo papado de Roma à Reforma Protestante. Digo isto porque, naquele caso, a mudança não era radical. O Evangelho permaneceu 'aprisionado' à Religião; e a coragem revolucionária para se viver o processo contínuo de conversão e de não-conformação com este mundo é aquela que se deixa levar pelo vento do Espírito e caminha pela Fé em contínuo processo de transformação.


|O Caminho da Graça para Todos|

Não venha pro Caminho com espírito de fariseu: filho de Zeus!

Há muita "igreja Evangélica" disponível e para todos os gostos; exceto para quem tem bom gosto e deseja sentir o simples gosto do Evangelho.

Portanto, fica aqui um pedido: quem for ou tiver sido "evangélico", ou tiver tido "trauma evangélico" e tenha ficado amargurado, crítico, desconfiado, e cínico, não procure o "Caminho da Graça"; pois, não temos tempo a perder com gente que deseja "Reformar o Sinédrio Evangélico" e pensa que esta é nossa intenção; e não é.

"Reformar o Sinédrio Evangélico" é sonho de fariseu; sonho esse que Jesus nunca sonhou; por isto mesmo nada fez a respeito!

Tenho dito que é mais fácil haver uma "reforma na igreja católica", em razão de sua centralização e identificabilidade histórica, do que entre os "amorfos-evangélicos", que são como uma Hídra de muitas cabeças-loucas; e que sofrem da Síndrome de Babel: não falam em "outras línguas as grandezas de Deus" (Pentecoste), mas sim "suas próprias linguas"; e é apenas para expressar seu descontentamento essencial com a vida e com tudo. Esses falam a "língua" que Tiago disse que está "inflamada pelo inferno" e que tem o poder de "destruir toda a carreira de um ser humano"; sem falar que de tais "línguas ambíguas", tanto jorra o que é "doce" (como média; na minha presença), como também o que é "amargoso" (sempre na minha ausência).

Por esta razão, a esses eu digo: "Amigos! Obrigado pela sua ajuda, mas eu passo..."

Além disso, quando iniciei com alguns amigos o "Caminho da Graça", não foi como "alternativa" aos "evangélicos". Na realidade não foi e não é. Jamais faria ou começaria algo "alternativo". Não conheço "Evangelho Alternativo", mas tão somente o Evangelho Único e Absoluto. "Evangelho Alternativo" é o que Paulo chama de "outro evangelho". Nesse caso, é o "evangelho-evangélico" aquilo que, hereticamente, se tornou "alternativo" ao Evangelho Único e Absoluto.

De fato, toda vez que aparece um "evangélico" magoado no "Caminho da Graça", me dá calafrios; pois sei que é problema sempre. Sim, porque para eles somos de-mais ou de-menos. O fato é que gostariam que fôssemos um híbrido conforme os desejos deles. Porém, não somos e nem seremos.

O fato é que não tenho barganhas a fazer com os "evangélicos". Assim, peço: desistam de mim; pois não tenho como fazer mais parte desse "negócio".

Portanto, quem não crê conforme tenho deixado claro que cremos, não venha (é simples assim...); pois não há como tal pessoa possa nos ajudar e nem nós a ela; visto que ela mesma não se ajuda; e chega viciada naquilo que entre nós já está morto e sepultado em Cristo. Nós, todavia, queremos viver daquilo que carrega o espírito da Ressurreição!

Assim, não temos nada a fazer com o fermento dos fariseus (religião das máscaras) e nem com o de Herodes (política e manipulação)!

E mais: Me sinto ridículo se tiver que convencer "evangelicos" acerca do Evangelho depois de haver pregado a eles por décadas!

O que eu tinha a dizer aos "evangélicos", eu sei que já disse!

O "Caminho da Graça" é para gente do Caminho de Jesus e que está buscando de modo social e comunitário aquilo que já crê de modo individual e existencial.

Desse modo, o "Caminho da Graça" não é para gente que precisa ser "convencida" de que lá-aqui é o seu lugar-andante...

Isto porque há aqueles que chegam por razões as mais diversas, e nem sempre sadias ou sinceras. Alguns vêm porque têm no espírito a necessidade de somente ficarem se forem "convencidos" (Alguém viu Jesus tentando convencer quem quer que fosse a andar com Ele?). Outros aparecem porque gostam de provocar discussões e debates que para "os do Caminho" já não existem. Há também os não têm o que fazer... e gostam de uma novidade e de um novo programa religioso. Sem falar nos que chegam porque desejam "reformar" o "Caminho da Graça" a fim de que ele fique no limbo: entre os "evangélicos" e o Evangelho... Ou seja: sem consequências para a vida!

São estas as razões pelas quais eu peço para lerem o site; pois o que cremos está lá explicitado com a clareza da luz!

Portanto, quem desejar se unir a uma Estação do "Caminho da Graça", ou deve chegar lá já bem instruído pela leitura do site, no qual somente um demente não vê que todo o conteúdo é o espírito do Evangelho (até os que não gostam de mim confessam isto!) —; ou, então, deve ser alguém que já não tem dúvidas do que quer, no caso de ter sido "evangélico"; e isto por já ter a Palavra em-si-mesmo; e não apenas porque cultue um livro chamado Bíblia, porém sem nada ter discernido da Palavra. Afinal, a própria Bíblia não é argumento de união no Caminho, pois seu único vínculo e vinculador é Jesus e Seu Evangelho.

Se a "Bíblia" unisse alguém, os "evangélicos", pelo seu culto ao Livro, seriam as pessoas mais unidas da Terra. A Bíblia, porém, sem Jesus, é apenas o Livro das Divisões. Sim, sem que Jesus seja a "chave hermenêutica" para a compreensão do Evangelho, a Bíblia serve apenas para criar mais e mais seitas supostamente fiéis a ela.

Por isto, digo: ... é melhor não chegarem...; sim, é melhor ficarem onde estão; pois, de fato, não temos tempo a perder fazendo "proselitismo" de crentes-fariseus que nem crêem; e que também nem querem simplismente ouvir, discernir e entender; primeiro para si mesmos, para que a Boa Nova lhes faça bem à vida; e somente depois para os que deles vierem a ouvir qualquer coisa.

Na realidade, as pessoas que mais têm o poder de problematizar a jornada simples do "Caminho da Graça" são os judaizantes-evangélicos; ou mesmo aqueles que aprendem, aprendem, mas jamais chegam ao conhecimento da verdade; posto que estão viciados em discussões infrutíferas e que a nada levam!

Também quero dizer que o "Caminho da Graça" não é lugar para quem busca "moda". Não! Ele é apenas um caminho-modo-de-ser, e isto conforme o Evangelho puro e simples.

"Moda" é coisa de "evangélico"; os quais, à semelhança dos atenienses, de nada mais cuidam senão de "saber das últimas novidades". No caso, das últimas "apostoladas evangélicas". Lá não tem nada disso. O "Caminho da Graça" não tem nada novo, mas tão somente o antigo-novo mandamento ensinado por Jesus.

Aqui quero dar uma ilustração de como "modismos evangélicos" podem ser perniciosos; e, em tal caso, nem sempre a culpa é dos pastores; mas sim de um povo "sem pastor" e que se acostumou a viver como borboletas que não sugam nectar, mas tão somente críticas e amarguras.

Tomemos a cidade de São Paulo como exemplo desse afã modista-evangélico. Logo após de ter crido em Jesus, uns quatro anos depois disso, a "igreja da moda" em Sampa era a do Tio Cássio. Depois veio a "Comunidade da Graça". Depois veio a "Batista do Morumbi". Depois veio a Adohnep. Depois a Renascer. Depois pequenas "universais-renascer". Depois o "Conselho de Pastores". Depois vieram a "Batista da Água Branca" e a "Betesda". E assim vai... Ora, com excessão da Renascer e seus filhotes-anões-clonados (afinal o "apóstolo" me disse, em 92, que estava abrindo uma franquia como a do Mac'Donalds, onde até a "batatinha" tem que ter o mesmo corte...) —; os demais líderes dos grupos acima mencionados, nada fizeram para buscar "ser a igreja da moda"; tendo apenas sido objeto da curiosidade evangélica em geral; e que em São Paulo tem essa característica exacerbada.

E fico vendo o pessoal ir e vir... se embalando na falta de raiz e de convicção.

Esse povo borboleteante não faz bem ao Caminho, pois nunca caminham, andando sempre em círculos. São como os Israelitas no deserto. Sim, pode-se ficar anos sem vê-los, mas sempre se os encontrará do mesmo modo: parados e adoecidos; sofrendo das mesmas questões; e, para as quais, não buscam soluções, mas apenas irresoluções; posto que vivem delas. Para esses, se se lhes oferece algo simples, lhes parece tão inacreditável que eles têm que já chegar duvidando.

Há outros, entretanto, que são viciados em novidades e estão sempre procurando um marketing novo de apresentações religiosas; seja para dizer que conhecem; seja apenas para distrairem-se com a novidade... Sem falar nos que desejam "aprender modos" a fim de ver se cola em algum lugar... Para esses tais é como ser introduzido a um "novo produto" a ser "vendido"... ou irresponsavelmente usado.

Assim, fica aqui meu apelo:

Se você não for já discípulo da consciência do Evangelho não procure o "Caminho da Graça". Sim, porque lá não é, ainda, o seu lugar-andante. Além disso, se você é apenas um amargurado evangélico, e que deixou sua "igreja" por desapontamentos pessoais, também não venha. Sim, porque você apenas trará a energia de seus desgostos; e isto não fomenta comunhão, mas apenas questões infrutíferas.

O site não é o Evangelho do "Caminho da Graça". O Evangelho é Jesus. Todavia, se alguém quer estar sob meu pastoreio aqui na Terra, então, saiba: o site www.caiofabio.com é conforme nosso entendimento explicitado acerca do conteúdo do Evangelho; visto que apesar do site não ser um livro de papel e nem ser a "nossa Bíblia", o que lá está dito é o Evangelho. Todavia, se para você não é assim; ou se você está indo por mera curiosidade; não vá e não venha; posto que a jornada que fazemos é baseada no Evangelho e no que tenho deixado claro acerca de minhas convicções acerca dele.

É conforme o Evangelho que o "Caminho da Graça" está caminhando feliz e em paz!

Nosso público são aqueles que, pela leitura do site, se identificaram com o que ensinamos acerca de Jesus; ou então é para aqueles que já se cansaram de tanta tolice religiosa que, pela compreensão do Evangelho, querem viver a simplicidade de algo que apenas deseja ser lugar-caminho de fomento da Palavra. Ou ainda é para aqueles que nada sabem de coisa alguma, mas que anseiam pelo Evangelho. Esses últimos são ideais, pois chegam apenas para crescer na Graça; e sem os vícios de doenças de "crentes amargos".

Afinal, para meu entendimento do Evangelho, a mentalidade do Evangelho é pura clonagem do espírito dos fariseus!

Digo isto porque, de súbito, tem um monte de gente desejando se uinir ao "Caminho da Graça". Mas que ainda não compreendeu nada de nada. Ora, como nossa questão nada tem a ver com números, mas com consciência e compreensão, peço encarecidamente a tais pessoas de espírito religioso que não procurem o "Caminho da Graça"; posto que lá-aqui-em-qualquer-lugar-andante... ainda não é o seu lugar de ser-estar-caminhando.

Buscamos os publicanos e os pecadores; e com eles comemos e bebemos com alegria; e é também a eles que anunciamos as Boas Novas; visto não sofrerem da "Síndrome de Nazaré", que é aquela feita da incredulidade dos que dizem: "Isso já sabemos!"

O tempo urge, pelo menos para mim e para aqueles que, como eu, já não têm tempo a perder com aquilo que já está morto!

Aos que têm vocação para carpideiros de defuntos; ou que amam um velório; ou ainda que choram a morte dos que já morreram... e desejam sepultá-los; digo: "Ou deixem que os mortos sepultem seus próprios mortos...; ou, então, fiquem para sepultá-los; mas não me convidem para sepultar mortos-com-mortos; pois, para mim, não há mais tempo senão para pregar o reino de Deus". Além disso, não me convidem também para entreter o Baile de Máscaras dos fariseus!

Repito: Me sinto ridículo se tiver que convencer "evangelicos" acerca do Evangelho depois de haver pregado a eles por décadas!

Fui para aqueles que os "judeus-evangélicos" chamam de "gentios". Só tenho energia para esses. Aos demais... se entenderam... apareçam. Do contrário, leia a Palavra e a confira com o o que está dito no site, e, em havendo acordo, venha. Do contrário, não venha tentar mudar aquilo que está mudando, pela verdade, o coração de milhares.

"Quem beijar, beijou; quem não beijar", no que diz respeito ao meu tempo, "não beija mais!"

O Caminho é Estreito; e no "Caminho da Graça" amamos essa estreiteza. Sim, porque nele e por causa dele, não se entra a menos que se tenha deixado a bagagem toda para trás: toda justiça-própria; toda a malícia religiosa; todo espírito de fofoca; e toda certeza de juízo contra o próximo. Também para trás ficam todas certezas farisaicas; pois, no Caminho, só se anda pela fé; e com muitas ações de Graças.

E mais: não estou convidando ninguém a fazer isto, mas apenas dizendo "Vem e vê" àqueles que já querem e desejam o que no Caminho de Jesus há em abundância, e no "Caminho da Graça" há como esperança: a possibilidade de uma vida em amor reverente para com o próximo em razão do entendimento da Graça nos haver simplificado a vida com Deus.

O pessoal do "ôba-ôba" (e que foram expostos à Palavra a vida toda) ou pessoal do "blá-blá-blá" (que não têm raizes de vida na Palavra )— nada encontrarão no "Caminho da Graça"; pois, somos alegres, mas terrivelmente sérios com o que estamos fazendo.

Como tenho dito, enquanto estiver aqui, e enquanto Deus me der saúde, não haverá meninos brincalhões no "Caminho da Graça". Para esses sugiro que comecem a "Vereda Lisa da Graxa!"

E aqui estou eu: entre os "judaizantes-evangélicos" e os discípulos do "novo Jesus gnóstico". Para mim, ambos os grupos ou se convertem ou jamais entenderão o Evangelho da Graça; o qual não é compreendido com a mente, mas tão somente com o coração e pela via da experiência-existencial com Jesus, o qual é o Evangelho.

Asssim, quem quiser fazer seu próprio caminho, faça-o; mas não tente criar um estelionato do "Caminho da Graça"; pois, enquanto eu estiver vivo, não será possível, visto que não estou aberto para alterações, pelo simples fato de que o Evangelho é o que é.

Assim, levante-se quem quer que seja e onde desejar (... irei... ), e me diga, olhando na minha cara, que o que digo não é o Evangelho. Mas tem de ser cara-a-cara, como Paulo fez com Pedro na Galácia. E como anseio que tenham tal coragem! Infelizmente, todavia, não a têm!

Enquanto isto os publicanos e pecadores estão vindo e se convertendo, e a salvação tem entrado em suas casas; mesmo no lar dos Zaqueus de Brasília. Esses amam o que ouvem; e o fazem com sede e avidez. Os fariseus, todavia, zangam-se; ou, então, dissimulam-se, como costumam fazer. Porém, não conseguem esconder quem são; pois, como disse Paulo, as suas obras se tornam manifestas.

Portanto, aqui fica meu pedido: quem for de outro espírito, não venha; pois, de fato, o tempo da brincadeira, se houve algum dia, acabou para sempre.

Nele, em Quem não havia brincadeira, mas apenas decisões de vida ou morte,


Caio

O que é uma estação?

O que é uma ESTAÇÃO? Uma Estação é um Caminho da Graça. Não é uma franquia, nem uma denominação, nem uma filial. É o espaço comunitário onde se desenvolve todo o conceito do Caminho segundo se pode ler no site [www.caiofabio.com]. Todas as Estações estão ligadas pelo mesmo espírito, e com a unidade de pensamento conforme o Evangelho que temos ouvido da boca e nas palavras do pastor Caio - mentor do processo todo.


Não somos um “lugar” enquanto manifestação física e geográfica do mero ajuntamento de pessoas, e nem, como representação legítima de onde Deus está. Mas, somos um lugar enquanto a simples manifestação existencial do ajuntamento de “gente-boa-de-Deus” que se reúne em torno de Jesus, e que entendeu que o CAMINHO DA GRAÇA é o caminho que todos fazem em Cristo no meio da existência. Portanto, esse ajuntamento é apenas uma ESTAÇÃO na jornada do viver.


Para você entender melhor... basta assistir a essa série de palestras proferidas no I ENCONTRO DO CAMINHO EM BRASÍLIA. Vale muito a pena, e é o ponto de partida prático de todo o processo, com informações imprescindíveis, sem as quais não dá pra conversar sobre o que é uma Estação.


Para começar a ver... clique aqui!

Que Caminho é esse?

O "Caminho da Graça" no Brasil é um movimento que existe para anunciar que "Deus estava em Cristo, reconciliando consigo mesmo o mundo, e não imputando aos homens as suas transgressões".

Seu propósito como lugar de reuniões não é viver para sua própria manutenção institucional, mas ser uma Estação de bom ânimo no Caminhar de Fé dos discípulos de Jesus, afim de que recebam Ministração da Palavra de Deus, e ganhem convicção inabalável de que o Amor de Deus permanece Incondicional, que o caminho de volta está aberto, que há perdão disponível, visto que o Pai nos recebe em festa; que se pode ser achado, que se pode reviver para Deus como uma nova criatura; para aí então, ser devolvido a terra e misturado ao mundo, para ser SAL e LUZ! (Marcelo Quintela)

Sendo em Cristo tudo que se É, posto que em Cristo se ESTÁ para sempre!

Não somos um lugar enquanto manifestação física e geográfica do mero ajuntamento de pessoas, e nem, como representação legítima e legal de onde Deus está. Mas, somos um lugar enquanto a simples manifestação existencial do ajuntamento de "gente-boa-de-Deus" que acontece em torno de Jesus, e que entendeu que o "Caminho é o caminho que todos fazem em Cristo no meio da existência. Portanto, esse ajuntamento é apenas uma ESTAÇÃO na jornada do viver", um lugar de bom ânimo e adoração.

E nesse sentido, o "Caminho da Graça", enquanto movimento histórico, é uma IGREJA, posto ser um lugar onde a Graça tem sabor de vida e a vida tem sabor de Graça! Aqui é um lugar de ENCONTRO, onde todos podem ser e estar conforme a verdade em amor!

Nosso único dogma é o Amor!

O que é o Caminho?

O Caminho é mais que um lugar ou um clube de iluminados. Trata-se de um movimento de subversão do Reino de Deus na Terra. Por esta razão, "o Caminho" é feito de gente chamada a assumir seu papel de sal que se dissolve e some para poder salgar; de fermento que se imiscui na massa e desaparece a fim de subverter; de pequena semente que se torna grande e generosa árvore que a todos acolhe; de Casa do Pai para os filhos Pródigos e também para os Irmãos Mais Velhos que se alegrarem com a Graça do perdão; e um ambiente espiritual no qual até o "administrador infiel" possa se consertar, e, assim, tentar fazer o melhor do que restou.

No Caminho todos são irmãos, e ninguém é juiz do outro. Assim, ajudam-se, mas não se esmagam uns aos outros, posto que no Caminho todos caem e levantam, todos se enfraquecem, mas não desanimam, todos são humanos, e, com humanidade são tratados, conforme o Dogma do Amor.

Desse modo, "os do Caminho" andam no mundo, no chão da terra, em meio à sociedade humana; e isto sem fazer propaganda religiosa, mas, antes e sobretudo, "sendo" povo de Deus entre os homens vivendo mediante a "fé que atua pelo amor".

Jesus nunca quis fundar uma religião. Nada foi mais danoso para a genuína fé do que terem-na feito tornar-se uma religião, entre as demais.

Seguir Jesus é aceitar um modo de ser, é assumir como vida as Suas palavras, e é dar testemunho do Evangelho não como uma "estratégia de evangelização", mas sim como a natural vocação da Vida em Cristo.

O "
Caminho da Graça" é a simples busca de viver o Evangelho com tal consciência entre os homens. Nada mais e nada menos do que isto!

Portanto, se o que você aqui ler for algo que receba o testemunho interior do Espírito Santo como sendo verdade conforme o espírito do Evangelho, então, una-se àqueles que desejam apenas andar conforme o chamado original dos "do Caminho", conforme o livro de Atos.

Caio

Quanto ao início de uma Estação do Caminho da Graça...

Quanto ao início de uma Estação do Caminho da Graça, desejamos, antes de falar sobre as coisas mais práticas e funcionais de uma Estação, pontuar o que consideramos essencial ser entendido a priori...

Nós não temos metodologia ou fórmulas e nem critérios de iniciação, nada disso. O que queremos é gente com a mente cativa ao Evangelho, sem medo das ameaças-blefes da religião ensandecida dos "neo-fariseus", e que queira crescer em amor e no conhecimento experimental da Graça de Cristo. E que se sinta convocada a viver "fora do portão" – que é onde se tem que ir a fim de se "encontrar a Jesus" e os verdadeiros irmãos.

Nós não estamos preocupados com o fazer-fazer, mas sim com o SER. Entendemos que essa é nossa vocação mais essencial. E por isso, não queremos que ninguém se sinta na obrigação de fazer algo. Não há em nós o interesse, como alguns pensam que há, de "abrir franquias" ou "filiais" do Caminho. Não! Não há mesmo! Entendemos que a coisa toda é natural e espontânea. E deve ser assim... Vai ser quando tiver que ser! Não dá pra forçar nada... Além disso, temos a convicção de que nada pode ser edificado do lado de fora que não seja fruto daquilo que nasceu como consciência dentro e tenha sido experimentado como verdade e vida. Assim é o Caminho!

Portanto, que se compreenda desde já, o Caminho da Graça é a jornada daqueles que carregam dentro de si o Caminho, a Verdade e a Vida. É no coração que a viagem verdadeira acontece! E para a saúde de todo aquele que crê e anda, saiba-se que não há como pisar e ser no chão de alguma "missão" sem que antes o Evangelho tenha entrado na vida e libertado a consciência para a conversão à Graça de Deus. Não há como multiplicar Graça e Vida se tal realidade não se instalar no indivíduo para além da informação. O Evangelho tem que entrar na vida... e produzir alguma coisa!

Por isso, nossa vocação mais essencial é "para ser" – sendo-indo-sendo! E nesse processo constante e dinâmico, em que a identidade e a missão se existencializam e se integram à vida, é que cada um vai se percebendo um multiplicador da Palavra da Vida que o habita. Tal processo acontece como decorrência natural dos efeitos da Palavra Viva em nós, e, indo, passamos a "ser testemunhas" do Amor e da Graça de Deus! Portanto, reafirmamos que o que recebemos do Senhor, "antes de ser um chamado para fazer, é uma convocação para ser"!

Bom, para fazer o Caminho conosco há todo um caminho a ser feito. E agora, sim, entraremos em questões mais conceituais, pois tentaremos explicitar alguns detalhes do funcionamento de uma Estação.

Todavia, é importante pontuar que ao falarmos de questões práticas e funcionais de uma Estação, não estamos falando de um engessamento organizacional; mas, de uma mínima organicidade funcional e carismática (conforme I Co 12 e 14).

Sabemos que as formas servem à essência, e não o contrário! Mas, para que assim seja entre nós, se ainda não o fizemos, devemos fazê-lo então... Que é "desistir do modelo industrial, ou da montagem em série, ou da franquia, ou do modelo pré-fabricado, ou de toda fixidez de formas, com suas Constituições e Regimentos, sejam escritos ou subentendidos, que só servem para agarrar-se às paredes do visível, para aplicar fórmulas de sucesso ministerial conforme o Mundo, para instituir hierarquias engessadas e para nos proteger uns dos outros". Todavia, com isso em mente, e ainda que busquemos a "simplicidade e espontaneidade", devemos estar cientes que ninguém que vive no tempo e no espaço pode crer que as formas sejam evitáveis. Esse é nosso ponto... É aqui que buscamos, não a organização, mas o mínimo de uma organicidade. Pois, "nossa dimensão demanda alguma forma: tempo e espaço produzem formas. Porém, o espírito da caminhada é a simplicidade. E por isso, nossa segurança não está nas formas, mas na essência do Evangelho. Onde quer que esse espírito do Evangelho tenha prevalência, todas as boas formas lhe prestarão serviço; mas jamais se tornarão um fim em si mesmo. Serviu, serve; não serviu, então, já não serve. Isto deve ser assim pois tudo aquilo que vira um fim em si mesmo, precisa ser destruído. A única coisa que não serve mesmo é atrofiar a Palavra para que ela fique conforme a forma e a fôrma" (Caio Fábio – Caminho da Graça para Todos). É com este entendimento que desejamos CAMINHAR...

O que é uma ESTAÇÃO? Uma Estação é um Caminho da Graça no sentido espiritual que carrega – ou seja, é sua mensagem. Não é uma franquia, nem uma denominação, nem uma filial. É o espaço comunitário onde se desenvolve todo o conceito "do Caminho" segundo se pode ler no site (www.caiofabio.com). E todas as Estações estão ligadas pelo mesmo espírito, e com a unidade de pensamento conforme o Evangelho que há muito temos ouvido da boca e nas palavras do pastor Caio - mentor do processo todo.

Ora, é importante entender que não somos um "lugar" enquanto manifestação física e geográfica do mero ajuntamento de pessoas, e nem como representação legítima de onde Deus está. Mas, somos um lugar enquanto a simples manifestação existencial do ajuntamento de "gente-boa-de-Deus" que se reúne em torno de Jesus, e que entendeu que o Caminho da Graça é o caminho que todos fazem em Cristo no meio da existência. Portanto, esse ajuntamento é apenas uma ESTAÇÃO na jornada do viver. E é neste sentido, que o Caminho da Graça, enquanto uma realidade histórica, é uma IGREJA, pois aloja como ilustração e significado, a realidade da EKKLESIA no contexto neo-testamentário, que é a Assembléia dos Chamados PARA FORA!

O desafio para os que são de fato de Jesus, não é "montar igrejas" e, sim, "fazer discípulos" e isso, de todas as maneiras. Por isso, é hora de pregar a Palavra da Graça do Evangelho de Jesus. É hora de sermos de Jesus mesmo. É hora de mostrar que estamos levando o Evangelho a sério! Não há mais tempo. É hora de atacar. De agir. De convidar...! Somos chamados, Nele, para vivermos o Evangelho da Graça nesta geração!

Tendo, de fato e verdade, entendido o que aqui está dito... Acreditamos que depois que o grupo base estiver bem afinado e com bastante consciência do significado do Caminho conforme o Evangelho, então, será hora de convidar outros amigos... De nenhuma forma construímos uma ESTAÇÃO. Não. Elas acontecem. E assim tem sido em todos os lugares. Portanto, o Caminho nascerá de forma natural, espontânea...

"Sei que se fizerem assim, em poucos meses, vocês serão vários, e, logo depois, muitos. Mas no Caminho o 'muitos' vem sempre depois do 'muito'. Em inglês eu diria que o 'many' vem depois de 'much'. Muitos é quantidade. Muito é qualidade. Assim, é preciso crescer em much a fim de poder, sadiamente, crescer em many" (Caio Fábio).


 

E diante dessa Doce Revolução, a nós cabe apenas testificar o espírito do Evangelho presente, e aí prestar todo nosso serviço para facilitar o intercâmbio e o avanço da pregação e da semente do Reino entre todos, bem como verificar se tudo é conforme a pregação que nos incentivou, e que está disponível no site todo.

Tendo dito tudo isso... alguns ainda nos perguntam: "As reuniões do Caminho são para todos? Quem pode participar de uma Estação?". Ora, se você chegou até aqui e ainda não entendeu isso... Então, vamos tentar deixar mais claro ainda. Veja: em suma, a ESTAÇÃO é o "local de facilitação da pregação do Evangelho, um foco de disseminação, um endereço, no qual ocorrem encontros REGULARES, encontros que propiciam a ambiência para a Ceia, a imposição de mãos, a oração intercessória, a contribuição financeira, o bate-papo sobre a revelação da Palavra nas Escrituras e a convivência franca".

Nosso caminho é o do samaritano. Se é que já aprendemos a lição da Parábola do Bom Samaritano, que faz referência explícita ao fato de que sacerdotes e levitas sempre têm mais o que fazer, em função da agenda do Templo e da manutenção do culto a Deus, do que cobrir o irmão "descarnado"! Queremos passar longe disso... Nosso desafio é permitir o manifestar frutífero da Graça de Deus, que são transformações interiores exteriorizadas na relação com GENTE de verdade, na direção do PRÓXIMO - que tem nome, história, filiação divina, contraditoriedades e fraquezas; além de defeitos que a gente não gostaria de conhecer, mas em conhecendo, não se perturba e nem perturba ninguém, pois muito mais perturbador é conhecer a si próprio e ainda assim, se saber perdoado e reconciliado em Cristo (2 Co. 5.14-21).

É simples assim...! Essa é nossa identidade essencial: ser conforme o EVANGELHO!

Nós somos um movimento comunitário de fé, ação social e ensino cristão que existe para anunciar que "Deus estava em Cristo, reconciliando consigo mesmo o mundo, e não considerando mais os pecados dos homens". Portanto, numa Estação você encontrará o que Jesus encontrava pelo caminho – ou seja, GENTE! "Gente quase sem problemas. Gente com problemas. Gente com muitos problemas. Gente atolada em problemas. Gente-problema. Gente solucionadora de problemas apesar de serem perseguidos por problemas. Gente se casando. Gente que chegou descasada e se recasou. Gente que vivia traindo e parou de trair. Gente que ainda trai. Gente que se encara. Gente que mente e nunca se encara. Gente que muda. Gente que ouve, ouve, gosta, mas não muda. Gente madura. Gente infantil. Gente que entendeu. Gente que está entendendo... Gente que não entendeu nada ainda. Gente que vai lá e supostamente anda conosco por interesses de todas as ordens... Gente que logo vê que é vista em sua dissimulação. Gente que aceita a verdade. Gente que gosta de tudo até que a verdade as moleste. Enfim, gente é o que somos. Mas somos gente que prossegue desejosa de encontrar mais da Graça, a fim de aproveitá-la, mesmo que muitas vezes seja dolorido" (Caio Fábio).

Neste ponto, pode ser que alguém questione: "Quem irá conduzir essas pessoas? Existe o ofício de pastor?". Diferentemente da igreja, no Caminho não há o ofício. No Caminho há a necessidade. No Caminho não há o CARGO, há o SERVIÇO que corresponde a uma necessidade que se concretiza. No Caminho só há irmãos... e seus dons. Quando falamos de mentoria, a entendemos como um serviço devotado a um grupo-sob-o-espírito-do-Caminho, prestado por aqueles que foram habilitados por Deus com dons de liderança em amor, planejamento e aptidão para ensinar, além da SERIEDADE COM A VIDA E DO CARÁTER PESSOAL prioritariamente evidentes nas descrições feitas por Paulo a Timóteo e Tito. Daí a importância de se estar sempre atento aos dons de cada um, a fim de que todos os dons tenham sua expressão entre nós.

É isso...

Para todo aquele que deseja sinceramente caminhar junto, nos resta apenas "crer e andar"!!! Pois ter fé em Jesus implica, necessariamente, em ter FÉ NO CAMINHO (modo de ser) DE JESUS... Portanto, que nosso andar, seja com leveza e sem os excessos de pragmatismo técnico com tudo, e sem a ansiedade por formalizações. Vejamos que com Jesus... tudo se dava no cotidiano mais corriqueiro conforme o próprio ir e vir da vida. Era assim que tudo acontecia com Jesus... Ou seja, no CAMINHO!

Bom... tudo o que aqui foi dito, não será em vão, se em nós houver o amor sincero! Pois será este amor derramado por Deus em nossos corações, que nos fará agir como aquele grupo de pessoas que maravilhou seus contemporâneos ao dedicar-se com devoção ao cuidado com as pessoas à sua volta. Ainda nos lembramos deste grupo? Ou apenas nos maravilhamos com a virtude deles, e já nem tentamos ser iguais?... Foram eles que começaram uma (doce) revolução baseada num principio que poucos podiam compreender: servir sem esperar nenhuma retribuição, apenas por amor ao próximo.


Agora... somos nós – discípulos de Jesus hoje! Portanto, tenhamos a clareza de convicção de que o tempo urge de nós o despertar do sono dos traumas e vitimações de outrora... e o levantar para servir ao propósito de Deus nesta geração!!! O treino acabou! Agora é hora do jogo...

Mantidos pela Graça... Conectados pela Causa... Chamados para uma missão... Marcados pelo amor. Que assim seja nosso caminhar...

É conforme o Evangelho que o "Caminho da Graça" está caminhando!

Vem e vê!
Caminho da Graça

O caminho do “Caminho” em 2008 – SUPERVISÃO NACIONAL

O CAMINHO DO "CAMINHO" EM 2008 - SUPERVISÃO NACIONAL



"Assim, nenhuma conversão é mais difícil do que aquela que nos leva do último amor feito de obras, ao primeiro Amor feito de amor. De amor que dá fruto sem ter que fazer nada, assim como as mangueiras aqui de casa se derramam em mangas às centenas sem que isto lhes seja um esforço ou mesmo uma tarefa. Elas não se gloriam das mangas que dão."

Caio Fábio


1) A EXPERIÊNCIA


Nas últimas semanas, junto com alguns amigos, tivemos conversas presenciais com o pastor Caio. Recebemos novos "insights", direções e reflexões relacionadas ao "Caminho da Graça", e suas decisões recentes estão transcritas em http://www.caiofabio.com/novo/caiofabio/pagina_conteudo.asp?CodigoCanal=0001403772


 

  • Acerca do exercício da Supervisão do "Caminho" no ano passado (2007), avisei a todos nas oportunidades de encontros que tivemos e também em textos no site*, que tal função tem a ver com validar aquilo que já está feito no Espírito. As sementes geram botões comunitários que crescem para dentro e para fora da terra santa dos corações férteis, até que venha a dar flores e frutos. E onde é assim, a gente só identifica, testifica, co-participa e se disponibiliza, em alegria e devoção. Isso é super-visionar.


*(http://www.caiofabio.com/novo/caiofabio/pagina_conteudo.asp?CodigoPagina=0304500014)


 

  • Supervisionar também é buscar reconhecer com o discernimento do Espírito e não com os traumas da memória da alma quais são as sutilezas do espírito religioso em operação – que, alíás, vive ao derredor, "buscando a quem possa tragar". Daí a radicalidade que se impõe à cada Estação do Caminho na eliminação do ascetismo orgulhoso, das 'circuncisões' contemporâneas (a Lei dos batismos, jejuns, freqüências e dízimos-carnês mensais), dos títulos que abestalham a alma, da retórica vazia, do academicismo, das complicações eclesiásticas, do frenesi desesperado para crescer, subir, competir, possuir, mostrar e fazer, além da tentação em forjar e manter o Saleiro Comunitário - que amplificam as relações de policiamento, sacerdotalização e controle das individualidades.

  • Na outra ponta desse mesmo processo, a Supervisão é importante para advertir acerca de fobias institucionais e "traumas evangélicos" que se perpetuam e se reverberam em motivações raivosas, quase caninas; criticismo sem proposta; denuncismo sem misericórdia e sem compromisso; medos excessivos incorporados pelas memórias traumáticas e uma cultura de liberdades reacionárias e insuportáveis, com individualismos a la Corinto - que desprezam a consciência e o espaço alheio. Individualismos by Corinto não esquecem que tudo é lícito e nunca se lembram que nem tudo convém!



2) VIRAMOS O DISCO


Acima de tudo e por fim, supervisionar é fazer ecoar que o assunto mudou, que o disco virou e nossa ânsia é por Amor!

Sim. A experiência do Caminho mais Excelente que o "Caminho".

Como "amar se aprende amando", o chamado é para o exercício da piedade mesmo sem vontade.

Como assim?

Ora, seres caídos como nós, se esperarmos a preguiça passar é melhor esperar mesmo deitado!


*****************************************************

3) A TRANSIÇÃO


O Tião, mentor do Caminho em Porto Ferreira, na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, é o homem que vai servir ao "Caminho" como supervisor.

Diferente de mim, o Tião dedica-se em tempo integral às boas rotinas do Ministério, não tem filhos ainda e pode se deslocar para visitas com mais intensidade do que eu, além de se valer melhor de programas de comunicação virtual (SKYPES, MSN, etc). Assim, tudo converge para suprir aquilo que eu chamei de LIMITAÇÕES DA SUPERVISÃO no link supra-citado.

O Tião é da primeira geração de mentores. Na verdade, após Santos, foi a Estação seguinte a ser inaugurada, quando levei para lá um DVD de saudação do Caio a 120 pessoas alegremente reunidas.

O Tião serve uma comunidade sólida, e não carrega lá a babaquice de ser mentor, sendo pastor de toda gente. Ele é simples. É Tião, de Sebastião – assim que todos o chamam.

O Tião é equilibrado, sereno, humilde, muito crente no Evangelho e casado com a Paloma, uma jovem judia que o apóia em tudo com todo gosto. Eu os casei faz um ano no espaço de um grande cinema da cidade, que ficou lotado de autoridades e gente do povo, pois são muito queridos por todos, tendo, portanto, o "bom testemunho dos de fora".

Experimentado, ele já tem acompanhado diretamente algumas iniciativas, fazendo amizades e conhecendo as pessoas olho no olho: no ABC Paulista, Araraquara e Sertãozinho, por exemplo.

A Estação Porto Ferreira (http://caminhoemportoferreira.blogspot.com/) é das mais participativas nos movimentos nacionais, e das que melhor colaboram para suprir necessidade e providenciar o intercâmbio entre as Estações; estão atualizados em relação às propostas dos encontros em Brasília, e inscritos no Vem e Vê.

O Tião tem no seu amigo Lázaro, um grande apoiador, que o ampara no que for necessário. Não existe Tião sem Lázaro, e nem Lázaro sem Tião!

O Lázaro tem feito uma "santa bagunça" nos capítulos da ADHONEP com a pregação do Evangelho que só é Pleno porque é sem Negócios com a Graça entre os Homens.

Assim como o Caio já fez, eu também quero pedir que os novos endereçamentos referentes às Iniciativas de Estações e aos cuidados gerais das existentes sejam feitas para tião@caiofabio.com


Eu estou aqui e permaneço com a tolha sobre os ombros. Meu esforço será todo e será nenhum. Sim, porque não me custa "pavimentar o caminho do meu próximo", porque esse é caminho de todos. No Evangelho ninguém deve se movimentar por oficializações. São as manifestações espontâneas dos dons que Deus deu que realizam Seu querer e efetuar em nós e por nós, e as oficializações só servem aos desígnios.

E quando é assim, a gente nem se dá conta. Não tem noção exata do que se trata. Simplesmente vai.

Confesso que eu passei quase três anos meio desapercebido. Fui fazendo o que me vinha à mão fazer. Só recentemente notei que somos em torno de quarenta Estações. Todavia, raramente enxerguei "coisas", eu só vi "gente". Isso talvez me tenha salvo a alma. Contudo, peço perdão agora por toda vez onde –  muito 'cabeçudo' - atrapalhei processos ao invés de simplesmente lavar os pés dos irmãos.

Mas fiz amigos, irmãos, filhos e muitos companheiros de jornada que foram suprindo meus limites óbvios com devocionalidade e o mesmo senso de privilégio.

É só o que carrego hoje, ao final de um período: um concreto senso de privilégio, de ter sido um privilegiado pela oportunidade ímpar.

Sou grato a Deus pelos des-caminhos que me encaminharam ao Caminho.

Sou grato ao Caio por me ter recebido, acolhido, confiado e investido, mesmo apesar de nunca lhe ter omitido minhas fraquezas reconhecidas, chamando-as pelos nomes que elas têm. Sim, não consigo me esconder delas, ainda que as consiga esconder; contudo, estão diante de mim o tempo todo.

E isso sem considerar os vazamentos dessas tortuosidades que são impossíveis de serem contidos quando você se entrega aos relacionamentos fraternos.

Em vista das minhas próprias contradições, minha maior recompensa foi ser transportado da experiência acadêmica da "Graça" para a existencialidade dela em mim, vitalizando todo meu ser pelo Espírito de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Espírito da Graça.

Antes eu sabia que a Graça bastava.
Agora, porém, SEI em mim que a Graça basta!

Antes, eu a conhecia de ouvir falar;
Mas agora de andar no solo seguro do Amor do Pai.


Obrigado.

Marcelo

COMUNICADO MUITO IMPORTANTE: Caminho e Fraternidade no Caminho – Caio

Queridos amigos na caminhada: Graça e Paz!


Caminhando na busca de manter a pureza e simplicidade devida a Jesus — Reafirmamos nosso desejo de andarmos em honra e reverencia uns aos outros, buscando servir conforme a manifestação do dom do Espírito concedida a cada um de nós, e sempre almejando as diversas expressões de dons e serviços voluntários à causa simples e revolucionária do Evangelho ao qual servimos e pelo qual vivemos, e que se consuma na prática do amor mútuo e do amor decisão até junto aos inimigos —, chegamos a um ponto da caminha comum da divulgação da Palavra, no qual expansões estão sendo necessárias e renovações para o crescimento se tornam importantes, para que tudo seja feito sem peso e sempre com muita alegria.

Assim, comunico as mudanças que estão acontecendo no Caminho da Graça e na Fraternidade no Caminho, a fim de facilitarmos as coisas e melhor servirmos aos que nos buscam em razão da Palavra:

        1.        Caminho no Brasil: Tivemos a ajuda de nosso amado companheiro e cooperador, Marcelo Quintela — que para mim tem sido como um filho —, e que cuidou com todo amor e entrega do trabalho de coordenar as Estações do Caminho da Graça pelo Brasil; período no qual nós saímos de duas Estações e umas poucas iniciativas de grupos, para dezenas de Estações e muitas iniciativas novas; aqui e em outros países. Ora, em razão desse crescimento criamos "Mentorias Regionais", e que agora começam a se subdividir, com grupos aparecendo e muitos novos lugares. Por esta razão, julgamos que seria bom se pudéssemos ter a ajuda do Marcelo na expansão do Caminho da Graça entre as nações. Ora, também pela mesma razão convidamos o irmão Tião, da Estação em Porto Ferreira, São Paulo, para cuidar da coordenação nacional das Estações do Caminho da Graça, enquanto o Marcelo se dedica ao cuidado das manifestações espontâneas que vêm também em grande número de outros países. Assim, quero comunicar em meu nome e de meus cooperadores que aqueles que procuravam o Marcelo Quintela para informações sobre o Caminho no Brasil, que agora contatem o Tião, no endereço que agora transcrevo: Sebastião Camilo Godinho - Av: Jean Gabriel Villin 210, Porto Novo, Porto Ferreira, Sp. Cep, 13660000,
tel. 019 35857046 - Casa e escritório: Cel. 019 91775830
. Além disso, basta escrever para tiao@caiofabio.com O Marcelo continuará a ajudar o Tião nessa passagem, pois, entre nós, ninguém deve fazer qualquer coisa que já não pavimente o caminho do próximo.

        2.        Caminho entre as nações: Como disse antes há pedidos de surgimento de grupos ou Estações do Caminho da Graça em muitos países, e nós cremos que o objetivo externo da divulgação da Palavra do Evangelho, é, como mandou Jesus, pregá-la a todas as nações da terra, e tanto mais quanto vejamos que o dia se aproxima. Por esta razão pedi ao Marcelo, que já nos ajudou a estruturarmos o Caminho da Graça no espírito da simplicidade e da leveza, aqui no Brasil, que agora nos ajudasse nesta nova etapa, que é a do anuncio em outros paises [por enquanto entre os que falam português, mas, logo depois, também aos que falem inglês e outras línguas]. Portanto, peço a todos os que me escrevem desejosos de começar ou apenas participar de um grupo ou Estação do Caminho da Graça em seu país ou cidade no exterior, que agora escrevam para o meu amado Marcelo Quintela: marceloquintela@caiofabio.com
Sei que todos serão muito bem atendidos e que terão o melhor acompanhamento.

        3.        Fraternidade no Caminho: Conforme está no site em mais de um link (acessível no serviço de Busca), faz alguns meses que propusemos que surgisse a Fraternidade no Caminho, e isto em razão de uma grande quantidade de e-mails que recebo de muita gente boa de Deus; que andam na simplicidade do Evangelho; que se identificam com o que temos ensinado pela Palavra; e que sentem que ainda têm da parte de Deus um espaço de esperança para o anuncio do Evangelho em muitas igrejas dentro e fora do país. Ora, esses amigos amados estão sempre a sugerir que se crie uma fraternidade, algo para além do "Caminho da Graça" como movimento humano e histórico, na qual [na Fraternidade] todos os que sentem identidade com o que neste site se torna explicito como confissão do Evangelho e suas implicações, pudessem e possam se encontrar para o simples prazer da comunhão; através de Fóruns na Internet, do Blog da Fraternidade, e de encontros presenciais nas diversas cidades do Brasil, e, depois, fora do país. Como eu havia lançado publicamente a proposta — e muitos a ela já responderam escrevendo para o amado Chico, nosso amigo e colaborador aqui em Brasília, inscrevendo-se para a continuidade do processo —, era natural esperar que eu mesmo dirigisse essa iniciativa, e isto em razão de anos e anos de tecer de muitas amizades entre os cristãos como um todo. No entanto, orando, creio ter tido a orientação de ajudar em tudo, mas não estar eu mesmo à frente do processo. Quero ser parte. Desejo ajudar, divulgar, promover e participar, mas não quero presidir. Desse modo, pedi ao Carlos Bregantim para presidir e mentorar o processo, tendo o Marcelo Quintela ajudando-o assim como me ajudou no estabelecimento do Caminho da Graça no Brasil. Assim temos o Carlos Bregantim mentorando a Fraternidade no Caminho, com a cooperação da mentoria de gestão e coordenação do Marcelo Quintela. Portanto, os que desejem informação sobre a Fraternidade no Caminho escrevam para carlosbregabtim@caiofabio.com ou para marceloquintela@caiofabio.com Eles estão preparados para receber sua carta agora mesmo.

Quero aqui agradecer especialmente ao Marcelo pelo carinho, amor e diligencia com o qual se deu a ajudar os que procuraram conselhos e informações sobre como proceder para iniciarem uma Estação ou grupo do Caminho da Graça; e não apenas isto, pois, entregou-se também ao cuidado pessoal de muitos desses amados amigos e irmãos na esperança. Muito obrigado de coração Marcelo! E agora vamos adiante, pois os desafios são do tamanho do mundo.

Peço que nos ajudem a fazer essas informações circularem, e peço de coração que dêem a esses amigos [Tião, Marcelo e Carlos] o tratamento de carinho, respeito e amor que me têm dado, e eu pessoalmente ficarei muito contente e feliz.


Nele, que nos deu homens como dons da Graça,


Caio

28/01/08
Lago Norte
Brasília
DF
Brasil

Aos que responderam a enquete sobre o Caminho...

A enquête destes dois últimos meses perguntou aos que lêem o site como eles se sentem em relação ao "Caminho da Graça", movimento que nasceu faz apenas três anos, a partir do site e das coisas que digo, prego e escrevo, todas no objetivo de trazer as pessoas ao conhecimento puro e simples do Evangelho.

Mesmo tendo apenas a ver com um clicar com a mãozinha virtual num ponto na tela do computador, a maioria das pessoas não gosta de responder enquête. Sim! Para muitos parece que se clicarem ali de algum modo serão identificados; ou apenas porque nem mesmo chegam a ver o informe lateral da enquête ao lado esquerdo da tela; ou ainda somente porque acham algo tolo e sem significado...

O pessoal do "
Caminho da Graça", por exemplo, tende a ser do tipo que não gosta de responder a enquête do site. Vão aos textos e sempre acham que o mais é "para os outros". Digo isto porque o número de gente do Caminho que lê o site é muito, muito maior do que o número dos que responderam "já estou". Entendo as razões subjetivas de quem assim se sente porque eu mesmo sou do tipo que não dá muitas explicações e nem responde muito a nada que seja estatístico.

Posso dizer o mesmo do pessoal que visita o site todos os dias, ou algumas vezes na semana, ou uma vez por semana, ou de quinze em quinze dias e ou uma vez ao mês. Em geral são pessoas que apenas internalizam os conteúdos e não se preocupam muito com outras coisas. Sim! Porque apesar de mais de 120 mil novos Ips se conectarem todos os meses aqui no site, o número dos que são "de todo dia" e do "dia todo" é maior. Portanto, se apenas quase seis mil Ips diferentes responderam a enquête, então é porque o percentual ínfimo de pessoas que lêem o site responderam ao que foi indagado.

Esta é a primeira constatação, e que me vem da comparação entre as respostas à enquête e o numero de endereços eletrônicos de computadores individuais que se conectam ao site de modo novo ou freqüente.

Outra constatação é que os "inimigos do site" são freqüentes e intensos na manifestação de sua hostilidade. Odeiam, mas não podem deixar de ler, de saber e de buscar o quê ou inventar um o quê a fim de jogarem pedras. Para mim é um pessoal interessante de ser estudado. De fato, além de orar por eles, também os estudo como quem sente as reações de pessoas doentes da percepção ou possuídas por uma paixão traída e, por isto, com desejo de jamais...

Esses são do tipo que pedem para que a "turma" vote e se manifeste. É gente de "Parada de Orgulho..." São soldadinhos de pulsões literalmente "viscerais". São fundamentalistas apenas porque não têm coragem de ir até a essência.

Assim, entre quem diz "jamais" e quem apenas diz "não preciso", aparecem 28%. Os demais 72% variam entre o "Estou avaliando" e aqueles que já iniciaram algo e buscam vinculo pela identificação ou por verem-se como rebentos do site; e os que querem muito, mas não sabem como.

Por isto, para cada aspecto positivo da enquête estou acrescentando links com informações pertinentes. Desse modo você encontrará o link no qual clicar e ir ler o que precisa saber.


Você e o Caminho da Graça:

Jamais

1162 votos - 20%
Link:
www.caiofabio.com - rsrsrs

Estou avaliando

452 votos - 8%
Link: www.caiofabio.com - rsrsrs

Não preciso

346 votos - 6%
Link:
www.caiofabio.com - rsrsrsrs

Não tenho como

364 votos - 6%
Link:
www.caiofabio.com – fique firme!

Quero demais

1172 votos - 20%
Link: www.ocaminhodagraca.blogspot.com - leia tudo!

Inicio um grupo

653 votos - 11%
Link: www.ocaminhodagraca.blogspot.com - vá fundo!

Já estou

712 votos - 12%
Link: www.caiofabio.com, as reuniões de seu grupo, e muita oração e leitura das Escrituras no seu dia a dia.

Como faço...

1081 votos - 18%
Link: www.querosabersobre.blogspot.com – faça contato agora mesmo!

Total de Votos: 5942

Aos que disseram "jamais" ou "não preciso", perdão pelos "rsrsrsrs" e pela sugestão do www.caiofabio.com para leitura.

Todavia, de fato, a minha "sugestão" é o que eu sugiro mesmo, na esperança que você saiba que "jamais" somente Deus conhece quando existe como possibilidade para nós (Paulo que nos conte!) — e também na esperança que um dia o entendimento do Espírito lhe seja concedido.

Entretanto, em verdade digo a você, de todo o meu coração, que a única coisa que lhe importa é deixar de lado toda doutrinação, e, ler o Novo Testamento inteiro, de ponta a ponta, se possível sem parar, de uma golada só, como se fosse um romance apaixonante; umas três vezes seguidas, no espaço de uma semana. Sim! Faça isto, pois sei que você não chegará do outro lado como você está ou ficou. Este é o desafio que faço a você.


Nele, que nos chama à comunhão na verdade e em amor, e não ao existir no ódio ou na ignorância pagã,


Caio

Fraternidade no Caminho

Logo que decidi voltar a pregar, ainda em agosto de 2000, na comunidade da Urca, na qual minha mulher servia como pastora há anos, ajudando nossos amados Cúrcio e Silvinha — eu jamais esperava estar iniciando um processo que tomasse as formas e dimensões que tomou.

Paulo Leite, fiel amigo e Presidente da Igreja Congregacional no Brasil, bem como o Pr Washington Souza, que me convidava semanalmente para dar uma entrevista no programa de televisão dele na Band quando o Dilúvio passou, foram pessoas da primeira hora, e sem nenhum interesse além da amizade.

Assim, mesmo que fugindo de compromissos, devagar foi pregando aqui e ali [conforme a amizade], enquanto dizia "não" à multidão de convites que me vinham de todo tipo de igreja, pastor e ministério, aqui e fora do país.

Era convite não apenas para pregar, mas para ser bispo, apóstolo, líder de grupos ou até presidente de ONGs Internacionais cristãs. Mas os convites me davam erisipela...

Meu mano reverendo Guilhermino Cunha, pastor da Catedral Presbiteriana do Rio me convidou para ficar lá, com ele, o que me significou um tempo longo de reflexão a fim de decidir, pois, somos amigos, e por ele tenho toda amizade e gratidão; bem como pela Catedral, minha igreja desde há muito tempo. Meu pai e minha mulher também achavam que esse seria o caminho normal. Eu, porém, sentia que era outro o caminho de Deus para mim.

Depois o Presbitério de Niterói me reintegrou às minhas funções pastorais na IPB, mas, outra vez, após ter pedido afastamento unilateral por cinco vezes antes disso [desde agosto de 1998], agora, com tudo feito e pronto, não senti que era tampouco aquele o caminho de Deus para mim.

Enquanto isto acontecia o Café com Graça!...

Eu, todavia, sabia que aquilo era importante, mas que ainda não era o que Deus tinha preparado. De fato o Café foi a minha "gruta de Adulão". E quanta gente boa nasceu ali!... E eu mesmo!?! Quanto fui falado por Deus enquanto pregava aos outros!?!...

Veio então o convite da Igreja Episcopal Carismática do Recife, na qual tenho muitos amigos amados, começando pelo Bispo Paulo Garcia, e, sobretudo, na amizade de décadas que tenho com o Reverendo Alexandre Ximenes, hoje bispo, e que me convidavam para ficar ali, com eles, coberto de todo carinho e amor. Mas também não senti que aquele era o caminho de Deus para mim.

Enquanto isso... O site entrou no ar e milhares e milhares de pessoas começaram a se conectar e a se abrirem, falando do coração. Literalmente eram milhares e milhares e não parava de crescer.

Assim, surgiu a idéia da Irmandade Virtual. Em razão de muitos pedidos fizemos uma reunião em São Paulo.

Ora, em meio a tudo isso havia o Rômulo, a Doró, o Luciano e a Gina. Luciano e Gina tinham passado um ano conosco no Café, em Copacabana, e o Rômulo e a esposa sempre iam até lá me ouvir nos fins de semana.

"Caio! Vamos pra Brasília! Vamos levar tudo pra lá! Pense nisso!" — me diziam os irmãos Rômulo e Luciano.

Então, estranhamente, logo depois da partida de meu filho Lukas, meu coração queimou outra vez. E o lugar do recomeço seria Brasília, e por razões que me vinham exclusivamente do coração, e de nenhuma outra lógica.

Nesse meio tempo o site "bombava". Literalmente milhões de pessoas liam o que eu escrevia todos os dias ou semanas. Eram números de um grande Portal, e que cumpriam a profecia do irmão João, aquela que está aqui no site acerca do "Portão dos Invisíveis", e que me foi entregue por ele, sem consciência de nada, em agosto de 2000.

Assim, todos os dias havia gente pedindo ajuda. Pessoas sós de coração e que se identificavam com meu ensino no Evangelho. Todos queriam que eu começasse algo. Foi quando depois de muito orar decidi iniciar a primeira Estação do Caminho, aproveitando o fato de que o Marcelo Quintela já tinha uma longa história indireta comigo, desde a infância dele. Foi por essa razão de natureza histórica e de continuidade, relacionada a alguém que ouvira o Evangelho de um tio, a quem eu batizara, e que levara umas fitas minhas para a casa do Marcelo ainda menino, e ele e toda a sua casa vieram a crer no Senhor, que decidi que iniciaria o processo fora de Brasília com ele.

De lá para cá muitas Estações e centenas de outros se uniram ao Caminho. Hoje, minha alegria é imensa, pois tenho também ao meu lado manos amados e maduros como o Carlos Bregantim, o Chico, o Luiz Wesley e vários outros que estão chegando.

Hoje, entretanto, uma nova situação se configura. Há milhares de amigos pastores ou não, os quais andam aqui no site com avidez todos os dias, e que são edificados e mentorados pelo que digo e escrevo, e que me pedem já faz algum tempo que iniciemos uma Fraternidade no Caminho da Graça. Ou seja: algo que exista não como "Caminho da Graça", mas sim como uma Fraternidade de pessoas que se identifiquem com a mensagem, mas que, por razões diversas, não podem se integrar diretamente a uma Estação do Caminho, embora tenham total identificação com os conteúdos e com o ensino que reparto.

Assim, estamos criando um Blog chamado "Fraternidade no Caminho" e que reunirá todos os do Caminho, bem como todos aqueles que tenham identificação com os conteúdos e com o espírito do que estamos ensinando, mas que não podem deixar o que fazem e nem onde estão a fim de se integrarem a um grupo do "Caminho da Graça".

O processo:

1.         Assim que o Blog estiver pronto avisarei no site;

2.         Todos os interessados deverão inscrever-se no Blog, de preferência deixando uma foto e todos os dados pessoais;

3.         Marcaremos um encontro de todos e nele elegeremos um grupo de irmãos que anualmente serão os responsáveis pela Fraternidade no Caminho;

4.         Todos os anos o grupo de líderes-servos será renovado para a tarefa da manutenção da comunhão entre os irmãos;

5.         Os encontros terão a finalidade de aproximar esse imenso grupo de Gente Boa de Deus que anda sem comunhão nos próprios corpos ministeriais nos quais servem.

Desse modo, sem discussão, mas apenas atendendo ao pedido de centenas e centenas de amigos, estou dando o ponta-pé inicial nessa comunhão da qual o "Caminho da Graça" participa, mas não é o dirigente.

Agora, portanto, chegou a hora de ver se quem pede tanto tem mesmo a disposição de assumir o que diz desejar mais que tudo como comunhão.

Todas as informações devem ser remetidas para chico@caiofabio.com



Nele
, que foi levantado a fim de reunir os filhos de Deus que andam dispersos,


Caio

As reuniões do Caminho são... para todos?

----- Original Message -----
To: Marcelo Sent: Tuesday, March 21, 2006 2:14 PM
Subject: duvidas


Caro companheiro,

Estamos com algumas dúvidas com relação ao início do Caminho por aqui, pois tem muita gente fazendo contato para participar das reuniões. Queremos saber como trataremos destas questões? Como foi o surgimento do Caminho da Graça aí em Santos? Vocês abriram as reuniões PARA TODOS? Como foi? Sobre o que tratavam nas reuniões iniciais?


Abraços.

Belo Horizonte - MG

*******

Olá, meu amigo,

Que bom que as pessoas estão fazendo contato. Você verá que as próprias pedras clamarão!

Quanto às dúvidas que você levantou, quero te dizer o seguinte, sendo bem objetivo: Seja o mais simples e espontâneo possível. Tudo informal, tudo para todos. Tudo acerca do Evangelho e não de mais uma metodologia de aplicação eclesiástica. Não fique pregando acerca do modus faciendi da coisa toda.

Pregue o Evangelho de Jesus Cristo, e Este crucificado - Escandâlo até para os cristãos!

As pessoas já estão cansadas de ouvir acerca de novas fórmulas, métodos, visões, visões, visões... Argh! me dá até naúseas!

Portanto, se você não fizer reunião administrativa, todos e qualquer um poderão participar. Reuniões de organização civil ou de ordem estatutária (que com o tempo, serão necessárias) são para um grupo selecionados de irmãos envolvidos profundamente na história toda de abrir uma Estação, mas não necessariamente seus "pioneiros".

Mas, reuniões públicas são públicas! Podem vir não-crentes, crentes, tradicionais, pentecostais, pastores, presbíteros, diáconos, bispos, apóstolos, cardeais... Basta ser gente!

E no Caminho vai ser tratado como gente. Ninguém é a rainha Elizabeth no Caminho da Graça!

Não tem rico, nem pobre, nem culto, nem bronco, nem homem e nem mulher... Cristo é tudo em todos!

Aqui em Santos, nós começamos nas casas (CAMINHO COM-VIVÊNCIA) e simultaneamente, alugamos um auditório todo domingo, no qual fazemos uma Reunião (alguma música, pregação do Evangelho, testemunho, contribuição; e uma vez por mês, nós ceiamos com alegria e singeleza).

Não é exatamente o modo que é novo, e sim o espírito!

Nas primeiras reuniões, eu explicava que o Caminho não é uma igreja - no sentido da cultura evangélica - e nem pretende ser. É um movimento de consciência e conversão a Graça de Deus em Cristo (e nesse aspecto, temos visto a ação do Espírito nos corações e mentes).

Avisei, então, que todos poderiam vir e ninguém precisava sair de suas comunidades religiosas originais. Lógico que a maioria, assim que passa a frequentar o Caminho e ver que existe MESMO uma diferença - que não é propriamente de formato dependendo da experiência litúrgica de quem chega; mas que é de mensagem e de relacionamento - começa, então, também a frequentar mais assiduamente, porque lhes faz bem!

Depois que se conhece a abundância de Vida em Cristo, a maioria simplesmente não quer parar o processo de aprendizado e fortalecimento da fé.

É lógico também que, dependendo do circuito evangélico que a pessoa está ligada, os "porteiros da igreja" não vão deixar barato, e os que freqüentam o Caminho, serão chamados por sua liderança, e terão que se arrepender de ter feito isso... ("a vontade de Deus não sei o quê, a vontade de Deus não sei o que lá..."). Se o membro insistir, será convocado a escolher onde quer ficar. Com muita sorte, saíra "abençoado", se for o caso!

E quanto a nós? Como tratamos essas questões?

Ora, eu não fico perguntando quem é e quem não é; quem está e quem não está! Deixo vir e ir, conforme cada um.

Vem gente que quer conhecer e saber do que se trata, vem gente aflita, vem gente pelo site, vem gente que gosta de Jesus, mas está cansada da igreja que condena, que julga, que manda para o inferno, que patrulha. Vem gente enviada para xeretar e dar relatório lá na igreja (espiões), vem gente desconfiada, vem gente que sempre vem, mas nunca diz para que veio - E eu não digo nada! Não sou investigador. Vinde! Todos vós!

É uma Estação - não é um clube, não é uma maçonaria evangélica, não é um Rotary da Graça. Ninguém é membro e todos são, se forem membros do Corpo de Cristo! Pode vir, entrar, sair e encontrar pastagens. Entendeu?

Penso que para liderar o Caminho ninguém pode ter espírito de xerife. Se o teu chamado é pastoral... Você é pastor, não delegado! E a Estação se chama Estação porque é uma Estação, e não uma Presídio de Segurança Máxima, com o caso da maioria das instituições evangélicas de "regime fechado" (voltadas para dentro).

"Estação" não é um termo bíblico e nem vai virar, mas aloja como ilustração a realidade da EKKLESIA no contexto neo-testamentário, que é a Assembléia dos Chamados PARA FORA!

Mas quando digo que a "igreja" é um presídio, não duvidem. Isso fica evidente justamente quando o cidadão resolve sair de lá. Então, se dá falta dele na frequência, é lembrado pela liderança, e caçado, perseguido e mal falado no caso de ter encontrado melhor pastagem! Mas, isso só em 99,99% dos casos. E quem ficar bravo com essa constatação é porque é cego ou dono da carapuça!

O mentor de uma Estação não pode andar desconfiado das intenções alheias, não pode pedir investigações neuróticas. Não pode ficar em suspeição com a traição "denominacional" de alguém. Isso é maluquice mafiosa e não procede do Evangelho, todavia compõe aquela parte da lista de obras da carne de Gálatas 5, para a qual a "igreja" não dá a mínima.

Portanto, deixa isso para o pessoal que gosta de fazer isso. Tem um pessoal que tem tara de conquistar o membro da igreja alheia: "Consegui, háhá! Tirei o cara da igreja daquele meu colega que é metido só porque tem a maior igreja da cidade! háhá! Eu invejo, mas conquisto! Aleluia!" Aí o bobão inseguro pensa que virou mais homem em cima do outro. Até se acha, por alguns segundos, mais espiritual, mais poderoso, mais pastor. Tudo coisa de criança, que sempre quer o brinquedo que está na mão do coleguinha."

Entendeu como os caras pensam? É triste mas é assim.

E o que me desaponta profundamente é que eles perderam a capacidade de se arrepender dessas manias. Podem até pregar diferente, mas na hora do "vamos ver" é assim que é, sempre! Mas, vocês... Vocês estão fora do circo!

"Tu, porém, cuida de ti mesmo e da sã doutrina".

E deixa essas tolices para quem virou pastor só para matar a vontade de ser dono do outro, dono da Obra, dono da Vinha, dono das almas.

E qual é o compromisso que se tem com o Caminho da Graça? O compromisso pessoal com a Estação tem a ver com a consciência voluntária de manutenção e suprimento das necessidades coletivas do trabalho. O que não for espontâneo, alegre e fruto de gratidão e amor não interessa para Deus e nem interessa para o Caminho.

Portanto, apele às consciências, conclame à generosidade, exponha as necessidades, peça ajuda sincera; só não faça terrorismos, não trate ninguém como criança, não faça "ameças bíblicas", não chame a tesouraria de "casa do tesouro", porque vocês não são o Estado de Israel e nem o dízimo é um imposto nacional de tributação obrigatória, como no templo de Jerusalém e na igreja evangélica, que diz que namora com Jesus, mas vai todo dia para cama com Moíses, em flagrante adultério contra o Noivo e a Nova Aliança!

Que todos aprendam a dar ofertas e dízimos, mas como Abraão diante de Melquisedeque - cheio de gratidão e reverência e sem barganhas a fazer!

Diferente do meu costume, estou publicando essa e outras cartas no site para, através delas, tirar dúvidas de um monte de outros irmãos, segundo os emails que recebo.

Um abraço a todos os irmãos de BH, que inauguram a Estação nessa semana!


Na mesma Graça,

Marcelo
marceloquintela@caiofabio.com

Religião não! Espiritualidade sim!

Em Jerusalém um amigo judeu de muitos anos, que já foi meu guia, mas que se tornou amigo mesmo [ele meu e eu dele], me disse que pastores brasileiros chegam lá, e, uma vez indagados por mim, dizem, entre outras coisas, que eu deixei a "religião cristã".

Meu amigo judeu então lhes diz:

"Mas ele nunca acreditou em religião. Ele apenas sempre creu em espiritualidade, não em religião. E a espiritualidade na qual ele crê não é a dos cristãos, mas sim a de Jesus".

Ora, depois chegam lá os crentes tapados querendo "evangelizar judeus", sem nem mesmo saberem fazer distinções básicas, as quais, para muitos deles, como meu amigo, são sutilizas essenciais, especialmente para quem, em nome da religião cristã, sofreu milênios pelo crime religioso de os judeus terem entregue Jesus aos romanos para que esses o executassem; crime esse que até hoje é discutido, o qual, no curso dos tempos, colocou os judeus sendo "judiados" pelos cristãos de todos os modos e formas possíveis, culminando no holocausto da II Guerra.

De fato, meu amigo está certo. Sou discípulo da espiritualidade de Jesus e de nada mais.

Não sou discípulo da espiritualidade de Paulo e nem de nenhum dos apóstolos, mas sim de Jesus, única e exclusivamente de Jesus. É a partir de Jesus que vejo o que é e o que não é sadio até na espiritualidade dos apóstolos.

Espiritualidade, conforme já tenho dito em muitos livros e textos meus, é aquilo que perpassa a vida, de modo integral, como espírito que qualifica todas as percepções, interpretações, atitudes, e decisões de uma pessoa.


Meu amigo judeu entendeu isto, e tem seu coração aberto para mim e para o Evangelho. Entretanto, muitos cristãos [a maioria], à semelhança dos judeus que perseguiam Paulo por ele ter deixado a "religião judaica", insistem em não entender o óbvio, apenas porque a ruptura que está estabelecida, agora, já não é mais de livros, textos e de conceitos, mas prática e histórica; e é isto justamente o que os tem apavorado.

No início, ouviam e pensavam: "São os estrebuchos do falido, do caído, do homem sob os escombros!..."

Mas agora que vêem milhares e milhares, e até seus filhos, esposas e netos enxergando o que eles se negam a ver, então, dizem: "Este homem está corrompendo a religião!"

Então, os mesmos que me perseguem por aí, muitas vezes me escrevem cartas de apelo, implorando que eu "volte", e que pare de criar essa "divisão".

Que divisão? Sim! Eu quero saber! Qual foi a divisão que eu criei?

O Evangelho só é divisão para os que se perdem, pois, todo aquele que o ama e nele crê, esse, quando o ouve, deixa tudo e diz "amém" à verdade.

Assim, aproveito para informar aos que já sabem, mas não querem admitir que sabem, que o "Caminho da Graça" tem cultos, reuniões, ceia, batismos, ordenações conforme os dons, envia pessoas, sustenta pessoas, e anuncia a Palavra; e faz tudo isso sem ser um movimento da religião, mas sim da espiritualidade segundo Jesus.

Jesus pregava, orava com doentes e oprimidos, ensinava o evangelho e anunciava a chegada do Reino de Deus; além de acolher pessoas, andar com elas, reuni-las e fazerem-nas sentirem-se irmãs umas das outras, e, sobretudo, deixando a elas claro que o maior poder de testemunho que teriam neste mundo viria exclusivamente da capacidade que tivessem de amarem-se umas às outras — "para que o mundo creia".

Quando [logo depois de minha conversão] deparei com as implicações de Jesus ter sido sumo sacerdote segundo a ordem de Melquizedeque, ato continuo toda e qualquer força que a religião desejasse ter sobre mim, morreu...

Quem crê que Jesus é Sumo Sacerdote segundo uma ordem que transcende a religião de Abraão, crê, daí para frente, não mais em religião, mas apenas em espiritualidade em Cristo, conforme o Evangelho.

O "Cristianismo" é um ente histórico poluído e pervertido demais para ter qualquer poder de influencia de sal na terra.

Insistir nas Cruzadas Cristãs contra o mundo pagão, é ainda pior do que pregar o Islã, por exemplo; pois, pregar uma religião em nome de Maomé é coisa humanamente simples de entender, mas fazer a mesma coisa com Jesus é blasfêmia contra o ser de Jesus.

Desse modo, tudo o que Jesus faz e ensina nos evangelhos é o que nos concerne, e, sobretudo, Seu modo de ser, pois, é da observação de Seu modo de ser e andar que se tem, segundo Ele, a chance de em vendo-o, ver-se também o Pai.

Assim, alegremente reduzo-me a Jesus, e aceito os limites da infinita liberdade, e as contenções do amor, e as cadeias do regozijo, e a impotência dos milagres, e a fraqueza de se enfrentar o inferno apenas com a Palavra.

Isto, hoje, todavia, é loucura para o Cristianismo e escândalo para os Evangélicos!

Mas para todo aquele que crê, esta é a Raiz de Vida que põe seu espigão no cerne mais profundo do discípulo, dando a ele a essencial alegria e gozo no enfrentamento das tribulações que virão sobre todos os habitantes da terra.


Nele,


Caio

Olhe para Jesus e você entenderá a Palavra

-----Original Message-----
From: Jesus: A Chave Hermenêutica
Sent: terça-feira, 23 de setembro de 2003 17:56
To: contato@caiofabio.com
Subject: Contato do Site

Mensagem:

Rev. Caio,

Acho de extrema importância quando você fala de hermenêutica e diz que Jesus como a chave hermenêutica da Bíblia derruba qualquer regrinha ensinada nos cursos teológicos. Gostaria, porém, que você, se não for pedir muito, comentasse de forma mais substancial como seria, na prática, a aplicação dessa Regra-Jesus.

Um abraço,

P.S. Estou estudando esta disciplina para lecionar num curso. Sua orientação muito me ajudará.

*******
Resposta:


Meu amigo querido: Graça e Paz!


"Cristo é o Mestre, as Escrituras são apenas o servo. A verdadeira prova a submeter todos os Livros é ver se eles operam a vontade de Cristo ou não. Nenhum Livro que não prega Cristo pode ser apostólico, muito embora sejam Pedro ou Paulo seu autor. E nenhum Livro que prega a Cristo pode deixar de ser apostólico, sejam seus autores Judas, Ananias, Pilatos ou Herodes"—Martinho Lutero

É mais simples que pensar. Basta olhar para Jesus. Veja como Ele tratou a vida, as pessoas, a religião, os políticos, os pobres, os ricos, os doentes, os parias, os segregados, os esquecidos, os seres proibidos, os publicanos, as meretrizes, os santarrões, e o que mais você quiser...

Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e Nele estão TODOS os tesouros da sabedoria e do conhecimento. O resto, meu irmão, é invenção de quem não quer lidar com gente e prefere lidar com letras.

A Verdade não existe como Explicação, mas tão somente como Encarnação. A Verdade só pode ser vivida, não pensada. Todo pensamento acerca dela decorre da experiência; ou seja: do processo de encarnação. Assim, para enxergar a Verdade tem-se que vê-la na Única Vida na qual ela habitou cheia de Graça, e também tem-se que vivê-la.

E o Verbo se fez carne. Por isto é que posso discernir a Verdade em Jesus, mas ainda assim só posso discernir se eu mesmo a experimentar na vida.

A Verdade que vejo em Jesus--Encarnada Nele--eu mesmo tenho que conhecer na minha própria vida, ou encarnação, que é o único estado de existência que eu tive até hoje.

Quando vejo Jesus, eu vejo a Verdade. Quando eu vivo, sabendo que Ele é a Verdade, mesmo que minha existência não encarne toda a Verdade que vejo em Nele, até nos meus movimentos contra ela, eu a conheço; visto que não tenho mais como não conhecê-la, mesmo que a negasse.

Foi assim com Pedro. Ele conheceu a Verdade em Jesus, e teve que experimentá-la em si mesmo. E, provavelmente, o dia no qual ele negou a Jesus, tenha sido um dia, para ele, de muito mais verdade que a noite da Transfiguração.

Assim, Jesus é a chave hermenêutica para se discernir a Palavra, mas mesmo assim, eu só a conhecerei como Verdade, se eu mesmo a provar na minha carne; e isto é o que acontece quando a gente anda no Caminho; e assim é mesmo quando a gente tropeça.

Desse modo, a Encarnação é a chave hermenêutica, mas essa chave tem que abrir antes o meu coração. E isto só acontece no encontro entre a Verdade e a Vida. Ora, tal encontro só se dá no Caminho.

Por fim eu lhe digo que este site é um exemplo de como se deve ler a Palavra somente a partir de Jesus, da Encarnação.

A primeira vez que expressei essa noção por escrito foi no meu livro "Seguir Jesus: o mais fascinante projeto de vida". Se puder leia.



Nele, em Quem a Palavra está explicada em gestos, modos, atitudes, palavras e espírito,


Caio

Lendo o Novo Testamento no Caminho

LEITURA DO NOVO TESTAMENTO: cada pessoa no Caminho deve fazer a leitura do N.T. conforme a seqüência que se segue, sem leitura orientada, a fim de que cada um, de si mesmo, verifique o significado do Evangelho sem as leituras pré-condicionantes aprendidas na religião.

Os livros do Novo Testamento foram escritos na seguinte ordem: 1ª e 2ª Tessalonicenses; Gálatas, Efésios, 1ª e 2ª Coríntios, e Romanos; Colossenses, Filemom; Filipenses, 1ª e 2ª Timóteo e Tito; 1ª Pedro; Marcos; Mateus; Hebreus; Lucas; Atos; as Cartas Universais (as que restam – Tiago e Judas); João 1ª, 2ª e 3ª, Joao e 2ª Pedro; e Apocalipse.

CHAVE HERMENÊUTICA: OLHE PARA JESUS E VOCÊ ENTENDERÁ A PALAVRA. "O Verbo se fez carne...", sendo assim, a Encarnação torna-se nossa única e possível chave hermenêutica para entender a Palavra, a mim mesmo, o próximo e a realidade atual.

1. Deve-se ler existêncialmente a Bíblia como tendo seu espirito realizada em Cristo. Ele veio para cumprir tudo. Cumpriu? Sim! Está consumado! Mas cumpriu de uma maneira legal-aos-sentidos? Não! Prova disso que o cumprimento da Palavra em Jesus era justamente aquilo que os mestres da Lei em Seus dias chamavam de transgressão. Assim, há um espírito até na Lei. Jesus cumpriu esse espírito, não suas materializações!

2. Deve-se ler as "falas" de Jesus e não somente fazer (quando se faz) exegese do texto. Antes disso, deve-se perguntar: qual o significado desse ensino de Jesus para Jesus? E a resposta é uma só: veja como Ele lidou com a vida, com as pessoas, com os fatos! Conferindo uma coisa com a outra fica-se livre da construção de dois seres irreconciliáveis: o Jesus que viveu cheio de amor e graça, e o Jesus que ensinou coisas que só os interpretes autorizados conseguem "captar".

3. Desse modo, então, não se faz jamais uma interpretação textual que não coincida com o comportamento e com a atitude de Jesus na questão, conforme o Evangelho. Eu confiro tudo com o espírito de Jesus, conforme o Evangelho.

4. Só assim Jesus não fica esquizofrênico ante os nossos sentidos: o que Ele disse, Ele viveu; e o que Ele viveu, é o que Ele disse.

"Assim, Jesus é a chave hermenêutica para se discernir a Palavra, mas mesmo assim, eu só a conhecerei como Verdade, se eu mesmo a provar na minha carne; e isto é o que acontece quando a gente anda no Caminho; e assim é mesmo quando a gente tropeça."

Leia também:



O que vem primeiro: a Escritura ou a Palavra?


É pra comer. Não é pra conhecer o cardápio


Jesus lia as Escrituras

Estrada & Caminho

ESTRADA & CAMINHO

SALMO 84

INTRODUÇÃO

Esse é o salmo do peregrino. É o salmo que inspirou muitas gerações de pessoas na terra de Israel que reuniam-se uma vez no ano para irem ao templo adorar a Deus. Esse era o salmo do caminhante, era o salmo da jornada, o salmo da estrada. A medida em que eles iam se aproximando do templo, as alegrias do coração se manifestavam e o salmo era falado como uma jornada do caminho, como uma confissão da estrada de quem queria chegar num lugar da adoração. Nós não somos hoje pessoas do templo, o templo somos nós, não temos nenhuma devoção por pedras, colunas... Somos santuário de Deus, somos habitação de Deus no Espírito. Portanto, a leitura desse salmo já não nos serve como uma inspiração para quem está indo a um lugar de culto; seria de uma pobreza primitiva enorme a gente pensar assim. Mas, é sobretudo uma viagem existencial para esse lugar aonde Deus tem o seu pouso em nós e aonde nós temos o nosso pouso em Deus, aonde a gente se aninha em Deus no caminho.

"Quão amáveis são teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos!

A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!

O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes;

eu, os teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!

Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.

Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva.

Vão indo de força em força; cada um deles aparece diante de Deus em Sião. Senhor, Deus dos Exércitos, escuta-me a oração; presta ouvidos, ó Deus de Jacó! Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.

Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente.

Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia."


 


A GRANDE QUESTÃO DO CAMINHO, É COMO VOCÊ ANDA NO CAMINHO.

A gente costuma associar a vida a uma estrada... Há aqueles jargões cansativos que toda hora nos acomete do tipo: na estrada da vida. E é, sem dúvida alguma, algo útil para nós, pensar que a vida é alguma coisa que se assemelha a uma estrada. A imagem da estrada é útil para entendermos a idéia do caminho. É útil porque aponta numa direção, numa via, e é útil porque há um caminho na estrada, mas não há uma estrada no caminho. Ou seja, a imagem da estrada me remete para o fato de que estou andando na direção de algum lugar, isso me é útil porque na vida não existe essa opção de não se estar andando. Não existe essa chance de não ser e de não ir. De outro lado, essa imagem da estrada é útil para nós porque nos mostra isso.
No caminho de Deus que a gente anda, não existe uma estrada fixa, de modo algum. Na mente da gente, na maioria das vezes, quando se pensa em andar com Deus, o que se apresenta é uma idéia de uma estrada fixa. Aí alguém chega e diz assim: "Jesus é o caminho". Aí o sujeito imagina Jesus como sendo a BR-1 de Deus, um caminho fixo. Aí você diz: "Como é esse caminho?". Então a pessoa te apresenta o manual de doutrinas, e você aprende aquelas doutrinas. Chega até o ponto de pensar que Deus não te ouviu, se você não mencionar a Trindade na oração: "Pai eu te peço em nome do teu Filho, no poder do Espírito Santo". Se não usar as três nomenclaturas, Deus ficou chateado. Já vi gente ser interrompida ou, após uma oração, receber admoestação de alguém que disse: "Escuta, você não falou em nome de Jesus". Porque se você não completar o pacote da estrada com todas as sinalizações dela, parece que você não está indo a lugar nenhum.
Nesse sentido, a imagem da estrada não nos ajuda, porque nós não estamos caminhando num caminho fixo. Ele disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Não há fixidez, o que há é movimento na Verdade que conduz a gente na direção da Vida sempre. A estrada física conforme eu lhes disse é fixa. O caminho espiritual, por seu turno, é vivo e não é fixo. No caminho espiritual não existe fixidez da estrada, ou seja, o modo de caminhar e ver a estrada espiritualmente muda o caminhante e muda a estrada. Numa estrada física, fixa, não interessa como o caminhante caminha, a estrada é a mesma. Ele pode caminhar de maneira apressada, ou lenta, agitada, angustiada, calma, contemplativa, olhando em volta ou de maneira completamente alienada, a estrada é a mesma... Ele pode botar no automático e deixar ir. No mundo espiritual, no entanto, não é assim, não existe absolutamente nenhum chão fixo, por isso é que o justo vive pela fé, pisa no chão da fé e sabe sobretudo isto: o modo de caminhar e ver a estrada espiritualmente, muda o caminhante e muda a estrada. A estrada, acerca da qual a gente está falando hoje, é a existência de cada um de nós. Cada um de nós está numa estrada.


COMO É QUE A GENTE ESTÁ CAMINHANDO NESSA ESTRADA?

A estrada é chamada à existência, conforme o caminho do caminhante.

Isso que é extraordinário, porque a minha estrada não existe por si só, ela é chamada à existência conforme o meu caminhar. A estrada é conforme ela é andada, essa que é a verdade! Nesse sentido, a estrada física-fixa fica pobre para ilustrar o caminho espiritual. A estrada física não muda com os caminhantes, ela permanece a mesma. Mas a estrada espiritual é feita pelo andar do caminhante, é produzida pelos teus pés. Por isso não se pode apenas dizer para alguém: "Olha só, vê ali, Jesus é o caminho, anda nele". Porque isso não vai significar absolutamente nada para pessoa, a menos que a pessoa ande e experimente. Nós, cristãos, temos uma mentalidade religiosa que nos faz pensar em Jesus como Caminho relacionado a alguma coisa que se assemelha a uma estrada física e fixa. Mas não é. E aí é que está o engano, e é aí que as coisas vão ficando pedradas dentro de nós. Por que a gente fica pensando que pela entrada na igreja, pela via do batismo, pelo aprendizado dos nossos jargões, dos nossos chavões, pela capacidade que a gente tem de papagaiar e repetir coisas que a gente ouve, ou simplesmente, porque nós fomos batizados e temos o nome arrolado num rol de membros de uma igreja ou participamos de determinadas formas de culto com certa regularidade e nos dizemos cristãos, nós somos de Jesus. E não é. Não existe fixidez no caminho de Cristo a menos que você ande nele. Não é possível você simplesmente dizer: eu sou de Jesus; se você não anda no Caminho.

Essa mentalidade religiosa é que pensa no caminho de Jesus como se fosse uma estrada e que a gente pode botar o pé nela e andar do jeito que quiser. No caso da estrada, se a gente for andando, dado o tempo e o espaço, a gente chega lá. Todavia, o caminho espiritual não é assim. Você pode ter tido todas as informações que lhe façam pensar que Jesus é o Caminho, mas se você não andar conforme o Caminho, você não está no Caminho. E é aí que o bicho pega dentro de nós. O interessante é que a estrada física, como eu disse, não muda com os caminhantes, mas a estrada espiritual é feita pelo caminhante.

E aí eu queria que você pensasse comigo no seguinte: Lembra da parábola do bom samaritano? Ela ilustra perfeitamente o que estou querendo dizer, antes de chegar no salmo. O que a gente tem ali é um caminho, uma estrada, que ia de Jerusalém para Jericó... mesma estrada... está fixa lá até hoje. Você pode fazer o caminho romano antigo dos dias de Jesus até os dias de hoje, ela esta lá, com pedras daquele tempo, com cenários que não mudaram, uma estrada. Aí Jesus disse que, naquela estrada aconteceu uma coisa que envolveu cinco pessoas. Uma mesma estrada, cinco caminhos diferentes, uma mesma estrada que foi alterada pelo caminhar dos caminhantes. Um mesmo chão que virou chão diferente de acordo com a diferença da caminhada de cada um. O primeiro indivíduo que a gente encontra naquela estrada é um homem honesto, que saiu de casa e foi trabalhar. E no caminho para levantar o sustento para a vida, uma tragédia o acometeu. E ele foi deixado - largado, caído, assaltado, ferido, roubado, depravado e privado dos seus bens e do que tinha - ali abandonado. Caminho de um homem honesto roubado e largado na estrada. Tem um segundo homem nessa história, nessa estrada, é aquele que encontra o honesto que vem andando, querendo levantar o sustento para levar para casa e o assalta. Mesma estrada, um segundo caminho, caminho de violência, de expropriação, de covardia, de aproveitamento, de roubo, de engano. Mesma estrada, um homem honesto caído, um assaltante que se aproveitou da vida dele, e fez o seu próprio caminho. Aí passa uma terceira figura, um sacerdote, mesma estrada um terceiro caminho. O sacerdote vem e olha o homem, passa de largo, segue o seu caminho, caminho da indiferença, o caminho da incapacidade de se solidarizar, o caminho daquele que tem a sua agenda tão definida, que não tem espaço para qualquer parada. Esse é, sobretudo, o indivíduo que achava que a finalidade de cultuar a Deus num lugar sagrado, cumprindo uma liturgia, lhe era mais importante do que a parada para exercer a misericórdia com aquele que estava ali deitado. Uma mesma estrada, um outro caminho. Aí tem um quarto indivíduo que passa na mesma estrada, um levita. Ele viu o sacerdote passar e não fazer nada, e não fez nada também. Assumiu o caminho da omissão homicida, largou o indivíduo, fez que não viu, alienou-se, ligou o botão do auto-engano e se foi, insensível e impermeável. Aí vem um quinto indivíduo. Mesma estrada, um quinto caminho. Era um samaritano considerado herege pelos judeus, abominado pelo sacerdote e pelo levita. Mas ele passa e ele olha, e ele vê e ele se abaixa, ele socorre, ele cuida, ele pensa as feridas, trata delas, derrama sobre elas óleo e vinho. Cuida do indivíduo e o leva e o coloca numa estalagem e diz para o estalajadeiro: "Eu estou deixando aqui dinheiro, e se não for o suficiente, bota tudo na minha conta, porque quando eu passar de volta eu vou quitar tudo". A estrada para o primeiro homem era um meio de vida e ele caiu nela. Para o segundo homem era um meio de se aproveitar dos recursos do outro, era o caminho do aproveitamento e do engano. Para o terceiro homem, o sacerdote, era apenas uma estrada banal, aonde o que quer que acontecesse não lhe dizia respeito, porque ele era um desses indivíduos que se deslocava de um ponto para o outro e o que acontece no meio para ele não existe, ele é indiferente à vida. O outro é omisso, ele sempre olha para quem ele acha que lhe é superior na hierarquia, e diz: "Se ele não fez, porque que eu tenho que fazer". E há um aqui, para quem o caminho é o lugar de misericórdia, é o lugar onde a graça pode se manifestar e aonde o amor de Deus pode ser encarnado. Uma única estrada com caminhos diferentes. Isso nos ajuda entender e a discernir uma coisa fundamental para nós hoje: O caminho é chamado à existência pelo modo como eu ando.

Nós estamos todos aqui reunidos em Brasília, no Hotel Fenícia, cada um veio de casa, e eu não sei o que vocês deixaram em casa. Mas eu sei uma coisa, que ainda que a vida seja completamente idêntica para nós, nós todos temos diferentes caminhos de vida. Você olha em volta e você vê pessoas tendo as mesmas oportunidades, respondendo a elas de modo completamente distinto, e vê pessoas não tendo oportunidades e respondendo a essas não-oportunidades de modo também completamente distinto. Anteontem, eu recebi uma carta quando eu ia chegando aqui. Um rapaz extremamente discreto me deu essa cartinha e falou: "Por favor leia, mas leia, leia mesmo". Eu já estava atrasado, entrando, e só dei um sorriso para ele e botei a carta no bolso. E a carta dele está aqui. Olha só como uma estrada que podia ser miserável se transforma num caminho de vida, por causa do pé de quem pisa, de como pisa, de como vê, de como enxerga, de como interpreta e de como chama coisa a existência para sua própria vida. "Estou lhe escrevendo essa breve carta a fim de externar o quanto sou grato a Deus pela sua vida, gostaria muito de um dia poder compartilhar com você de maneira mais detalhada minha caminhada. Pude saber quem era o meu pai biológico e conhecê-lo, foi uma experiência libertadora quanto a rejeição que tenho por parte do meu verdadeiro pai humano. Meu pai tem, o primeiro deles, a saúde regular apesar da doença e minha mãe nunca pegou uma gripe sequer por causa do HIV, isso é motivo de alegria. Deus tem feito muito em mim e o sonho que tenho como oração diante Dele é que eu me veja pacificado, fazendo de minha própria vida uma mensagem, mesmo que doa, assim como doeu aos profetas do Antigo Testamento. E assim como sei que tem doído em você. Mais uma vez muito obrigado Caio".

Agora, pense em você. Eu faço atendimento de pessoas, e às vezes, a vontade que me dá é dar uma surra no cara. Tem pai em casa, mãe em casa, tudo bem, tudo certo, tudo legal, trabalho, emprego, saúde... Aí, há complexo para tudo que é lado, quanto mais a vida vai melhorando, mais complexificadas as pessoas vão ficando, mais cheias de manias. Lá na minha terra no Amazonas, nas barrancas dos rios, não existe depressão, o cara tem que cuidar de comer o pão, ralar mandioca, pescar de sol a sol, não tem tempo para se deprimir. Ou ele sai para trabalhar ou ele não come. Mas entre nós é diferente. A vida vai ficando mais complexa, a luxúria começa a habitar a alma, se instala no espírito como insatisfação crônica, e aí não interessa o que o indivíduo tem na estrada, a estrada pode ser a favor dele, pode ser ladeira abaixo, pode ser pastos verdejantes, pode ser como for. Aonde, ele puser o pé a estrada vai mudar, porque ele chama a existência o seu próprio caminho. Agora, você tem aqui, um cara com tudo para não estar se sentindo grato, para estar pedindo aconselhamento. Mas, ele chamou a existência um outro caminho, apesar da estrada ter sido perversa. A estrada foi horrível, mas o caminho está sendo lindo. A mesma estrada, a mesma vida, o mesmo chão, a mesma existência sob o mesmo sol, cercados pelas mesmas circunstâncias, caminhos diferentes. Porque o caminho está dentro de mim, o caminho está dentro de você. Isso foi só uma introdução para a gente chegar no salmo (risos). Só que eu prometo que eu serei mais rápido do que nunca.

****

Quando a gente olha para o Salmo 84, vê que ele nos dá esse referencial, de como é que a gente - andando na estrada, qualquer estrada, na estrada comum, na estrada de todos – pode ir tecendo nosso próprio caminho.


COMO FAZER NOSSO CAMINHO NA ESTRADA?

1- Em primeiro lugar, ele diz que isso acontece quando eu carrego meu ser enternecido Ter um ser enternecido é a primeira coisa. Gente amargurada, vai pisar em chão de amargura, qualquer que seja o caminho. O salmo fala de um coração enternecido. "Quão amáveis são teus tabernáculos, a minha alma suspira e desfalece", ele está apaixonado, "o meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo". O que você tem aqui, existencialmente falando, é um ser enternecido por Deus.

2- E, em segundo lugar, o salmo ensina que qualquer que seja a estrada pode virar caminho bom e caminho de Deus, se eu ando com a segurança de quem, se sabe, sendo capaz de encontrar pouso, refúgio, agasalho, apenas em Deus. Essa carta, que eu li hoje aqui, é de um indivíduo, que com doze anos disse que foi visitado por uma plenitude que ele não sabia nem qual era. Depois falou em línguas, ele disse: "O menor dos dons, e eu não achava que nem era crente o suficiente para receber aquilo, por causa da mentalidade de causa e efeito, de legalismo". Mas Deus violou o legalismo da criança, e derramou a graça dele sobre ela, razão pela qual hoje aos 24 anos de idade, a estrada é perversa, mas o caminho dele é bom. Olha só o que diz o verso

3- "O pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, eu encontrei os teus altares Senhor dos Exércitos". Essa segurança de quem pousa no ninho de Deus, Deus é meu pouso. Boa parte da razão pelo qual a estrada se torna insuportável, é porque a gente vive fantasiando, e criando e projetando, e imaginando e elocubrando coisas e cenários e situações que não são reais. E a gente faz sempre isso para o lado de fora, a vida só nos é boa se ela for pintada com um cenário exterior que nos agrade. E quando isso acontece na maioria das vezes, a gente vem a descobrir que o mundo pode estar pintado de paraísos, se você não carregar no peito o caminho da vida, tudo vai perecer e desvanecer diante de você. O coração encontra significado no caminho quando ele diz para si mesmo:"Eu não tenho bem nenhum senão a Ti Senhor. Tu és meu pouso". Quando Deus é meu pouso, quando Nele eu tenho meu tesouro, o meu refugio, o meu ninho, o meu agasalho, aí nada me faltará. Quando eu acho que as coisas que me faltam, me precisam ser dadas para que eu me sinta satisfeito, eu posso ter todas as coisas e jamais estarei satisfeito. No entanto, no dia em que meu coração estiver enternecido por Deus e que todo meu sentido de segurança, de agasalho, de carinho, de conforto, de aconchego estiver Nele, não importa qual seja a estrada, vai virar um caminho de vida. 

4- Mais do que isso, o salmo diz que a estrada se transforma num caminho de vida quando eu carrego dentro de mim um louvor existencial na casa do meu ser. Olha só que diz o verso 4: "Bem-aventurado Senhor os que habitam em tua casa, louvam-te perpetuamente". Lá no Velho Testamento, eu disse que era um caminho na direção do templo, hoje o templo está aqui. E é um chamado para um caminhar existencial de contentamento, aonde a gente olha a vida com outros olhos e aí qualquer estrada vai virar caminho de vida. 

5- E além disso, qualquer estrada vira caminho de vida, quando eu levo em mim a atitude de quem transforma vales áridos em mananciais. Olha os versos 5 e 6: "Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual passando pelo vale árido faz dele um manancial, de bençãos o cobre a primeira chuva". Esse vale árido, lá no texto hebraico é chamado de vale de Baca, uma das alusões a ele está lá no livro de Juízes, quando se diz que o povo chorou em Boquim, depois que tinham pecado contra Deus e o anjo do Senhor veio e falou com eles face a face e eles choraram muito e chamaram aquele lugar de Boquim. É daí que vem a derivação para o Baca. Ele diz que bem-aventurado é aquele que passando pelo vale de Baca faz dele um manancial. 'Vale de Baca' era o vale de lágrimas, é o lugar aonde os chorões cresciam e crescem. Até hoje das imediações de Jerusalém, quando você chega no vale de Efraim, você ainda vê uma quantidade enorme de salgueiros e de chorões e também de árvores que derramam uma resina, daí o nome ter sido vale das lágrimas também, tanto por causa da ocorrência no livro de Juízes, como também por causa desse significado vegetal de um lugar aonde as plantas choram. O caminho para o templo passa por ali, que é também vale dos gigantes, vale de Efraim. E se diz: Bem-aventurado é homem que passando pelo vale de Baca, o vale árido, faz dele um manancial, de bençãos o cobre as primeiras chuvas. Mesma estrada, mas o caminho pode ser diferente. Estou dizendo isto porque eu fico chocado com o fato de que todos os dias eu ouço gente dizendo que é de Jesus e que está no caminho, mas você olha para vida do indivíduo... E isso não tem nada haver com ter, com possuir, com adquirir, com crescer do ponto de vista material. Tudo isso é 'bobajada' que vem sendo ensinada por nós e para nós nas ultimas décadas. Todo essas coisas tem o seu lugar mínimo e Jesus disse que se nós nos atrelarmos muito a elas, corremos o risco de perder a alma e o coração. Elas estão ao nosso serviço e não nós serviço delas, e muito menos tendo-as como bens do nosso ser. Fazer isso é caminho de destruição, mas eu fico vendo as pessoas dizendo: eu tenho Jesus, eu sou alguém que crê nele. Mas como alguém disse hoje de manhã na hora do almoço: mas a gente não vê os resultados, não aparece nenhum resultado. Andar no caminho tem que produzir resultado. Se eu não puder ser de Jesus e na hora de passar no vale árido, no vale de Baca, no vale de lágrimas, transforma-lo num manancial, que fé é essa que me anima? Que caminho é este? Se eu não puder enfrentar a dor, a perda, a lágrima, com um bálsamo da Graça de Deus. Se eu não puder ter dentro do coração: a visão, a imagem, a fé, a certeza, a esperança de que eu posso cavar poços no deserto, porque Deus na sua Graça vai enchê-los, vai chover sobre eles, a minha estrada vai ser sempre uma estrada de morte, de amargura, de frustração, de decepção, de perda, nunca será caminho de vida, jamais. 

6- A estrada vira caminho de vida também, quando eu levo em mim a consciência da mutualidade como mandamento da jornada. Ou seja, eu não estou andando só, eu preciso de você, e você de mim, é nessa troca que a gente vai. Subitamente o texto passa a ser plural no verso 7, e diz: "Vão indo de força em força, cada um deles aparece diante de Deus em Sião". É um ajudando o outro. Nesse caminho, infelizmente, o que a gente mais encontra é um passando a perna no outro, julgando o outro, medindo o outro, avaliando o outro, por isso que não é caminho, é só estrada. O que a gente precisa admitir é que a maioria de nós não está no caminho, a gente está na estrada da religião, e na estrada da religião é assim olho aberto. Conforme Jesus disse: símplices como as pombas e prudentes como as serpentes, porque tem fariseu na reta. Religião não te oferece um caminho, te oferece uma estrada e é bom você ser esperto. Agora nós estamos falando de caminho, e no caminho "um ao outro ajudou e ao seu próximo disse: Sê forte!" No caminho um levanta o outro. No caminho a gente não quer saber quem é o indivíduo caído, a gente só quer saber que ele está caído. No caminho o samaritano é o herói da história do amor fraternal. E ele não faz perguntas. No caminho não existe discussão religiosa, no caminho ninguém diz: "Você aceita Jesus antes de eu lhe fazer este bem?". No caminho ninguém diz: "Os assaltantes o assaltaram porque você não estava com o anjo do Senhor acampado ao seu redor". No caminho ninguém diz: "Olha se você fizesse a confissão positiva e dissesse: Eu declaro bandido, tu estás amarrado. Ele não teria te assaltado". No caminho a gente levanta, a gente se dobra, a gente cuida, a gente não faz perguntas, a gente carrega, a gente leva. No caminho não tem proselitismo, não tem prosa, não tem conversa fiada, tem ação, tem amor, tem misericórdia, tem graça, tem vida, tem gesto. A maioria de nós está na estrada da religião cristã, poucos de nós estamos andando no caminho de Jesus, e é só quando nos dermos conta disso que temos alguma chance de ser salvo da estrada, para poder, no chão da vida, ver o caminho mudar debaixo de nossos pés. Porque é o caminho da fé que chama o próprio caminho da vida à existência para nós. 

7- E ainda, a estrada vira caminho, quando a gente leva consigo a certeza, de que há o Deus de poder na nossa vida e de graça nesse caminho. Os versos 8 e 9 fazem essa evocação dessas duas realidades de Deus: Senhor Deus dos Exércitos, dos Exércitos, do poder, escuta minha oração, presta ouvidos, ó Deus de Jacó - do cara ambíguo, o Deus do 'vermezinho', o Deus do homem que tem luz e que tem sombras, o indivíduo que carrega todas as dualidades da vida. No caminho, eu sei que eu conto com essa assistência: há poder e há graça. Isso não é retórica, isso é fato. E bem-aventurado é aquele que crê nisso e toma posse disso. 

8- E a estrada seja ela qual for, vira caminho de vida, se eu ando com a consciência de que o que vale na vida não é quantidade, mas é qualidade. Eu achei tão bonitinho quando ele disse: "Passei aqui no concurso público e agora eu posso manter a mim mesmo". "Manter a mim mesmo!" Nós estamos tão empedernidos que a gente não consegue mais nem ter a sensibilidade de discernir a benção que significa manter a si mesmo. Comer o pão com dignidade, beber com dignidade. A gente acha que se for de Deus uma mansão nos aguarda no lago. Se você tiver aleluia! Convide os irmãos, me chame para ir lá eu vou com muita alegria. Mas pelo amor de Deus, não faça disso seu sonho de consumo. Paulo disse: "Tendo com que comer e beber, e vestir, e viver com dignidade, sejamos gratos". Bela essa singeleza: Deus me deu os meios de poder manter a mim mesmo. Essa gratidão muda todo o cenário no caminho. Quem não consegue olhar para vida com contentamento, jamais vai se contentar com coisa alguma na vida. "Eu aprendi a viver contente em toda e qualquer situação, tanto sei estar humilhado como ser honrado, tenho experiência de tudo, tanto de abundância quanto de escassez. Tudo posso Naquele que me fortalece". O que este cara está dizendo, é que tanto faz a cara da estrada, ele faz o caminho com contentamento no coração. O verso 10 nos diz isso: "Pois um dia nos teus átrios, vale mais do que mil". Qualidade vale mais do que quantidade. Prefiro estar a porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. 

9- E por último, a estrada se transforma no bom caminho quando eu ando com a certeza de que Deus é a luz do meu caminho, é o escudo, é a proteção da minha jornada. E que Nele eu posso confiar sem duvidar, porque Ele não sonega sua graça a mim, nem a ninguém. E a provisão de Deus para mim é sempre: bem. Olha só os versos 11 e 12: "Porque o Senhor Deus é sol". Sol, o Senhor Deus é sol. Você vai andar nesse caminho seja qual for a estrada, pode ter certeza alguns vão dizer: não estou vendo nada. Mas se você estiver andando no caminho conforme aquele que faz o seu caminho pisando no chão da graça e da misericórdia, esse vai dizer: "O Senhor Deus é sol e escudo, o Senhor dá graça e glória, nenhum bem sonega aos que andam retamente. Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em Ti confia".


CONCLUSÃO

Eu falei tudo isso apenas para falar o que vou dizer agora, e se você não ouvir o que eu vou dizer agora, não interessa o quanto você ouviu do que eu disse antes. O que eu quero te dizer com o meu coração mais amigo, mais irmão, é que a maioria de nós, apenas existe na estrada da religião. Para maioria de nós, Jesus é o líder da religião cristã. Por isso a gente não devia nem ficar chateado quando ele é colocado naquela lista dos 100 mais. Eu vejo os crentes chateados: botaram Jesus na lista dos 100 mais, das 100 maiores personalidades da civilização humana. Eu digo: bem feito, vocês é que fizeram dele o líder do cristianismo. Então ele é colega de Maomé, de Buda, de Confúcio, de Zoroastro, de Kardec, ou de qualquer outro líder que apareça por aí. Esse é o Jesus da estrada, esse é o Jesus que a gente oferece num catecismo, que a gente dá num livrinho de discipulado. (Acho engraçado essa história de discipulado. O que que você está fazendo? "Discipulado". O que é isso? "Eu me reúno de segunda, quarta e sexta, com uma irmãzinha que abre aquele manual que o pastor escreveu, mal escrito. Na maioria das vezes, ele não sabe nem o que está acontecendo, ele copiou de algum americano, que é mestre em fazer receita. Porque os Estados Unidos foram os que desenvolveram essa fé de liquidificador, de manual eletrônico: quatros passos para salvação, doze para prosperidade, sete para pacificação, é tudo assim. É a fé da estrada. "Curva perigosa". "Chão derrapante". "Posto de gasolina a 30 km": é o congresso para qual o indivíduo vai. "Fast-food" é o culto. "Shopping a direita": são algumas igrejas que só vendem fetiche. Aí o cara fica pensando que isso é andar com Jesus. Discipulado... Onde é que se já viu discipulado ser 12 lições, 24, 320. Jesus disse "segue-me pela vida", gente. Discipulado é aprendendo, quebrando a cara, arrebentando dente, levantando, socorrendo o caído que não tem nome, sendo socorrido na hora que você não esperou que ia cair. É aprendendo...) O Caminho gera Verdade, e a Verdade acontece na Vida. Não é nenhum outro manual. O caminho de Jesus é na vida. Discípulos de Jesus são formados não em cursos, mas no curso da existência.

A maioria de nós ainda está na estrada da religião. O convite de Jesus é para você vir para o caminho da vida. E aí você vai descobrir que a estrada é mesma, que a vida é perversa, que a existência é absurda, que há todas as razões para ser nauseante e insuportável; que não há justiça mesmo, que as injustiças grassam, que o trabalhador pode sair para trabalhar e ser assaltado, o assaltante pode estar o tempo todo de olho simplesmente para ver a melhor hora de te tomar tudo. É o caminho dele, na estrada que é tua. O sacerdote pode passar e dizer: 'Esse aí já não tem mais o que dar, se ele estivesse pelo menos rico, eu iria ajudar para ver se ele dava uma oferta lá na sinagoga.' Aí vem o levita, "Eu sou discípulo do sacerdote", ele diz. "O sacerdote não fez nada, eu não vou fazer nada também, esse aqui não é o meu caminho". Ele pode até espiritualizar: "Não é a minha vocação". Está tudo tão esquizofrenizado, que o cara diz: "Não, o Senhor me chamou para interceder, eu vou andando pelo caminho, intercedendo por ele, que o Senhor mande alguém que cuide dele". Ai a gente fica achando, que nós somos os bons desta vida. E Deus ironicamente, Jesus de maneira irônica e caustica, elegeu para ser o herói do caminho, o anti-herói da nossa estrada. O samaritano, o herege, é o anti-herói da estrada da religião, e é o herói do caminho da vida. Hoje o que eu queria é que você fizesse uma decisão: se você quer continuar a ser um cara da estrada ou se você quer ser do caminho. Não há nenhuma promessa de que o mundo vai mudar, Jesus disse: "No mundo tereis aflições". A profecia está feita. "Mas tende bom ânimo, eu venci mundo".

O milagre é que a estrada pode ser a mesma, mas o caminho será diferente. Porque você vai chamar o caminho à existência, conforme você pisa no chão da vida. Acaba aqui também a lamúria, o queixume. "Ai meu Deus porque que a vida foi tão madrasta para mim, quanta injustiça que eu sofro, logo eu que sou essa mulher devota, e santificada, que me preservo para o Senhor e só encontro canalha".

Minha querida na estrada está cheio de canalha. Por que você não chama a existência o seu caminho, pisando de outra forma, olhando de outro modo, discernindo por outra perspectiva, entendo a si mesmo e aquilo que significa valor para você de outra forma? Hoje eu queria em nome do Senhor Jesus, convidar você a dizer: "Senhor, a estrada é comum para todos nós, ajuda-me a fazer o caminha da vida. E eu não quero ser um indivíduo da estrada religião que é física e é fixa. Eu quero caminhar no caminho da vida e da verdade em Jesus". Porque o caminho muda, conforme eu mudo no caminho, e o meu caminho vai mudar, conforme eu olho o caminho mudado. Bem-aventurado é o homem que passa vale árido e faz dele um manancial. Ele carrega no coração os caminhos aplanados. O caminho só muda do lado de fora, quando ele muda do lado de dentro. Não existe nenhum caminho do lado de fora que vai lhe ser bom, a menos que você carregue um bom caminho no coração.

Esqueça a Jesus como estrada doutrinária e fixa. Ande no caminho vivo, onde o que vale é o seu modo de caminhar. Como é que você tem caminhado? O que vale é o seu modo de caminhar. É só o que vale, meu querido, é o seu modo de caminhar.

A gente fica pensando que o que faz diferença é o QI. Nós somos muito bobos. Os seres mais maravilhosos que eu conheço chegam a ser quase estúpidos do ponto de vista do QI. São os Forrest Gump que estão por aí, que podem simplesmente dizer: olha, eu não sei muita coisa, mas eu sei o que é amar. O que importa é o seu modo de caminhar. A gente fica invejando o caminho dos perversos, dos malfeitores, fica com dor de cotovelo porque o cara é ladrão. "Ó Senhor porque Tu não me visita com a prosperidade do fulano". Você sabe quem é o fulano? Ele é o assaltante da estrada, meu amigo. Nessa estrada se você não tiver opção, se você não puder ser o bom Samaritano, peça a Deus para ser o roubado. Sério! Se você não puder ser o bom Samaritano, só não seja o bom Samaritano se você for o roubado. Porque ainda está em mil vezes melhor situação do que o sacerdote, o levita e o ladrão. Mas tem gente pedindo a Deus a benção de ser o ladrão. Quando eu fico vendo, de quem que as pessoas tem inveja, elas tem inveja do ladrão, do ladrão religioso, do ladrão político, do ladrão em vários lugares, em várias situações da vida. Ladrão existencial. Porque o modo do caminho que você ambiciona é o modo da morte. Tem gente que ambiciona o caminho do sacerdote, é aquele cara tão imponente. O sonho de consumo de alguns pastores é andarem cercados de 5 seguranças. "Olha que maravilha, tenho um carro blindado". Você pode imaginar um negócio desse, um homem de Deus que sonha em ter um carro blindado. O que eu já vi e ouvi de pastores dizendo assim: "O Senhor tem nos abençoado muito, a nossa igreja cresceu muito, cresceu tanto que inclusive eu tive que contratar 5 seguranças". O sonho dessa cara é ser o sacerdote. Que caminho é esse? Ou o do levita, o egoísta, só pensa na sobrevivência e na alto preservação, o negócio dele é: não me tocou tá bom, to nem aí, to nem aí, to nem aí.

Nessa estrada só tem dois caminhos de vida, ou do cara que quase foi morto porque estava andando no caminho da dignidade, ou do outro que não teve medo de ser morto porque estava andando no caminho da misericórdia. Isso muda tudo, altera tudo gente, você passar a olhar a vida assim. Teu pai não vai mudar, nem a tua mãe necessariamente, nem os vizinhos, nem a escola, nem o trabalho, mas você vai mudar, e o seu caminho vai mudar de maneira assustadora.

Eu passei por muita coisa difícil nos últimos 7 anos, eu podia ter ficado completamente amargo, ter adoecido, irrecuperavelmente triste. Mas eu encontrei os teus altares Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu.
Faz 3 meses que eu perdi um filho... amado! Estou morrendo de saudade dele... estou aqui com perfume dele... esse cheirinho aqui é dele... do perfume dele.
Mas a vida tá bonita!
Porque o caminho não é a estrada que faz, você é que faz. Na estrada pode acontecer tudo, mas tudo que aconteça não será nada, se não acontecer contigo, ou se você processar como vida, e não como morte.
O caminho de Deus é caminho de graça, de misericórdia, quem olha a vida com graça e com misericórdia, jamais ficará amargo. Sempre vai entender que por trás de qualquer tranco, tem bondade, tem um bem guardado, tem um tesouro oculto, tem no mínimo uma palavra que diz: "o que eu faço tu não sabes agora, compreendê-lo-ás depois".

Aí você começa a descobrir que seu coração vai melhorando, que a sua visão vai ficando mais clara, que o que tem valor salta, que o que não tem valor fenece. Aí você começa a descobrir que você não precisa de nada além de um ninho, e que esse ninho está em Deus. Suas inseguranças vão diminuindo, os lugares estranhos vão ficando diferentes. Até aquilo que você abomina, na hora que o caminho muda dentro de você, a estrada fica diferente fora de você. Até aquilo que antes lhe parecia completamente intolerável e insuportável, perde o significado de intolerabilidade. Quando o caminho mudou em ti e você pela fé pisou com atitude de gratidão e de contentamento no chão para ver que o caminho esta sendo feito pela gratidão e nem a estrada ruim resiste a chegada desse novo caminho. Agora isto acontece com Jesus enquanto a gente vive. Para que isso aconteça, você não pode ter medo de viver, você vai ter que viver! E viver pela fé, e viver desassombradamente e viver como quem contabiliza todas as coisas como lucro. Lucro. Tudo é lucro no caminho, meu querido.

Se você ouviu e entendeu, e se o Espírito Santo falou com você e você hoje diz para si mesmo: "Ó Deus, me perdoa! A vida está tão feia, porque meus olhos são feios. A estrada está tão maligna, porque meus olhos estão impregnados de treva. Mas, eu aprendi hoje que o importante não é a estrada, o importante é como eu caminho. Ajuda-me a caminhar no caminho da vida, da gratidão, do contentamento, da fé, da misericórdia, da graça, e não deixe que eu fique impressionado com nenhuma estrada. Por que o importante é o modo como a gente caminha".

Daqui a uns anos a gente vai olhar para trás, e o que vai ficar não é a inteligência, nem a burrice, não é a riqueza e nem a pobreza, não é afluência e nem a escassez; a única coisa que vai ficar é o modo como você caminhou. João Batista teve a sua cabeça cortada e oferecida num banquete num prato para satisfazer a volúpia provocada por uma dança. Aparentemente um trágico fim, mas o modo do caminho dele, fez Jesus dizer: "Em verdade vos digo que dos nascidos de mulher ninguém foi como João".

O que importa, meu querido, não é o que te façam; o que importa é o que você faz de você mesmo na presença de Deus. É o modo como você caminha. E se você hoje, recebeu o chamado do Espírito de Deus no fundo do seu ser, para não ficar mais impressionado com a estrada, vai fazer um compromisso de um caminhar diferente, pela fé, sabendo que o que importa é o modo do caminhar. E que se a gente caminha, conforme o caminho, cada passo chama a existência uma coisa nova e boa. Não importa qual seja a estrada, o caminho será de vida.

Se você ficou convencido disso e quer hoje, fazer a oração daqueles que pedem a Deus para desintoxicá-los da estrada, das exterioridades, da religião, das comparações, das invejas, das ambições malignas, das frustrações que projetam o tempo todo para nós alvos inalcançáveis, enquanto o individuo deixa de aproveitar o pão nosso de cada dia, e a alegria de hoje, e a celebração de Deus hoje. Sabendo que grande não foi Nabucodonozor, maior do que ele foi João Batista, que comia gafanhoto, bebia mel silvestre e vestia roupa de camelo.

Você tem que decidir se você quer uma estrada pavimentada, uma highway para os homens ou se você quer andar no caminho de Deus, onde a alma anda sempre rica não importa o que aconteça. Se você tomou essa decisão, isso vai revolucionar sua vida, vai mexer com toda sua existência. Se você olhar assim, apreciar assim, contemplar assim e souber que a vida vai em cada passo, está no modo, está no "como" da caminhada, aí bem-aventurado você será!


Caio Fábio

Acesse www.caiofabio.com:
Um portal virtual... Um Caminho real!

Mensagens do Pr. Caio Fabio

Para ouvir uma mensagem, basta clicar em um dos links abaixo:


 

Alívio para as Cargas da Vida - Mateus 11


 

A Cama Curta - Isaías 28


 

Peco porque sou pecador - 1 João 1


 

O verdadeiro culto sadio - Efesios 2


 

Espiritualidade cristã em um mundo pagão - 2 Co 12


 

Simplesmente Crer no que é Simples - 2 Reis 5


 

Morte na Panela - 2 Reis 4


 

Pau que Nasce Torto, não Morre Torto - 2 Cr 33

Um caminho feito de gente: identificação!

----- Original Message -----
From: UM CAMINHO FEITO DE GENTE: identificação!
To: contato@caiofabio.com
Sent: Monday, March 27, 2006 6:48 PM
Subject: Identificação no Caminho


Graça e paz, pr. Caio,

Depois que descobri seu site, não consigo mais ficar sem ler todos os dias suas mensagens e respostas de cartas que ajudam nas minhas questões pessoais, e ainda ajudam a gente (a quem lê) se humanizar e se ver semelhante a todo ser humano.

Felizmente estou longe da idolatria que "pega" muita gente quando se apega a alguém que lhe faz cafuné na alma.

Como tem ovelha satisfazendo ego de pastor por aí!

Que Deus o livre!

Oro para que o sr. continue sendo pastor de almas. Senti-me encorajada a escrever-lhe, depois de muita relutância, ao perceber a ternura com que atende as pessoas que visivelmente estão machucadas, clamando por socorro, entre as setas inflamadas do inimigo invisível e o chicote da culpa assumida que, visivelmente, atormenta as consciências, por não faltarem acusadores (até mesmo a própria consciência).

Ouso aqui expressar meus sentimentos, que tive depois do encontro das Estações em Brasília; sentimentos aos quais chamo de "Identificação":

Mesmo que quando somos quebrados e feitos de novo, continuamos de barro e todos da mesma argila (Já vi algo seu escrito nesse sentido). Assim, de Força em Força, de Fé em Fé, de Fraqueza em Fraqueza, nos identificamos.

Acredito que o sr. já se identificou com Jó, com Jonas, Jeremias, João... Jesus. E ainda, com Pedro, Paulo e com tantos outros Pescadores, Pregadores e Pecadores...! (as consoantes iniciais são meras coincidências, rsrsrs).

O Caminho da Graça parece um sonho meu que Deus está realizando com homens valentes e destemidos como vi aí em Brasília.

Não me sinto tão mal, porque vejo tantas pessoas que, como eu, estão cheias de dúvidas e inseguranças...; mas tudo o que eu desejaria era re-começar... Como Lutero, que se retornassem à Palavra...

Vejo o Caminho da Graça acolhedor das gentes que, sem perder a identidade, perderam-se no in-conformismo que gera dor e sofrimento. O Caminho é como o rio que se renova a cada movimento, a cada ação do vento. E o vento sopra aonde quer. No Caminho nunca se está sozinho. No caminho de Emaús os dois discípulos desolados caminhavam solitários até que Jesus lhes fez companhia. Com Ele algo novo acontece, brota um ardor de alegria no coração, gera uma nova disposição que faz ir em direção aos outros semelhantes nas diferenças. No Caminho vão todos à mesma direção, incluem-se e se solidarizam. Não há espaço para partidos e facções, pois, todos têm o mesmo espírito, uma só fé, um só Senhor.

Esse é o ponto diferencial, ideal ou real?

Porque não é a pregação que está de todo errada na igreja, mas é a prática do que se prega.

O amor sofre o processo de esfriamento a partir do púlpito que, paradoxalmente, como cera derretida, a gota cai congelada.

Já não é a ovelha desgarrada que bale sozinha, mas as ovelhas encurraladas gemem de solidão na indiferença, na falta de comu-nhão . As ovelhas precisam encontrar águas tranqüilas no Caminho e pastagens verdes porque estão morrendo de inanição.

Que a Palavra de Deus, pela sua instrumentalidade, inteligência e ousadia, seja cada vez mais o alimento vital de muitas almas famintas e carentes. Esta é a minha oração.

Já lhe mandei um poema, não sei se o sr. viu. Vou ficar muito feliz se receber pelo menos uma palavra sua de que viu esta carta. Abraços ao sr. e Adriana.

Que Deus os sustente e guarde.

Com muito amor,

Antônia
_______________________________________________________

Minha querida Antônia: Graça, Paz e Alegria no Espírito Santo!

Sim, já houve tempo em que o problema na "igreja" era 'apenas' o de que o discurso de "amor cristão" não combinava com a prática eclesiástica. Entretanto, esse tempo passou para cerca de 97% das "igrejas"do Brasil já faz tempo.

Hoje nem o discurso hipócrita de amor cristão existe mais. A coisa toda virou guerra, conquista, poder, domínio, espírito de controle e dominação explícitos; e muitas outras perversãoes, que vão da mensagem (a qual anda moribinda na boca da "igreja") à toda sorte de manifestações pagãs. O que transforma a "igreja", como ela se tornou hoje, em algo tão ou mais pagão do que o que havia nos dias de Lutero, conforme sua alusão.

O que nós temos hoje tem na "igreja universal" o motor de algo que carrega, em maior o menor medida, o mesmo "espírito". Sim, ainda em 1994 eu vi que a "igreja", na prática, havia escolhido o modelo pagão da "universal", abandonando de vez qualquer sonho que pudesse ser dignamente evangélico em relação a ser relativo ao Evangelho.

Daquele tempo em diante minha angustia pessoal era descobrir como sair "daquilo". Sim, de fato e de verdade, eu não queria mais ser parte daquilo de modo algum, mas não sabia o quê e nem como fazer.

Hoje seu sei que tudo o que aconteceu (conquanto seja responsabilidade minha em tudo quanto me disse respeito), teve a mão poderosa de Deus. Sim, hoje eu sei que "aquele mal veio da parte do Senhor".

As dezenas de sonhos-visões que Deus me deu entre 1997 e 2000, todos falavam do mesmo tema, e estavam carregados da mesma mensagem: "Esse mal vem da parte do Senhor".

O difícil no meio da confusão ainda em curso era saber que bem pode estar oculto em tal mal que vinha do Senhor!

Entretanto, o tempo, o vento, o sopro, o toque, o balançar, o mover, o agir sutil e poderoso de Deus, vai trabalhando em todas as coisas; e, sem que se perceba, Ele mesmo começa a chamar à existência coisas que a gente já nem crê mais que ainda possam ser possíveis.

Desde jovem que minha atenção foi chamada para a expressão "os do Caminho", referindo-se ao discípulos; e "este Caminho", referindo-se ao Evangelho; as quais acontecem no livro dos Atos dos Apóstolos; quase sempre em alusão a algo referente a Paulo.

Todavia, depois de um tempo, gradualmente, em minha mente foi se formando a idéia de que o termo "igreja" perdera seu significado original, e, pelo uso milenarmente pervertido, a expressão já não era mais útil para designar a jornada individual e comunitária dos discipulos de Jesus.

De fato, a idéia de "igreja" ficou tão possessa de outros significados que usar o termo fala da antítese do que se desejaria expressar, conforme o Evangelho.

Jesus, entretanto, só falou em 'igreja' duas vezes; tendo, todavia, falado da fé como algo que se manifestava no discipulado, como indivíduo, e nos discípulos, como ajuntamento andante, dezenas de vezes.

Assim, a ênfase existêncial de Jesus no discípulo é algo que diz muito acerca do que é importante e saudável. Além disso, a descrição que Pedro faz de Jesus, em Atos, quando diz que Ele "andava fazendo o bem por toda parte", mostra a total despreocupação de Jesus com qualquer outra coisa que não fosse, antes de tudo, fazer o bem em toda parte.

É por esta razão que não o vemos "montando" ou "articulando" uma "igreja" em lugar algum. Ao contrário, conquanto Ele fale em "edificar a sua Igreja", ao mesmo tempo, Ele parece não fazer nenhum esforço semelhante aos nossos, no sentido de "edificar" uma "igreja" do mesmo modo como há muito se crê e se imagina que seja o "interesse de Deus".

Jesus não plantou igreja em nenhum chão que não fosse o do coração das pessoas!

Não há Nele nenhuma manifestação de posse geográfica sobre qualquer novo ser que lhe cruze o caminho.

Sim, Ele cura, liberta, perdoa, acalenta, exorta, acolhe, etc...; porém, em momento algum Ele diz qualquer coisa ao novo "convertido" que seja do tipo: "Fique aqui ou você se perderá!"

Muito pelo contrário, o tempo todo o movimento que Ele propõe é outro. Quase nunca é um "fica"; mas quase sempre é um "vai". E quem "fica", fica apenas para ser ensinado a "ir", enquanto vai...

E a ordem Dele é "indo façam discípulos..."; o que sugere movimento, andança, semeadura, cuidado, e multiplicação de novas consciências segundo o Evangelho; tudo, entretanto, acontecendo enquanto se vai...; ou seja: no caminho.

Pessoalmente eu creio que boa parte da doença da "igreja" vem desse "ficar", o qual forma grupos e partidos, e estabelece um relacionamento clubesco e viciado; visto que a ordem foi invertida, pois os chamados para fora, ficarem presos confortavelmente do lado de dentro; e pior: crendo que somente do lado-geográfico-de-dentro é que residem todas as coisas de Deus.

Portanto, nesse caso, a "igreja" se vê como "despenseira" da graça de Deus não como quem dá, mas como quem "guarda" e se sente "dona" dos bens de Deus.

O que vai acontecer conosco? Sim, andando como quem busca andar como gento "do Caminho". Sinceramente eu não sei como será, embora saiba o que seja. O que sei é que não tenho nenhum medo de andar conforme a minha consciência do Evangelho na presença de todos os homens.

Não me envergonho do Evangelho; e isto nada tem a ver com ser ou não "evangélico".

No meu caso, a fim de poder dar testemunho para os "evangélicos", tendo sido um deles por muitos anos, e entre todos, um dos mais ouvidos, aprouve a Deus me derrubar aos olhos deles, fazer-me provar os juízos, as afrontas, os desrespeitos, e tudo o mais que da maioria dos "líderes" evangélicos me veio; bem como, a indiferença que "desconhece" você quando sua presença se faz sentir, a qual me foi manifesta por muitos irmãos e dantes amigos — tudo isto para me libertar de tais muralhas; e, de fato, me dar a chance maravilhosa de pregar as insondáveis requizas de Cristo "fora dos portões" da Cidade Amuralhada na qual a "igreja" se tornou.

Assim, o que era trágico se me afigurou, posteriormente, um ato soberano e libertador de Deus; salvando-me de viver o resto da vida com aquele grito sufocado na alma; grito esse que, por mais que eu o expressasse, ainda assim me parecia insuficiente, posto que eu falava "de dentro", como quem validava algo que minha própria alma abominava.

Estou dizendo tudo isto para concluir afirmando o seguinte:

No que me diz respeito jamais faria viagem tão dolorosa para buscar repetir justamente aquilo que minha alma sente e vê como perversão do Evangelho!

Assim, levados pelo vento e andando sem saber para onde estamos indo, mas apenas e suficientemente com Quem estamos aindo, prossigamos sem temor!

Nele, que é o Caminho, e o Senhor de todos "os do Caminho",


Caio

A todos os que querem uma Estação do Caminho...

----- Original Message -----
From: A TODOS OS QUE QUEREM UMA ESTAÇÃO DO CAMINHO...
To: contato@caiofabio.com
Sent: Monday, September 19, 2005 2:59 PM
Subject: O desabafo de uma alma!


Amado amigo Caio,

Me desculpe chamá-lo assim, sendo que ainda não o conheço pessoalmente, mas é assim que sinto você!

Graça é apenas o que peço ao Pai sobre sua vida! Que você esteja bem... e do mesmo modo toda sua família!

Já há algum tempo tenho lhe escrito a respeito do desejo de ter entre nós uma "Estação do Caminho". Falei da minha decepção com a igreja e com o ministério, pelo menos na forma como hoje são concebidos. Trocamos algumas palavras... e você - sempre muito atencioso - sugeriu que iniciássemos algo aqui.

Caio, tenho buscado crescer no conhecimento da Graça, e isto de forma existencial e vivencial. A cada dia busco compreender melhor a dinâmica desta Graça em minha vida, e na vida daqueles que estão comigo... Confesso que fazendo isso... me vejo numa situação existencial onde "já não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim". E é este fato-existencial que às vezes me deixa angustiado. Sei que "sou Nele algo que ainda não vejo em mim"! É esta tensão de ver que em minha vida ainda reside tanta coisa errada... que me deixa louco.

Sabe?! (choro...) Tudo isto me faz sentir "desqualificado" como pastor (não vejo que ser pastor seja ocupar um cargo - abomino o clericalismo evangélico-farisaico), e também como pessoa capaz de falar algo sobre a vivência da fé.

Me sinto um homem fraco, com muitas falhas... um não-merecedor de estar numa posição que muitos me colocam, ou desejariam que eu estivesse.

Falo isso, pois algumas pessoas sempre me pedem para as orientar..., pastorear..., pregar..., ensinar... Mas na verdade, sinto que sou eu quem precisa de orientação e pastoreio.

Não sei se consegui exprimir de forma clara a situação de minha alma... Estou em luta comigo mesmo!

Bom... nesses dias passados tenho acompanhado o site, e me senti indignado com as coisas que li. Meu Deus! Onde vamos parar com toda essa loucura! Caio, o que andam fazendo com a Boa Palavra?! (ahh... fiquei sabendo que este insano Nabucoterranova estará pregando numa conferência aqui em BH. Fico imaginando que loucuras serão propagadas por aqui).

Sabe irmão?! Louvo a Deus por tua vida e por este site... pois ele tem sido um porto seguro para muitos irmãos e irmãs que já andam desesperançados com a igreja - "sou um dentre estes muitos". Na verdade, chutei o balde... o pau da barraca... e tudo aquilo que expresse a mediocridade desta fé chamada "evangélica". Já não quero ser evangélico! É feio! É triste!...

Diante de tudo isso... estou perdido, amigo!

Não sei como fazer o que deve ser feito. Não sei para onde ir. Não sei com quem estar... Apenas sinto que algo tenho a fazer... mas não sei como, e nem me sinto a altura. Andam fazendo muita loucura em nome de Deus... e com isso, são muitas as pessoas que andam doentes e sem saber o que fazer. São ovelhas que andam sem aprisco e pastor.

Amigo Caio, Jeremias é meu profeta preferido. Um homem de carne-e-osso-cheio-de-Deus! Me identifico existencialmente com Jeremias em muitos sentidos. Vejo que o tempo de hoje é similar à situação vivencial de Jeremias.

Um povo – amado-de-Deus – que se afastou da Graça revelada na Aliança e que assim, andou pelos caminhos tortuosos da "des-graça". Jeremias foi boca de Deus em meio a pessoas que já não desejavam mais ouvir falar da Boa Palavra. Ele foi um homem que sofreu com isso... posto que sabia aquilo que Deus iria fazer, e sabia daquilo que ele, como profeta, deveria fazer. É assim que me sinto!

Me ajude...!

Fico no aguardo!

Um beijo carinhoso!

Francisco Pacheco.



"Agnus Dei qui tollis peccata mundi"

__________________________________________________________

Resposta:

Meu amigo querido: Graça e Paz!

Primeiro sobre a "tensão" de já ser, e, ainda não; devo dizer que é nesse paradoxo que a fé avança. Sim, perfeito em Cristo que são em si mesmos ainda imperfeitos. E é nessa tensão que viveremos até que este "corpo de morte seja absorvido pela imortalidade".

Mas o problema não é esse. De fato é nessa tensão, nesse paradoxo, que a fé pode ser fé; crescendo em graça, com humildade; e sempre se gloriando nas fraquezas, pois, quando se é fraco é que se é forte.

O problema é que você já entendeu a "doutrina da graça", mas ainda não desistiu de suas "justiças próprias", as quais, em sua carta, se expressaram em coisas como: "não me sinto qualificado para ser pastor..."; "não me vejo merecedor de estar na posição que me colocaram..."; e outras filigranas do gênero.

Assim, o que vejo daqui, é um homem que já sabe o que não é vida com Jesus; já sabe o que é a promessa da fé conforme a Graça; mas que ainda sente emocionalmente as coisas com as categorias de "um Jesus segundo a carne"; e de um Jesus segundo as importâncias da religião. Sim, é um sentir. E renitente é esse sentir. Depois falarei mais dele.

Você disse que odeia o clericalismo, ao mesmo tempo em que busca uma qualificação especial para ser "pastor". Digo pastor com aspas porque pastor sem aspas não é uma posição, nem é algo para o que as pessoas possam nos alçar; mas sim, é um dom do Espírito, o qual não é um título, sendo antes um modo de ver, sentir, discernir, amar, cuidar e se dar ao próximo. Quem quer que tenha tal alma, esse é pastor.

Assim, meu irmão, você ainda está lotado do clericalismo, pode até não ser do tipo "evangélico", mas é ainda clericalismo.

E é aí que a coisa do Caminho da Graça pega. Digo isto porque no Caminho tem-se um mínimo necessário de organização, buscamos o máximo de organicidade, não temos hierarquias espirituais, ninguém é maior por tempo de casa, nem por ordem de chegada, e nem por qualquer outra razão.

Lá também só é pastor quem é pastor. Estimula-se a pratica do dom do Espírito que há em cada um. Há uma liderança, mas apenas para fins funcionais. Todavia, qualquer um pode ser chamado para qualquer coisa, de acordo com seu dom.

Portanto, no Caminho não há uma qualificação especial para pastor, visto que ser pastor já é a qualificação. Quanto ao que Paulo diz acerca dos líderes, a ênfase é em lucidez, sensatez e sobriedade. E, para aqueles que ministram a Palavra publicamente, que sejam aptos para ensinar. Esses, todavia, devem ser alvos espirituais de cada discípulo de Jesus, e não apenas que aparecem publicamente.

Então, meu irmão, essa tensão está assim tão tensa em você, apenas porque você ainda não desistiu por completo de seu pedigree-de-justiça-própria-pastoral, embora, em sua mente, isto já esteja resolvido. As emoções, porém, andam sempre meio devagar.

Faça de seu "Agnus Dei qui tollis peccata mundi" uma realidade existencial para você; pois, de fato, Ele tira o pecado do mundo. O verbo tirar no texto original significa um ato contínuo; ou seja: Ele tirou, tira e tirará. Portanto, descanse nessa certeza em fé.

Esta é a sua qualificação!

Sobre Jeremias, que bom! Sim, porque Jeremias podia ser depressivo, porém, em sua justificada depressividade—afinal, ele via o presente caótico e o futuro catastrófico—, ele era um ser pró-ativo; e que mesmo gemendo, não deixava de fazer exatamente o que Deus lhe mandava fazer. Além disso, ele era um profeta das coisas simples que carregavam grandes significados. Em Jeremias a dor é justificada, e, além disso, nunca o paralisa; pelo contrário, o põe sempre em ação.

Quanto a uma Estação do Caminho da Graça aí em sua cidade, quero dizer a você e todos os que lerem esta carta, e que sintam o mesmo desejo que você, o seguinte:

Há quase uma centena de solicitações para que comecemos Estações do Caminho em vários lugares do Brasil. Além disso, já há centenas de pequenos grupos de pessoas se reunindo em torno das questões propostas pelo site. Portanto, diante disso tudo, decidimos realizar em Brasília um encontro para todos esses que estejam interessados; os quais, além de desejo, devem também já estar em ação relacional com outros irmãos.

Em novembro teremos um encontro para todos os que desejam ver uma Estação do Caminho em suas cidades!

E como eu não estarei presente a não ser em Brasília e Manaus, teremos um sistema de vídeo conferencia ajudando a manter a unidade de consciência em todas as Estações que forem abertas.

Além disso, há muitos em outros países desejando a mesma coisa — comunidades de Brasileiros nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Alemanha e em Portugal, onde a maioria dos interessados são portugueses.

Desse modo, se você deseja se envolver com a caminhada no Caminho da Graça, prepare-se para vir ao encontro de novembro.

Em mais uma semana as informações estarão no site. Aguarde.

Concluindo, eu lhe digo: tome a decisão de descansar mesmo, de não se ver como um sacerdote da religião, de não aceitar o engano de que o título de pastor é que faz um pastor, e de buscar uma qualificação "especial"; posto que na Graça o especial de vida é que deve ser o comum para todos: Cristo tira o pecado do mundo.

Há uma coisa que deveria ser pejorativamente chamada de "espírito de pastor", e essa tal coisa é uma casta psicológica difícil de deixar a gente.

O fato é que há muita gente "possessa desse espírito", o qual tira da pessoa a possibilidade de ser ela mesma, fazendo dela um clone psicológico de um modo de sentir completamente artificial, e sem espontaneidade humana com os outros e com a própria pessoa.

Leia no site os textos "TO BE OR NOT TO BE": NÃO É A QUESTÃO!; e também "POR QUÊ SERÁ QUE VOCÊ CONFESSA A JESUS E CONTINUA SEM DEUS?"

Receba meu carinho, e minha esperança de que caminhemos juntos no Caminho da Graça, seja na vivencia de uma Estação do Caminho, seja na espontaneidade da vida, tome ela os contornos que tornar, desde que sejam em Cristo.


Nele, Que é o Caminho, a Verdade e a Vida, e em Quem "Caminho" é apenas o nome da jornada de fé,

Caio



___________________________________________________________

----- Original Message -----
From: To: Caio Fabio Sent: Thursday, September 22, 2005 2:00 PM
Subject: Uma resposta...


Querido amigo, Caio: Graça e paz!

Muito obrigado pela resposta!

Tuas palavras me fizeram refletir.

Li e reli o texto buscando compreender o "espírito" do que você expressou.

Você me fez perceber aqueles "detalhes insignificantes" que eu jamais enxergaria em minha vida.

Acho que me acostumei com as sombras das coisas (como no Mito da Caverna), e assim, não me esforçava mais para ver que "as sombras não eram as próprias coisas".

Hoje, com a tua ajuda, posso afirmar que consigo contemplar "melhor" a própria realidade da minha vida-vocação.

Na carta que te escrevi, afirmo: "abomino o clericalismo evangélico-farisaico". Isto é de fato uma verdade... Mas você me respondeu: "você ainda está lotado do clericalismo".

Num primeiro momento fiquei chateado com sua colocação, pois não me enxergava assim. Me senti confrontado... E confesso que doeu muito. Foi como ser tocado numa ferida escondida – camuflada para que ninguém a percebesse. Mas logo depois, cai na real.

É isso mesmo! Estou lotado do clericalismo, e não percebia! Me acostumei a ver "as sombras projetadas no fundo da caverna", e a achar que as mesmas, representavam a única realidade possível. Oh, meu amigo... como é duro perceber que estamos lotados deste "espírito de pastor" – desta casta terrível que nos aprisiona. É... o título não é nada! Foi ele que me ofuscou a visão, e assim, não conseguia reconhecer o que "eu realmente sou-sendo".

Hoje, passei a entender que é preciso cultivar a consciência de ser "um ser-desnecessário" (como diz Eugene Peterson em seu livro "O pastor desnecessário"), pois somente assim me verei livre da presunção do ter "pedigree-de-justiça-própria-pastoral". Foi a jactância deste pedigree – como você mesmo afirmou – que me fez ver "as coisas com as categorias de 'um Jesus segundo a carne'; e de um Jesus segundo as importâncias da religião".

Diante disso, apenas posso dizer: Muito obrigado, meu amigo!

Agora, quero apenas "descansar em fé, na certeza de que Nele, sou-serei aquilo que Ele, na eternidade, designou". E está minha certeza, se transforma em "fé grata"!

Ontem, quando voltava do trabalho – ali de pé, no metrô –, relembrei uma das aulas que dei no seminário.

A temática da aula foi: "Transcendendo o clericalismo".

Poxa! Por um momento me senti um hipócrita por falar de coisas que ainda não vivia em consciência existencial.

Sempre ensinei que ser igreja na essência, é ser um lugar-existencial onde não há leigos nem clero, há apenas laos – o povo de Deus. Visto que em Cristo somos uma "geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus", comissionados para anunciar "as Boas Novas". Sendo assim, a igreja não tem ministros especializados-qualificados para o ministério; posto que a igreja "é o ministério, o ministério de Deus; e ela não tem uma missão; ela é uma missão". São estas mesmas palavras, que hoje, retornam para mim tendo um profundo sentido profético-existencial. E é diante delas, e de tudo o que você escreveu, que me vejo conclamado a, perante Deus, rejeitar este "pedigree pastoral" para apenas "ser-sendo", em fé, conforme acontecem os desdobramentos vida no Caminho.

Bom... e sobre a "Estação do Caminho" estarei me preparando para este encontro. Até lá, seguirei bebendo deste poço-site!

Um grande abraço de um homem que você ajudou a se ver melhor! Que assim seja!

Nele, que ilumina a todo ser a fim de revelar o verdadeiro sentido da vida e das coisas!


Francisco Pacheco.

"Agnus Dei qui tollis peccata mundi"

_________________________________

Meu querido amigo: Graça e Paz!

As palavras ditas com amor, por vezes parecem ferir; elas, porém, já trazem com elas mesmas a própria cura.

Por isto, mesmo sabendo que você talvez se assustasse "na chagada", não tive nenhum temor quanto a dizer o que disse.

Eu era apenas um menino amante de Jesus. Pregava em toda parte. Não queria ser pastor e nem ordenado. Desejava apenas pregar, e pregava. Pregava na televisão, na rádio, nas esquinas, nas escolas, nas praças, nos teatros, nos estádios, e de casa em casa. Eu tinha apenas 18 anos e meio. Aos 21 me ordenaram, sem que eu aceitasse as imposições da denominação para ordenar ministros. Então, logo começaram a me chamar de "Reverendo". Aquele garoto livre, agora, de súbito, da noite para o dia, era o "Reverendo Caio". Aí o tratamento passa a mudar.

O melhor lugar na casa, na mesa, na sala, no salão, no aniversário, no funeral, nas festas de casamento, nas bodas, etc... No entanto, é também nessa "mesma leva de honras", que a pessoa começa a sentir que quando ela chega, as energias mudam.

As pessoas começam a ver o "sacerdote", o homem diferente dos homens, o santo, o ungido do Senhor, o anjo da igreja, etc...; e também percebe que as pessoas mudam com você; e não percebe, que depois de um tempo, muito suave e lentamente, você também aceita a mudança que fizeram acerca de você. Ora, é aí que nasce o "espírito de pastor"! Então, começa a transformação do ser humano numa figura totêmica. Ele é santo pelos outros; é puro pelos demais; é quem não se diverte pelos que se divertem; é quem não fica doente, pra poder curar; é quem "estuda Deus" e "entende de Deus", a fim de poder explicar; e é quem é exemplo para fazer clones comunitários. Se ele não casa os que se casam, eles se ressentem e magoam. Se ele está viajando quando alguém morre, ele abandonou o moribundo. Se ele está de férias, a igreja esvazia. Se ele é amoroso, torna-se o pai de todos. Ou seja: sem ele, nada do que foi feito de fez ou se faz! Vivendo sob tais responsabilidades e honras, o indivíduo vai virando pajé e não sente. Ou, em muitas ocasiões, passa a gostar mesmo de ser essa figura totêmica para a "igreja". Ora, é nesta necessidade que o povo tem de ter "sacerdotes" e "figuras totêmicas", que tanto os bem intencionados se corrompem existencialmente pela via da entrega ao "espírito de pastor"; como também os mal-intencionados se aproveitam e tiram as carnes do rebanho.

De fato, o ministério pastoral, ou episcopal, ou apostólico, ou de qualquer outra natureza —, já carregam em si o germe do poder desse imantamento espiritual. As pessoa olham para qualquer desses "seres" — "ungidos" formalmente para tais posições —, como "ungidos do Senhor"; aqueles contra os quais não se pode ter uma opinião, pois, em assim sendo, Deus mesmo punirá os "rebeldes", ou "hereges", ou "desviados". Imagine quanto poder isto significa! Ali está um homem que é visto como "o homem de Deus" no meio dos demais homens "normais", e, de tal projeção, pode nascer apenas o "pastor clerical", como também pode nascer o "Apóstolo Nabuco": uma espécie de "Pai Abraão" evangélico!

Eu tenho por certo que todos os modos de clericalismo são malignos em relação a saúde do indivíduo que carrega o peso totêmico dessa "posição".

Também tenho convicção de que eles também criam a força pela qual o totem não muda para não morrer; e, porque ele não muda, as pessoas morrem porque ficam paralisadas, incapazes de viver. É maligno o ciclo!

Por esta razão tenho a mesma convicção no que diz respeito à comunidade. Sim, porque enquanto ela vê o líder com tais olhos, ela não cresce; ao contrário, se infantiliza; e jamais aprende a andar com as próprias pernas.

Ora, o verdadeiro pastor cuida, não domina; ajuda, não controla; alimenta, não explora; só se faz notado em caso absolutamente necessário; e deixa a porta aberta, de tal modo que todos entram e saem e acham pastagem.

Além disso, ele tem uma relação pessoal com cada um delas.

A analogia do Bom Pastor em João 10, todavia, é perfeita no seu todo apenas em relação a Jesus, e a mais ninguém. Isto porque em relação a Jesus todos nós somos apenas ovelhas do rebanho. Porém, em relação a nenhum "outro pastor", nós devemos ser "ovelhas do rebanho"; posto que ser ovelha de Jesus já nos põe na condição de só ouvir a voz de um homem se ela for de acordo com a Voz do Único Pastor; do contrário, a ordem de Jesus é para não "seguir a voz do estranho".

Portanto, o verdadeiro pastor de homens, é apenas um deles. Sim, apenas mais um do rebanho único, sendo apenas uma ovelha que já se deixou ensinar um pouco mais pela voz do Único Pastor. É na Sua fidelidade e reconhecimento à Voz do Pastor que ele se qualifica para ser pastor entre ovelhas, pois, conforme Pedro, ele se torna "modelo do rebanho". Assim, é o caminho da ovelha seguindo o Pastor, o que a torna uma ovelha-pastor; visto que seu passo e obediência estabelecem referencia para as demais. O problema é que maioria dos "pastores" pensam que eles são os "Jesuses" da comunidade; e, diferentemente de Jesus, tornam-se nos mercenários e nos lobos que não amam as ovelhas, mas apenas os privilégios e poderes que dela "arrancam". E o problema também é que a "igreja", por ser pagã ainda em sua essência, precisa desses "pastores tiranos", pois, como associam a "figura clerical" ao "representante de Deus", sentem-se objeticamente mais seguras se têm um Déspota dizendo o que fazer, o que não fazer, com quem casar ou não, e quem é quem. Eu jamais chegaria a nenhum desses extremos pela minha própria natureza e consciência do Evangelho. Todavia, eu mesmo fui notando como eu fui suave e gradativamente mudando, sempre de modo amoroso e meigo, porém, imantadamente reverendíssimo.

"Não é assim entre vós!"—disse Jesus!

Foi por esta razão que Jesus tirou as roupas de cima e se cingiu de uma toalha e passou a lavar os pés dos discípulos. Sim, porque liderar é sobretudo poder lavar pés e servir em nudez. Na realidade, além de tudo o que o gesto de Jesus ensina, nele também vemos o modelo existencial do significado da liderança conforme Jesus, e, também, da consciência que precisam aprender os liderados. O líder serve em revelação de sua humanidade. E os liderados são servidos aceitando a humanidade de quem lidera servindo de modo humano. E Jesus disse a Pedro que ou seria assim, ou Pedro não teria parte com Ele! Somente quando os líderes tiverem a coragem de fazer como Paulo e Barnabé, que rasgaram as roupas e expuseram sua nudez quando foram chamados de "deuses", é que aqueles que crerem no que as lideranças disserem, não ficarão ainda mais adoecidas de idolatria.

Hoje é contrário: os líderes fazem tudo para passar por deuses; e, o povo, vai adoecendo, apenas trocando de "pai-de-santo"; ou de pajé; ou de sacerdote; —porém existindo sob a escravidão da espiritualidade da idolatria; adorando e servindo a criatura, mesmo que se vistam de pastores, bispos, apóstolos ou pai-póstolos.

No Caminho nós temos buscado diante de Deus e conforme o Evangelho, quebrar todos esses paradigmas totêmicos.

Receba meu beijo; e minha expectativa de abraçá-lo no encontro de novembro.

Nele, em Quem todos sabemos como ser para nós e para os outros,


Caio

_______________________________________________________

ATENÇÃO!!!

Os irmãos que desejarem maiores informações para começar uma Estação do Caminho da Graça, por favor, escrevam para o email: marceloquintela@caiofabio.com

Como iniciar uma Estação do Caminho?!

Informações Práticas

Caio, Marcelo Quintela, Chico Pacheco, Ana, eu e os queridos mentores do Caminho da Graça por todo Brasil são interrogados por muitos e por todas as vias de acesso sobre este assunto, isto é, COMO INICIAR UMA ESTAÇÀO DO CAMINHO DA GRAÇA.?

Todos nós já escrevemos sobre isto. No site do Caio há um arsenal de informações a respeito. Nos blogs de cada Estação do Caminho pelo Brasil certamente este assunto já foi tratado de uma forma ou outra. Todos já falamos com muitos e orientamos a este respeito outros tantos. Mas, as perguntas e duvidas continuam. Atrevo-me a escrever sobre o tema mais uma vez.

Vou expor aqui o que eu penso, entendendo que, certamente, escreverei o que já foi dito por muitos de nós do Caminho, mas, vou arriscar escrever outra vez.

01-QUEM PODE INICIAR UMA ESTAÇÀO DO CAMINHO DA GRAÇA?

Bem, penso que não é qualquer pessoa que deve aventurar-se nisto, pois, é óbvio, alem de ter experimentado conversão ao Evangelho para toda vida, deve ser alguém que já tenha vivenciado e vencido algumas barreiras. Vivenciado em si mesmo a eficácia da Graça, isto é, sabe que não há nenhum mérito pessoal para ser tão amado pelo Pai. Ele desejou e amou sem medida e nos comprou para Si mesmo. Deve ter vencido todas as convenções que de uma forma ou outra tentam enquadrar a Graça. Deve crer que a Graça não é propriedade da religião. De nenhuma religião, inclusive o Cristianismo.
A Graça não pertence a nenhuma instituição religiosa. Nenhuma mesmo.. Tal mentor deverá ter vencido todo instrumental utilizado pelas instituições para dar parâmetros e limites àqueles que receberam a Graça.
Devem conseguir viver sem cargos, departamentos, ministérios, programas, cronogramas e organogramas.
Deve ser alguém livre e ao mesmo tempo responsável.
Deve ser leve, sem ser leviano.
Deve ser simples, sem ser simplório.
Deve liderar servindo. Deve estar disposto a lavar os pés de todos, o tempo todo, todo tempo.
Deve ser daqueles que tem o que dizer, mas, atento a tudo que lhe é dito e saber ouvir com paciência.
Deve ser perseverante, sem no entanto, alimentar expectativas exageradas, isto é, aprender a celebrar pequenas vitórias, pequenos começos.
Deve ser alguém que aprendeu a se ouvir, ouvir o outro e, claro, ouvir Deus. Deve ser alguém tocado intimamente pelo Evangelho e disposto a radicalizar para que o Evangelho se encarne na vida de muitos.


02-QUANDO UMA ESTAÇÃO DO CAMINHO DA GRAÇA PODE SER INICIADA?

Quando esta pessoa citada no item acima encontrar mais uma pessoa, e juntas entenderem que foram conquistadas pelo Caminho. Sim, a partir do encontro de duas pessoas, conquistadas pelo Caminho podem desencadear encontros que certamente resultarão na formação de uma Estação do Caminho da Graça.


03-ONDE UMA ESTAÇÃO DO CAMINHO DA GRAÇA PODE SER INICIADA?

Em tese, em qualquer lugar. Estas duas pessoas podem, em acordo, decidirem por começar se encontrar num lugar que vai desde a casa de alguém a ambientes que poderão ser utilizados para estes encontros. Sim, a casa de alguém, uma sala de escola, ambientes públicos como lanchonetes, cafés, restaurantes, buffets, etc...Não há limites quanto às possibilidades neste sentido de local para se começar uma Estação do Caminho. Claro, quanto mais estratégico for este local, melhor. Mas, penso que nada pode impedir aqueles que desejam construir a partir das pessoas uma Estação do Caminho.


04-HÁ DIAS E HORÁRIOS PARA SE INICAR UMA ESTAÇÃO DO CAMINHO DA GRAÇA?

É obvio que não. Todos, hoje, já sabemos que, não há dias e horários sacralizados, portanto, as pessoas que concordaram em dar incio a uma Estação do Caminho, decidem também quais dias e horários são mais adequados para aquele tempo. O grupo pode e esta livre para buscar o que é melhor e sempre que for necessário, mudar, buscando o que atende melhor as expectativas dos caminhantes.


05-QUAL O CONTEÚDO DOS ENCONTROS EM UMA ESTAÇÃO DO CAMINHO DA GRAÇA?
- Convivência na Graça

- Consciência da Graça

- Reflexão no Evangelho da Graça.


06-QUAL MATERIAL DEVE SER UTILIZADO NOS ENCONTROS DE UMA ESTAÇÃO DO CAMINHO DA GRAÇA?

- Os Evangelhos e as Escrituras

- Os livros "Enigma da Graça", "Sem barganhas com Deus", o booklet  "O Caminho da Graça para todos"

- DVDs dos encontros de Brasília I e II, além dos vídeos dos encontros de Atibaia e Recife.

- Leitura no site ( www.caiofabio.com ) das reflexões, opiniões, devocionais e respostas de cartas onde Caio Fábio esbanja informações sobre o Caminho da Graça, e principalmente sobre a interpretação da vida segundo o Evangelho de Jesus Cristo.


07-HÁ UMA HIERARQUIA NO CAMINHO DA GRAÇA?

Não. O que há é um entendimento que o Caio é o mentor do Caminho da Graça por todos os motivos que não requer aqui nenhuma consideração. Que o Marcelo Quintela foi escolhido pelo Caio para supervisionar as iniciativas do Caminho da Graça pelo Brasil, portanto, é importante que ele seja comunicado sobre estas iniciativas, bem como dos encaminhamentos e desdobramentos das atividades das Estações do Caminho da Graça pelo Brasil (marceloquintela@caiofabio.com)


Bem, é obvio que há outros tantos itens que poderão ser acrescidos a estes e há também tantas outras perguntas que ainda deverão ser respondidas, mas, penso que estas são as informações mínimas para todos os que desejam iniciar ou encorajar alguém a iniciar uma ESTACÃO DO CAMINHO DA GRAÇA.


Se você é um destes, bem-vindo(a).


Graça, paz & bem a você.

Com carinho.

Carlos Bregantim
Supervisão São Paulo

Que Caminho é esse?

O "Caminho da Graça" no Brasil é um movimento que existe para anunciar que "Deus estava em Cristo, reconciliando consigo mesmo o mundo, e não imputando aos homens as suas transgressões".

Seu propósito como lugar de reuniões não é viver para sua própria manutenção institucional, mas ser uma Estação de bom ânimo no Caminhar de Fé dos discípulos de Jesus, afim de que recebam Ministração da Palavra de Deus, e ganhem convicção inabalável de que o Amor de Deus permanece Incondicional, que o caminho de volta está aberto, que há perdão disponível, visto que o Pai nos recebe em festa; que se pode ser achado, que se pode reviver para Deus como uma nova criatura; para aí então, ser devolvido a terra e misturado ao mundo, para ser SAL e LUZ! (Marcelo Quintela)

Sendo em Cristo tudo que se É, posto que em Cristo se ESTÁ para sempre!

Não somos um lugar enquanto manifestação física e geográfica do mero ajuntamento de pessoas, e nem, como representação legítima e legal de onde Deus está. Mas, somos um lugar enquanto a simples manifestação existencial do ajuntamento de "gente-boa-de-Deus" que acontece em torno de Jesus, e que entendeu que o "Caminho é o caminho que todos fazem em Cristo no meio da existência. Portanto, esse ajuntamento é apenas uma ESTAÇÃO na jornada do viver", um lugar de bom ânimo e adoração.

E nesse sentido, o "Caminho da Graça", enquanto movimento histórico, é uma IGREJA, posto ser um lugar onde a Graça tem sabor de vida e a vida tem sabor de Graça! Aqui é um lugar de ENCONTRO, onde todos podem ser e estar conforme a verdade em amor!

Nosso único dogma é o Amor!